ESSÊNCIA GAÚCHA
Genero: História e Tradição
Autor: Igidio Garra
Prefácio: A Alma da Pampa Gaúcha
A alma gaúcha é um conceito que transcende a geografia do Rio Grande do Sul, encapsulando uma identidade cultural rica, marcada por tradições, valores e um profundo senso de pertencimento. Essa essência, tão celebrada na literatura, na música e nas manifestações populares, reflete a força de um povo que carrega em si a bravura da pampa.
O orgulho das raízes campeiras e a hospitalidade que acolhe como se todos fizessem parte da mesma querência. No cerne da alma gaúcha, encontramos o gaúcho não apenas o habitante do campo, mas uma figura simbólica que representa coragem, lealdade e respeito pela terra. A vida no interior, com suas lidas campeiras, os rodeios e o chimarrão compartilhado, molda uma conexão íntima com a natureza.
É no mate amargo, passado de mão em mão, que se constroem laços de amizade e se contam histórias de um tempo que resiste ao avanço da modernidade. A música tradicionalista, com nomes como Teixeirinha, Gildo de Freitas e Os Serranos, é outra expressão poderosa dessa alma. As letras falam de amores, lutas da saudade da vida simples, ressoando nos corações de quem vive a realidade do campo.
Festivais como a Califórnia da Canção Nativa reforçam essa identidade, celebrando a poesia que nasce da terra e do povo. Contudo, a alma gaúcha não é apenas nostalgia ou apego ao passado. Ela se reinventa nas cidades, nos movimentos culturais e nas novas gerações que adaptam tradições sem perder sua essência.
O cavalo, os guaipecas (cachorro de estâncias) as carreteadas, a semana farroupilha, o churrasco, o fandango e o uso do lenço no pescoço são símbolos que atravessam fronteiras, nosso hino nossa bandeira e a dupla GreNal, unindo urbanos e rurais em uma mesma identidade.
Em suma, a alma gaúcha é um convite à reflexão sobre quem somos e de onde viemos a chama que aquece o coração de um povo que, mesmo diante dos desafios. No mundo contemporâneo, mantém viva a herança de seus antepassados.
Como diz o hino rio-grandense, "Sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra" e que a alma gaúcha continue inspirando, com sua força e autenticidade, todos que cruzam nosso caminho.
Capítulo 1: A Essência da Pampa
Eu caminho pelas coxilhas do Rio Grande do Sul, e o vento que sopra da campanha traz-me o aroma da terra úmida, misturado ao perfume do capim. Ó pampa generosa, que moldas a alma gaúcha com tua vastidão! Não é apenas o chão que pisamos, mas a própria história que pulsa em nossos peitos, um sentimento que transcende os limites do mapa e se faz presente em cada gesto, em cada palavra, em cada mate compartilhado.
A alma gaúcha, essa força indizível, é o alicerce de um povo que carrega no coração a bravura dos antigos e a hospitalidade que acolhe a todos como se fossem da mesma querência. Tu, que talvez já tenhas provado o amargo do chimarrão, sabes do que falo. É na roda de mate, passada de mão em mão, que se tecem os laços de amizade. Ali, sentado à sombra de um umbu, o gaúcho conta suas façanhas, revive as histórias de seus avós, e a modernidade, com suas luzes e pressas, parece distante.
Ele, o gaúcho, não é apenas o homem do campo, com seu chapéu de aba larga e o lenço vermelho ao pescoço. É uma figura que encarna a coragem, a lealdade e o respeito pela terra que o sustenta. Nós, que nascemos ou adotamos esta terra, sentimos em nossas veias o orgulho de sermos parte desta tradição. Vós, que talvez desconheçais as lidas campeiras, imaginai a vida no interior: o galope do cavalo que corta o vento, o latido dos guaipecas que guardam a estância, o crepitar do fogo que aquece o churrasco.
Tudo isso é a alma gaúcha! Nos rodeios, onde o homem e a natureza se encontram em harmonia, ou nas carreteadas que cruzam os caminhos da campanha, a vida simples ganha contornos de poesia. E que dizer da música? Ó vozes de Teixeirinha, de Gildo de Freitas, de Os Serranos! Suas canções ecoam pelos galpões, falando de amores perdidos, de lutas vencidas, da saudade que aperta o coração do campeiro.
Comigo, trago a memória dos festivais, como a Califórnia da Canção Nativa, onde a poesia brota da terra e se faz canto. É ali que a alma gaúcha se mostra viva, pulsante, renovada a cada verso. Mas não penses, amigo, que esta essência vive apenas no campo. Ela se reinventa nas cidades, nos movimentos culturais, nas novas gerações que, com orgulho, vestem o lenço e dançam o fandango.
A Semana Farroupilha, com suas festas e desfiles, une o urbano e o rural, e até a rivalidade apaixonada da dupla Gre-Nal carrega em si o fervor desta identidade. Contigo, quero compartilhar a certeza de que a alma gaúcha é mais que um conjunto de símbolos. É o hino que cantamos com o peito estufado, a bandeira tricolor que tremula ao vento, o sentimento de pertencimento que nos faz dizer: somos gaúchos!
E conosco, carrega-se a chama que não se apaga, mesmo diante dos desafios do mundo moderno. Como diz nosso hino, "Sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra"! Que a alma gaúcha, com sua força e autenticidade, continue a inspirar todos aqueles que cruzam nosso caminho, guiando-nos como a estrela que brilha no céu da pampa.
Capítulo 2: O Coração da Querência
Eu retorno à vastidão da campanha, onde o horizonte se perde na imensidão do céu, e sinto, ó terra bendita, o pulsar da alma gaúcha em cada palmo de teu solo! É na querência, esse lugar que não se define apenas por cercas ou divisas, mas pelo apego que nos prende ao chão, que descubro a verdadeira essência deste povo.
A querência não é apenas a estância onde o gaúcho cria seu gado ou planta sua roça; é o refúgio do coração, o lar que carregamos conosco, esteja ele nas coxilhas ou nas ruas de pedra das cidades. Tu, que já te sentaste ao redor de uma fogueira, ouvindo o crepitar da lenha enquanto o cheiro do churrasco sobe aos céus, compreendes o que digo.
É ali, no calor do fogo, que o gaúcho se reúne com seus pares, e a hospitalidade, tão própria de nossa gente, faz de cada estranho um amigo. Ele, com seu facão à cinta e o olhar firme, não teme o trabalho árduo, mas também sabe parar para um mate, para uma prosa que aquece a alma. Nós, que compartilhamos dessas vivências.
Sabemos que o chimarrão é mais que uma bebida: é um ritual, um pacto de confiança entre os que se encontram. Vós, que talvez imaginais o gaúcho apenas como o homem do campo, vede como sua alma se espalha! Nas cidades, onde os prédios crescem e o asfalto substitui o chão batido, a tradição persiste. Os centros de tradições gaúchas, os CTGs, são templos onde se cultua a herança dos antepassados.
Ali, o fandango embala os pés, e o lenço, preso ao pescoço, é como uma bandeira que proclama: somos gaúchos! As crianças aprendem a dançar a vanera, os jovens recitam versos em concursos de trova, e os mais velhos, com os olhos marejados, contam histórias de um tempo em que a vida era mais lenta, mas não menos rica, comigo, trago o orgulho de ver a alma gaúcha se renovar.
A Semana Farroupilha, que enche as ruas de desfiles e celebrações, é prova de que esta chama não se apaga. Os cavalos, enfeitados com suas rédeas trançadas, desfilam altivos, enquanto os guaipecas correm ao lado, fiéis companheiros. E que dizer do hino rio-grandense, entoado com fervor, ou da bandeira que tremula, unindo todos sob suas cores.
Até a paixão pelo futebol, com a rivalidade da dupla Gre-Nal, é expressão dessa alma, que transforma até o esporte em uma celebração de identidade! Contigo, quero dividir a certeza de que a alma gaúcha é um laço que nos une, seja na pampa ou na cidade. É o respeito pela terra que nos dá sustento, a lealdade aos amigos que nos acompanham, a coragem de enfrentar os desafios sem perder a ternura.
Conosco, levamos a missão de manter viva essa herança, de ensinar às novas gerações o valor do mate compartilhado, da palavra dada, do orgulho de sermos quem somos. Rio Grande, que tua alma continue a inspirar, como o vento que sopra livre pela campanha, levando a todos a força de um povo que nunca esquece suas raízes!
Capítulo 3: A Chama da Tradição
Eu me vejo novamente sob o céu estrelado da pampa, onde a noite abraça a terra com um silêncio que fala ao coração. Ó Rio Grande, como é grande tua força! A alma gaúcha, que pulsa em mim e em tantos, não se contenta em ser apenas memória; ela é chama viva, que se acende em cada gesto, em cada canto, em cada tradição que resiste ao tempo. É na roda do mate, no galope do cavalo, na poesia que brota da alma do trovador, que sinto a eternidade deste espírito indomável.
Tu, que já sentiste o calor de um galpão lotado, com o som da gaita enchendo o ar, sabes do que falo. Ali, onde o fandango reúne moços e moças, a tradição ganha vida. Ele, o gaúcho, com sua bombacha bem-posta e o lenço ao pescoço, dança com a graça de quem carrega a terra nos pés. Nós, que participamos dessas festas, sentimos o orgulho de pertencer a uma história que não se curva ao avanço do mundo moderno.
A Semana Farroupilha, com seus acampamentos e desfiles, é como um grito de afirmação: somos gaúchos, e nossa chama não se apaga! Vós, que talvez penseis que a alma gaúcha vive apenas nos campos, vede como ela se espalha! Nas cidades, onde o concreto tenta apagar as marcas da campanha, os centros de tradições gaúchas são faróis de resistência.
Ali, as crianças aprendem a tocar o berrante, os jovens ensaiam a chula, e os anciãos, com vozes roucas de tantas prosas, ensinam o valor da palavra empenhada. A música, ó doce música, com nomes como Gaúcho da Fronteira e Luiz Marenco, segue contando nossas histórias, levando a alma da pampa aos quatro cantos do Brasil.
Comigo, trago a lembrança dos rodeios, onde o homem e o cavalo se tornam um só, desafiando a força bruta com destreza e coragem. Os guaipecas, correndo ao redor, parecem entender o significado daquele momento. E que dizer do churrasco, preparado com o esmero de quem sabe que o fogo é sagrado? Cada pedaço de carne, assado na brasa, é uma oferenda à confraternização, à amizade que se fortalece na partilha. A bandeira tricolor, tremulando ao vento.
O hino, cantado com fervor, símbolos que unem gerações, do peão da estância ao morador da cidade. Contigo, quero compartilhar a certeza de que a alma gaúcha é um legado que não se perde. Ela se renova nos festivais de poesia, nas trovas que ecoam, nos versos que falam de amor e saudade. Conosco, carregamos a responsabilidade de manter acesa essa chama.E de ensinar aos que virão o valor de um aperto de mão, de um mate bem cevado, de uma história bem contada. Ah! terra gaúcha, que tua alma siga brilhando, como a luz das estrelas que guiam o tropeiro na escuridão, inspirando a todos com a força de um povo que vive para honrar suas raízes!
Capítulo 4: O Laço da Memória
Eu me encontro mais uma vez na imensidão da pampa, onde o sol poente tinge o céu de vermelho, como se quisesse selar com fogo a memória de um povo. Ó terra do Rio Grande, como é forte o laço que nos une às nossas raízes! A alma gaúcha, que carrego em mim, não é apenas feita de costumes ou cantigas; é um fio invisível que costura o passado ao presente, um laço que não se rompe, pois é tecido com a força da lembrança e o orgulho de quem somos.
Tu, que já provaste o mate amargo ao amanhecer, sentindo o orvalho da campanha nos pés, entendes o peso dessas palavras. É na simplicidade do cotidiano que a memória gaúcha se faz viva. Ele, o homem da querência, seja no lombo do cavalo ou na lida do dia, carrega no peito as histórias de seus antepassados. Nós, que seguimos seus passos, sabemos que cada tropeada, cada carreteada, é um ato de reverência àqueles que abriram os caminhos da pampa com suor e coragem.
Vós, que talvez julgueis a alma gaúcha como algo preso ao passado, vede como ela se mantém firme! Nos galpões dos CTGs, onde o eco da gaita ressoa, a juventude aprende a trançar o laço, a dançar o pealo, a recitar trovas que falam de amor e bravura. A música, com vozes como as de Pedro Ortaça e Joca Martins, é um rio que corre, levando as águas da tradição para as novas gerações.
E que dizer das festas, como o Fandango da Prenda Minha, onde o povo se reúne para celebrar a beleza da mulher gaúcha, símbolo de força e graça. Comigo, trago a imagem das carretas que cruzam a campanha, carregando não apenas fardos, mas os sonhos de um povo que nunca esquece de onde veio. O cavalo, fiel companheiro, e os guaipecas, vigilantes da estância, são parte dessa memória viva.
O churrasco, preparado com o cuidado de quem honra a terra, é mais que uma refeição: é um ritual de união. E a bandeira, tremulando altiva, junto ao hino que entoamos com o coração, nos lembra que somos todos parte de um mesmo ideal, da cidade ao campo, da infância à velhice. Contigo, quero partilhar a certeza de que a alma gaúcha é um tesouro guardado na memória.
É o orgulho de carregar o lenço no pescoço, de cantar as façanhas de nossos heróis, de contar as histórias que nossos avós nos legaram. Conosco, levamos a missão de manter esse laço apertado, de passar adiante o amor pela pampa, pela querência, pela vida simples que nos ensina a ser fortes. Rio Grande, que tua alma siga nos guiando, como o laço bem lançado que prende o futuro sem soltar o passado, unindo-nos numa corrente de fé e tradição!
Capítulo 5: O Galope da Liberdade
Eu me ergo sob o céu aberto da campanha, onde o vento corta a face como um chamado à liberdade. Ó pampa indômita, que inspiras o coração gaúcho com teu horizonte sem fim! A alma gaúcha, que pulsa em mim com a força de um tropel, é a essência de um povo que não se curva, que galopa livre pelas coxilhas da vida, levando no peito o orgulho de sua história e a coragem de enfrentar o que vier. É no galope do cavalo, no brado do trovador, na roda de mate, que sinto a verdadeira liberdade deste espírito.
Tu, que já sentiste o chão tremer sob os cascos de um cavalo em disparada, sabes do que falo. A liberdade do gaúcho não é apenas a ausência de amarras, mas a escolha de viver segundo seus valores. Ele, com sua bombacha surrada pelo vento e o olhar fixo no horizonte, carrega a alma da pampa em cada passo. Nós, que herdamos esse legado, sabemos que ser gaúcho é abraçar a terra, respeitar a palavra dada e acolher o outro como se fosse da própria família.
Vós, que talvez penseis que a alma gaúcha se limita às estâncias, vede como ela voa livre! Nas cidades, onde o asfalto substitui o capim, a tradição encontra novos caminhos. Os CTGs são fortalezas onde se guarda a chama da liberdade, com danças que celebram a vida e poesias que exaltam a luta. A música, com vozes como as de César Oliveira e Rogério Melo, é um hino à independência do espírito gaúcho, cantando as glórias da campanha e a saudade da querência.
E que dizer dos festivais, como o Reponte da Canção, onde o verso livre ecoa como um grito de resistência. Comigo, trago a visão dos rodeios, onde o gaúcho enfrenta o touro com a bravura de quem não teme o desafio. O cavalo, companheiro leal, e os guaipecas, sempre alertas, são símbolos dessa liberdade que não se prende. O churrasco, preparado com a paciência de quem sabe esperar o ponto certo, é um momento de comunhão, onde se celebra a vida.
A bandeira tricolor, erguida com orgulho, e o hino, cantado com a alma, lembram-nos que nossa liberdade é também a força de um povo unido. Contigo, quero dividir a certeza de que a alma gaúcha é um galope que não para. É a coragem de manter viva a tradição, mesmo quando o mundo nos chama a outros caminhos, conosco, levamos o dever de ensinar aos que virão.
O valor de um mate cevado com carinho, de uma trova bem rimada, de um laço bem lançado. Rio Grande, que tua alma continue galopando, livre como o vento que varre a pampa, guiando-nos com a força de um povo que vive para honrar sua história e sua liberdade!
Capítulo 6: A Alma Gaúcha e o Eterno Galope da Liberdade
Eu me ergo, pois, sob o céu aberto da campanha, onde o vento, qual mensageiro indômito, corta-me a face e sussurra-me um chamado à liberdade. Ó pampa gentil, vastidão que se desdobra em horizontes sem fim, tu inspiras-me o coração com a força de um tropel que ressoa na alma gaúcha! É esta a essência de um povo que não se dobra, que galopa livre pelas coxilhas da vida, levando no peito o orgulho de sua história e a têmpera de enfrentar o que vier.
No galope do cavalo, no brado do trovador, na roda do mate cevado com esmero, sinto pulsar a verdadeira liberdade deste espírito que me habita. Tu, que já sentiste o chão estremecer sob os cascos de um cavalo em disparada, compreendes-me o intento. A liberdade do gaúcho não se limita à ausência de grilhões, mas reside na escolha soberana de viver segundo seus princípios. Ele, com sua bombacha surrada pelo vento e o olhar cravado no horizonte.
Que carrega consigo a alma da pampa em cada passo, como quem porta um estandarte de glória. Nós, herdeiros deste legado, sabemos que ser gaúcho é abraçar a terra com reverência, honrar a palavra empenhada e acolher o outro como se fora da própria estirpe.
Vós, que talvez julgueis a alma gaúcha confinada às estâncias e aos campos, vede como ela se alça em voo livre! Nas cidades, onde o asfalto ousou substituir o capim, a tradição encontra novos caminhos, qual rio que contorna a pedra. Os Centros de Tradições Gaúchas, verdadeiras fortalezas do espírito, guardam a chama da liberdade, com danças que celebram a vida e poesias que exaltam a luta.
A música, entoada por vozes como as de César Oliveira e Rogério Melo, é um hino à independência do gaúcho, cantando as glórias da campanha e a saudade da querência que aquece o coração. E que dizer dos festivais, como o Reponte da Canção, onde o verso livre ecoa qual grito de resistência? Comigo, trago a visão dos rodeios, onde o gaúcho enfrenta o touro com a bravura de quem não recua ante o desafio.
O cavalo, companheiro fiel, e os guaipecas, sempre vigilantes, são emblemas desta liberdade que não se deixa prender. O churrasco, preparado com a paciência de quem sabe esperar o ponto exato, é um rito de comunhão, onde se celebra a vida em sua plenitude. A bandeira tricolor, erguida com altivez, e o hino, entoado com fervor, lembram-nos que nossa liberdade é também a força de um povo unido.
Contigo, quero compartilhar a certeza de que a alma gaúcha é um galope que não cessa. É a coragem de manter viva a tradição, mesmo quando o mundo nos convoca a outros rumos. Conosco, levamos o dever de transmitir aos vindouros o valor de um mate cevado com carinho, de uma trova bem rimada, de um laço bem lançado.
Rio Grande, que tua alma continue galopando, livre como o vento que varre a pampa, guiando-nos com a força de um povo que vive para honrar sua história e sua liberdade! Que o coração gaúcho, em sua indômita pulsação, siga sendo farol para as gerações, ensinando-lhes que a verdadeira liberdade é viver com a alma aberta, como o céu da campanha, e com o peito ardendo em orgulho por nossa querência.
Capítulo 7: O Eco da Tradição na Alma do Povo
Eu contemplo, com o coração pleno, a herança que nos foi legada, gravada nas coxilhas e nos campos onde a pampa murmura suas verdades. Ó terra de bravos, que guardas em teu seio o legado de um povo que não se rende! O gaúcho, em sua essência, é o guardião de um tempo que não se apaga, pois carrega em si a chama de uma história forjada no suor, na luta e na lealdade. É na roda de mate, no calor do fogo de chão, na trova que corta o silêncio, que sinto a tradição pulsar, viva, como o coração da própria terra.
Tu, que já te sentaste à sombra de um umbuzeiro, partilhando o mate com os teus, sabes que a tradição não é apenas memória, mas um modo de ser. Ela vive no jeito de amansar o cavalo, no cuidado com que se tece uma guasca, no respeito com que se ouve o mais velho. Ele, o gaúcho, com seu lenço vermelho ao pescoço e o facão na cinta, é a imagem viva do passado que se faz presente, um elo entre os que foram e os que serão.
Nós, que trazemos no sangue o orgulho desta terra, sabemos que a tradição é a raiz que nos sustenta, o alicerce de nossa identidade. Vós, que talvez penseis que o mundo moderno apaga as velhas chamas, vede como elas ardem com vigor! Nos fandangos, onde os pés dançam ao som do vanerão, e nos galpões crioulos, onde se contam façanhas, a tradição respira. Ela se renova nas vozes dos jovens trovadores, que, com suas violas, cantam a pampa com o mesmo ardor dos antigos.
É nos concursos de laço, onde a destreza do gaúcho brilha, e nas domas, onde se prova a coragem, que a alma da campanha se perpetua, forte e indizível. Comigo, trago o sentimento dos que, ao redor da fogueira, narram histórias de bravura, de amores impossíveis, de lutas que marcaram a terra. O cavalo, irmão de tantas jornadas, e o chimarrão, companheiro de tantas reflexões, são testemunhas de um povo que não esquece suas origens.
O churrasco, com sua fumaça subindo aos céus, é um ritual que une, onde se compartilha não apenas a carne, mas a própria vida. E que dizer da Semana Farroupilha, quando o Rio Grande se veste de orgulho, celebrando com danças, versos e cavalgadas a força de sua gente. A bandeira tricolor, tremulando ao vento, e o hino, que ressoa com a força de mil vozes, são símbolos de uma tradição que não se curva.
Contigo, quero dividir a certeza de que a alma gaúcha é um rio que corre sem parar, alimentado pelas águas da memória e da coragem. Conosco, levamos o compromisso de ensinar aos que virão o valor de um olhar honesto, de uma palavra cumprida, de um coração que não teme sonhar. Rio Grande, que tua tradição siga ecoando.
E como o canto do quero-quero que guarda os campos, guiando-nos com a força de um povo que vive para honrar sua história! Que a alma gaúcha, em sua eterna dança com o tempo, continue a ensinar que a verdadeira grandeza está em manter acesa a chama da querência, mesmo sob os ventos do mundo.
Capítulo 8: A Força do Laço e a Memória do Campo
Eu me ponho a caminho, guiado pela luz da manhã que banha a pampa, onde cada capim parece guardar um segredo antigo. Terra de horizontes largos, que falas ao coração com a voz do vento! A alma gaúcha, que em mim se faz viva, é tecida de laços não apenas os de corda, lançados com destreza, mas os de afeto, que unem o povo à sua história. É no campo, sob o céu que não se fecha, que sinto a força de um legado que não se curva, que resiste como o taquaral ante a tormenta.
Tu, que já viste o laço girar no ar, preciso como o voo de um carancho, sabes do que falo. O laço não é apenas ferramenta, mas símbolo da união entre o gaúcho e sua terra. Ele, o homem do campo, com as mãos calejadas e o coração aberto, lança o laço com a certeza de quem conhece seu ofício, mas também com a humildade de quem aprende com a lida.
Nós, que carregamos este sangue campeiro, sabemos que a memória do campo é um livro vivo, escrito em cada galope, em cada fogo de chão, em cada mate compartilhado. Vós, que talvez julgueis o campo um lugar de simplicidade, vede a riqueza que nele se guarda! Nas lidas do gado, onde o gaúcho enfrenta o sol e a poeira, a tradição se renova.
Nos rodeios, onde o laço encontra o boi e a coragem encontra o desafio, a alma da pampa se manifesta. A música, com seus acordes de milonga e vaneira, carrega as histórias dos que vieram antes, enquanto os jovens, com suas vozes frescas, entoam o amor pela querência. Festivais como o California da Canção Nativa são altares onde se reverencia a memória, com versos que falam de luta, de saudade e de orgulho.
Comigo, trago o eco das cavalgadas, onde o tropel dos cavalos ressoa como um hino à liberdade. O cavalo, irmão de tantas jornadas, é mais que montaria: é parte da alma gaúcha, um companheiro que entende o peso do silêncio e a força do galope. O chimarrão, cevado com a paciência de quem sabe esperar, é um rito que reúne, um momento de pausa onde se partilha a vida.
E o churrasco, com seu fogo crepitante, é um convite à confraternização, onde a carne assada é apenas pretexto para a união. A bandeira tricolor, que tremula sob o vento da campanha, e o hino, cantado com o peito inflado, são faróis que nos guiam. Contigo, quero partilhar a certeza de que a memória do campo é a raiz que nos sustenta, um laço que nos prende à nossa essência.
Conosco, levamos o dever de ensinar aos que virão o valor de um olhar que enxerga além do horizonte, de uma mão que sabe manejar o laço, de um coração que pulsa com a força da pampa. Rio Grande, que teu campo siga vivo, como o canto do tordo que saúda o amanhecer.
E guiando-nos com a força de um povo que honra sua memória! Que a alma gaúcha, forjada na lida e no laço, continue a ensinar que a verdadeira força está em manter viva a chama da querência, mesmo quando o mundo nos chama a outros caminhos.
Capítulo 9: A Chama do Fogo de Chão e a Voz do Povo
Eu me sento junto ao fogo de chão, onde as brasas crepitam como contadoras de histórias antigas. Terra de alma forte, que guardas em teu seio o calor da união e a memória dos que pisaram teu solo! A alma gaúcha, que em mim ressoa, é forjada no calor das fogueiras, onde o povo se reúne para compartilhar risos, silêncios e sonhos. É no brilho das chamas, no cheiro da lenha que queima, que sinto a essência de um povo que vive com o coração aberto, como a vastidão da pampa.
Tu, que já te aqueceste ao redor de uma fogueira, partilhando causos e mate, sabes que o fogo é mais que calor: é um laço que une. Ele, o gaúcho, com seu olhar que reflete as chamas e a alma que carrega a querência, conta histórias que atravessam gerações, mantendo viva a voz do povo. Nós, que herdamos esse costume, sabemos que o fogo de chão é um altar onde se celebram a amizade, a lealdade e a simplicidade que definem o ser campeiro.
Vós, que talvez penseis que a modernidade apaga essas tradições, vede como o fogo segue ardendo! Nos galpões, onde se dança ao som da gaita, e nas noites de lua cheia, onde se contam façanhas, a alma gaúcha pulsa. A música, com suas milongas e chamamés, é a voz do povo que ecoa, trazendo à tona a saudade da campanha e o orgulho de ser quem somos. Festivais como a Moenda da Canção são palcos onde o gaúcho canta sua história, com versos que falam de amor, de luta e de resistência.
Comigo, trago a lembrança dos que, sob o céu estrelado, narram as lidas do campo, as cavalgadas épicas, os amores que marcaram a alma. O cavalo, companheiro de tantas jornadas, e o chimarrão, cevado com calma, são testemunhas de um povo que valoriza o instante. O churrasco, preparado com o cuidado de quem respeita a tradição, é um momento de comunhão, onde a carne assada une corações em torno da mesma chama.
A bandeira tricolor, que se ergue sob o vento, e o hino, entoado com fervor, são símbolos de uma união que não se quebra. Contigo, quero dividir a certeza de que a voz do povo gaúcho é um canto que não silencia, um brado que ressoa nas coxilhas e nas cidades. Conosco, levamos o compromisso de manter aceso o fogo da tradição, ensinando aos que virão o valor de uma história contada com verdade, de um mate partilhado com afeto, de um coração que não teme sonhar.
Rio Grande, que teu fogo de chão siga ardendo, como a chama que ilumina o caminho dos que honram sua história! Que a alma gaúcha, aquecida pela união e pela memória, continue a ensinar que a verdadeira força está em reunir o povo, em manter viva a voz da querência, mesmo sob os ventos do tempo.
Capítulo 10: A Dança da Vida e o Ritmo da Pampa
Eu me movo ao compasso da pampa, onde o vento orquestra uma sinfonia que embala a alma. Terra de pulsação viva, que cantas em cada galope e em cada acorde da gaita! A alma gaúcha, que em mim ressoa como um chamamé, é a dança de um povo que celebra a vida com a graça do vanerão e a força do bugio. É no giro das saias coloridas, no sapateio que faz tremer o chão, que sinto o ritmo indômito de um coração que não se cala.
Tu, que já te lançaste na dança, com o corpo seguindo o som da cordeona, sabes que a dança é mais que movimento: é a expressão da alma. Ele, o gaúcho, com seu passo firme e o olhar que brilha como as estrelas da campanha, dança com a mesma coragem que enfrenta a lida. Nós, que carregamos esse ritmo no sangue, sabemos que a dança é um laço que une gerações, um fio que costura o passado ao presente, o campo à cidade, o coração à querência.
Vós, que talvez julgueis a dança apenas folguedo, vede como ela é a própria vida em movimento! Nos fandangos dos CTGs, onde o povo se reúne para girar ao som da milonga, a tradição ganha vida. As danças, como a chula e o pezinho, são hinos coreografados que contam histórias de luta, amor e resistência. A música, com vozes como as de Joca Martins e Luiz Marenco, é o pulsar da pampa, que faz o gaúcho dançar mesmo sob o peso dos desafios.
Comigo, trago a imagem das noites de baile, onde o galpão se enche de risos e o chão ressoa com o sapateado. O cavalo, que fora do galpão carrega o gaúcho, parece acompanhar o ritmo com seu trote, enquanto o chimarrão, passado de mão em mão, marca o compasso da roda. O churrasco, com seu aroma que convida, é o prelúdio da festa, onde a comida nutre o corpo e a dança alimenta a alma.
A bandeira tricolor, que tremula ao vento da campanha, e o hino, cantado com o peito erguido, são o compasso maior que guia nosso povo. Contigo, quero partilhar a certeza de que a dança gaúcha é um canto de liberdade, um giro que não para, mesmo diante das tormentas do tempo. Conosco, levamos o dever de ensinar aos que virão o valor de um passo bem dado, de uma dança que une.
Portanto com um coração que pulsa no ritmo da pampa o Rio Grande, que teu ritmo siga ecoando, como o som de gaita e violão que convoca o povo à dança! Que a alma gaúcha, movida pela paixão e pela tradição, continue a ensinar que a verdadeira vida está em dançar com a alma aberta, celebrando a querência em cada giro, em cada compasso, sob o céu da campanha.
Capítulo 11: O Canto da Querência e a Força do Verso
Eu me entrego ao silêncio da pampa, onde o canto do vento se mistura à voz do coração. Terra de alma sonora, que ressoas em cada trova e em cada verso que exalta tua grandeza! A alma gaúcha, que em mim ecoa como uma milonga, é o brado de um povo que faz da poesia sua arma e do canto sua bandeira. É na rima que corta o ar, verso que abraça a saudade, sinto a força de uma querência que vive cada palavra.
Tu, que já ouviste o trovador entoar sua história sob o céu estrelado, sabes que o verso é mais que arte: é a alma do gaúcho em sua essência. Ele, com sua viola afinada e o olhar perdido na campanha, canta as dores e as glórias de um povo que não se cala. Nós, que trazemos no peito o amor por essa terra, sabemos que o canto é laço que une o passado ao futuro, fio que a memória da pampa em cada coração.
Vós, que talvez julgueis a poesia um ornamento, vede como ela é a própria voz da querência! Nos festivais, como o Canto de Luz ou a Tertúlia Musical Nativista, o verso gaúcho ressoa, forte e livre, contando as façanhas dos heróis, as saudades do campo, os amores que desafiam o tempo. A música, com vozes de Érlon Péricles e Cristiano Quevedo, é alento que embala a alma, fazendo-a vibrar com orgulho gaúcho.
Comigo, trago a lembrança das rodas de trova, onde o poeta, com sua rima afiada, faz rir, chorar e sonhar. O cavalo, que cruza as coxilhas, parece carregar o ritmo do verso em seu galope, enquanto o chimarrão, cevado com calma, acompanha o compasso das palavras. O churrasco, com seu fogo que aquece a noite, é o cenário onde o canto ganha vida, unindo vozes em torno da mesma paixão.
A bandeira tricolor, que flameja sob o vento da pampa, e o hino, entoado com fervor, são versos maiores que nos guiam. Contigo, quero partilhar a certeza de que o canto gaúcho é um rio que corre sem parar, levando a força da querência a todos os cantos. Conosco, levamos o dever de ensinar aos que virão o valor de uma trova bem dita, um verso que carrega verdade, de um coração que canta com a alma aberta.
Rio Grande, que teu canto siga ressoando, como a voz do quero-quero que guarda os campos! Que a alma gaúcha, forjada no verso e na poesia, continue a ensinar que a verdadeira força está em dar voz à querência, em fazer da palavra um laço que une o povo, mesmo sob os ventos do mundo.
Capítulo 12: A Semente da Herança e o Futuro da Pampa
Eu me coloco à beira do horizonte, onde a pampa se encontra com o céu, e contemplo o porvir. Terra de raízes fundas, que nutres o coração com a força de um legado eterno! A alma gaúcha, que em mim floresce como o capim sob a chuva, é a semente de um povo que planta hoje o que colherão os que virão. É no ensinar, partilhar, no cuidar da querência, que sinto a promessa de um futuro que honra o passado.
Tu, que já viste os olhos de uma criança brilharem ao ouvir um causo do avô, sabes que a alma gaúcha é mais que memória: é vida que se renova. Ele, o gaúcho, com sua sabedoria forjada na lida e o coração cheio de histórias, semeia nos jovens o amor pela pampa. Nós, que carregamos o dever de passar adiante esse legado, sabemos que a herança gaúcha é um laço que une gerações.
É uma chama que não se apaga, mesmo sob os ventos do tempo. Vós, que talvez julgueis o futuro distante das coxilhas, vede como a semente da tradição germina! Nas escolas de danças tradicionalistas, onde os pequenos aprendem o sapateado da vaneira, e nos grupos de jovens que entoam trovas, a alma gaúcha se perpetua.
A música, com novas vozes que ecoam os feitos dos antigos, carrega o orgulho da campanha para além das fronteiras. Festivais como o Encontro de Artes e Tradição Gaúcha são campos férteis onde a juventude cultiva a querência, com danças, versos e laços que falam de raízes. Comigo, trago a visão dos que ensinam o manejo do laço, o cevado do mate, o respeito pela terra.
O cavalo, que leva o gaúcho por novos caminhos, e o chimarrão, que reúne a roda da conversa, são símbolos de uma herança que se renova. O churrasco, com seu fogo que aquece a união, é o momento em que se transmitem valores, onde a comida nutre o corpo e as histórias alimentam a alma.
A bandeira tricolor, que tremula com a força do vento, e o hino, cantado com a esperança no peito, são guias para o amanhã. Contigo, quero partilhar a certeza de que a alma gaúcha é uma semente que brota em cada coração que ama a pampa. Conosco, levamos o compromisso de ensinar aos que vierem o valor de uma palavra honrada, de uma tradição viva, de um sonho que galopa livre.
Rio Grande, que tua herança siga florescendo, como o campo que renasce após o inverno! Que a alma gaúcha, com sua força de semente, continue a ensinar que o verdadeiro legado está em plantar com amor, cultivar com cuidado, e colher com gratidão, mantendo viva a querência para as gerações que hão de vir.
Capítulo 13: O Horizonte da Pampa e a Promessa do Amanhã
Eu me lanço ao encontro do horizonte, onde a pampa se curva em reverência ao céu que a abraça. Terra de sonhos largos, que sussurras promessas de um amanhã forjado na força do hoje! A alma gaúcha, que em mim vibra como o galope de um potro, é a esperança de um povo que olha adiante sem esquecer as pegadas deixadas no caminho. É no horizonte sem fim, no brilho da alvorada, que sinto a certeza de um futuro que carrega a querência no peito.
Tu, que já contemplaste o sol nascer sobre as coxilhas, sabes que o horizonte é mais que uma linha: é um chamado à perseverança. Ele, o gaúcho, com sua postura altiva e o coração ancorado na tradição, caminha com os olhos fixos no porvir, mas com os pés firmes na terra de seus avós. Nós, que herdamos esse chão abençoado, sabemos que a promessa do amanhã é construída com a coragem de hoje, com o respeito pelo passado e com o amor pela pampa.
Vós, que talvez julgueis o futuro incerto, vede como a alma gaúcha ilumina o caminho! Nas cavalgadas que cruzam os campos, nos encontros que reúnem o povo, a tradição se renova como o capim após a chuva. A música, com suas novas vozes que cantam a campanha, e as danças, que ganham vida nos pés dos jovens, são sementes que germinam no coração da querência. Festivais como a Coxilha Nativista são faróis que guiam, celebrando a força de um povo que sonha sem perder suas raízes.
Comigo, trago a imagem dos que, sob o céu da pampa, planejam o futuro com a mesma dedicação com que cevam um mate. O cavalo, que galopa com o gaúcho rumo ao horizonte, e o chimarrão, que aquece as mãos na roda, são símbolos de uma esperança que não esmorece. O churrasco, com seu fogo que reúne, é o espaço onde se sonha junto, onde as histórias do passado encontram os planos do amanhã.
A bandeira tricolor, que dança com o vento da campanha, e o hino, entoado com a força da alma, são guias que apontam para o futuro. Contigo, quero partilhar a certeza de que a alma gaúcha é um horizonte que se expande, um caminho que se abre sem nunca abandonar a querência. Conosco, levamos o dever de ensinar aos que virão o valor de um sonho que galopa livre, de uma esperança que não se curva.
De um coração que pulsa com a força da pampa o Rio Grande, que teu horizonte siga chamando, como o clarão da aurora que anuncia o novo dia! Que à alma gaúcha, com sua promessa de futuro, continue a ensinar que a verdadeira grandeza está em caminhar com firmeza, sonhar com ousadia e honrar a querência, mantendo viva a chama que ilumina o amanhã.
Capítulo 14: A Unidade do Povo e o Espírito da Pampa
Eu me uno à roda da vida, onde a pampa reúne seus filhos sob o mesmo céu. Terra de laços fortes, que costuras o coração de teu povo com a linha da fraternidade! A alma gaúcha, que em mim pulsa como o tropel de uma cavalhada, é a força de uma gente que se ergue junta, partilhando sonhos e lutas. É na roda do mate, no brado que ecoa nas cavalgadas, que sinto a unidade de um povo que vive para honrar sua querência.
Tu, que já sentiste o calor de uma roda de amigos sob o céu da campanha, sabes que a união é mais que proximidade: é a essência do gaúcho. Ele, com seu sorriso franco e a mão sempre pronta a ajudar, carrega no peito a força de uma comunidade que não se parte. Nós, que crescemos à sombra dessa terra, sabemos que a unidade é o alicerce da pampa, um laço que nos mantém firmes, mesmo quando os ventos sopram contrários.
Vós, que talvez penseis a fraternidade um ideal distante, vede como ela vive na alma gaúcha! Nos mutirões que levantam ranchos, nas cavalgadas que celebram a história, o povo se encontra. A música, com suas vozes que entoam hinos à querência, e as danças, que unem pares em harmonia, são fios que tecem a união. Festivais como a Semana Crioula do Rio Grande são altares onde se celebra o espírito coletivo, com versos, laços e passos que falam de um povo unido.
Comigo, trago a memória dos que, ao redor do fogo, dividem o pão e a esperança. O cavalo, que carrega o gaúcho em suas jornadas, e o chimarrão, que passa de mão em mão, são emblemas de uma partilha que fortalece. O churrasco, com sua fumaça que sobe aos céus, é o momento em que a mesa se torna um elo, onde se come, se ri e se sonha em conjunto.
A bandeira tricolor, que tremula com o orgulho de todos, e o hino, cantado em uníssono, são símbolos de uma união que não se desfaz. Contigo, quero dividir a certeza de que a alma gaúcha é um laço que não se rompe, uma força que cresce na partilha. Conosco, levamos o dever de ensinar aos que virão o valor de uma mão estendida, de uma roda que acolhe, de um coração que bate pelo bem comum.
Rio Grande, que teu espírito de união siga brilhando, como o sol que aquece os campos! Que a alma gaúcha, forjada na fraternidade e na partilha, continue a ensinar que a verdadeira força está em viver como irmãos, honrando a querência e construindo, juntos, o futuro da pampa.
Capítulo 15: A Coragem da Pampa e o Brado da Resistência
Eu me ergo na vastidão da pampa, onde o vento carrega o eco de batalhas antigas e a força de um povo que não se rende. Terra de bravos, que pulsas com a coragem de quem enfrenta o destino de cabeça erguida! A alma gaúcha, que em mim arde como uma chama inextinguível, é o brado de resistência de uma gente que luta por sua querência, com a mesma tenacidade com que o taquaral enfrenta a tormenta. É no clamor da história, no galope que desafia o tempo, que sinto a força de um espírito indomado.
Tu, que já sentiste o peito inflar ao ouvir os feitos dos heróis farroupilhas, sabes que a coragem é mais que bravura: é a essência do gaúcho. Ele, com seu facão na cinta e o olhar que não vacila, carrega a herança de quem enfrentou guerras por liberdade e honra. Nós, que trazemos no sangue o orgulho dessa terra, sabemos que a resistência é um laço que nos une à história, uma força que nos mantém firmes ante os desafios do presente.
Vós, que talvez julgueis a luta um eco do passado, vede como ela vive na alma gaúcha! Nas cavalgadas que refazem os caminhos da Revolução Farroupilha, nos versos que cantam os feitos de Bento Gonçalves, a coragem se renova. A música, com vozes que entoam hinos de luta, e as danças, que celebram a força do povo, são brados que ecoam na pampa. Festivais como o Musicanto Sul-Americano são altares onde se exalta a resistência, com poesias que falam de glórias e de um povo que não se curva.
Comigo, trago a lembrança dos que, sob o céu da campanha, enfrentaram o impossível com o coração cheio de fé. O cavalo, que galopa com o gaúcho em suas peleias, e o chimarrão, que fortalece a alma na roda, são símbolos de uma coragem que não fraqueja. O churrasco, com seu fogo que aquece as noites frias, é o momento em que se renovam as forças, onde se partilha não apenas a carne, mas o espírito de luta.
A bandeira tricolor, que tremula com a altivez dos bravos, e o hino, cantado com a força da resistência, são estandartes de um povo que não esquece. Contigo, quero partilhar a certeza de que a alma gaúcha é um brado que não silencia, uma chama que arde mesmo sob as tempestades. Conosco, levamos o dever de ensinar aos que virão o valor de uma coragem que enfrenta, de uma luta que persiste.
Com um coração que pulsa pela querência o Rio Grande, que tua coragem siga ressoando, como o trovão que anuncia a tempestade! Que a alma gaúcha, forjada na resistência e na luta, continue a ensinar que a verdadeira força está em erguer-se sempre, honrando a querência com o brado de um povo que nunca se rende.
Capítulo 16: A Luz da Fé e a Alma da Pampa
Eu me prostro sob o céu da pampa, onde as estrelas parecem guiar os passos dos que crêem. Terra de coração devoto, que acolhes a fé de teu povo como a chuva que nutre o campo! A alma gaúcha, que em mim ressoa como um canto de gratidão, é a luz de uma espiritualidade que sustenta, que ilumina os caminhos da lida e da luta. É na prece silenciosa, no respeito à criação, que sinto a força de um povo que confia e persevera.
Tu, que já viste o gaúcho erguer os olhos ao céu em busca de força, sabes que a fé é mais que ritual: é o alicerce de sua alma. Ele, com sua simplicidade e o coração aberto à providência, carrega a certeza de que a terra e o céu estão entrelaçados. Nós, que crescemos sob a proteção dessa pampa, sabemos que a fé é um laço que nos une ao divino, uma chama que aquece mesmo nas noites mais frias.
Vós, que talvez julgueis a espiritualidade um eco do passado, vede como ela brilha na alma gaúcha! Nas romarias que cruzam os campos, como a de Nossa Senhora Medianeira, e nas festas que celebram os santos, o povo renova sua devoção. A música, com seus cânticos que louvam e agradecem, e as danças, que expressam a alegria da fé, são oferendas de um coração grato.
Festivais como o Natal Gaúcho são luzes que se acendem, unindo a tradição e a espiritualidade em hinos que falam de esperança. Comigo, trago a imagem dos que, ao redor do mate, pedem bênçãos pela colheita e pela família. O cavalo, que leva o gaúcho por suas jornadas, e o chimarrão, que reúne a roda em silêncio respeitoso, são símbolos de uma fé que se vive no cotidiano.
O churrasco, com seu fogo que aquece, é o momento em que se agradece, onde a partilha do pão é também a partilha da crença em dias melhores. A bandeira tricolor, que tremula sob o olhar do céu, e o hino, cantado com a alma elevada, são testemunhas de uma fé que guia. Contigo, quero dividir a certeza de que a alma gaúcha é uma luz que não se apaga, uma oração que ressoa na pampa.
Conosco, levamos o dever de ensinar aos que virão o valor de uma fé que sustenta, de uma prece que une, de um coração que confia na promessa da querência. Rio Grande, que tua luz siga brilhando, como as estrelas que guiam o caminho do campeiro! Que a alma gaúcha, forjada na fé e na gratidão, continue a ensinar que a verdadeira força está em crer com humildade, honrando a querência com a certeza de que o céu e a terra caminham juntos.
Capítulo 17: O Silêncio da Pampa e a Sabedoria do Tempo
Eu me aquieto na vastidão da pampa, onde o silêncio fala mais alto que o vento. Terra de segredos antigos, que guardas em teu seio a sabedoria dos que viveram sob teu céu! A alma gaúcha, que em mim ressoa como o murmúrio de um arroio, é a paciência de um povo que aprende com o tempo, que escuta a terra e honra o ciclo das estações. É no silêncio da campanha, no sussurro da noite, que sinto a força de uma sabedoria que guia sem alarde.
Tu, que já paraste para ouvir o silêncio sob as estrelas, sabes que ele é mais que ausência de som: é a voz da experiência. Ele, o gaúcho, com seu olhar que enxerga além do horizonte e a calma de quem enfrentou muitas lidas, carrega a sabedoria dos anos em cada gesto. Nós, que crescemos sob a tutela dessa terra, sabemos o silêncio é um laço que une ao passado, mestre que ensina a paciência e reverência pela vida. Vós, que talvez julgueis o silêncio um vazio, vede como ele é pleno na alma gaúcha!
Nas rodas de mate, onde as palavras são poucas, mas profundas. E nas cavalgadas solitárias, onde o coração dialoga com a pampa, a sabedoria se revela. A música, com suas milongas que contam histórias antigas, e as danças, que respeitam o ritmo da terra, são lições de um tempo que não se apressa. Festivais como o Bivaque da Poesia Gaúcha são altares onde o silêncio se faz verso, celebrando a profundidade da alma campeira.
Comigo, trago a memória dos que, sob o céu da campanha, aprenderam a esperar o momento certo, como quem ceva o mate com cuidado. O cavalo, que avança com passo firme, e o chimarrão, que aquece a roda em silêncio, são símbolos de uma sabedoria que não se impõe. O churrasco, com seu fogo que exige paciência, é o momento em que o tempo ensina, onde a espera se torna um ato de comunhão.
A bandeira tricolor, que tremula com a serenidade do vento, e o hino, cantado com a calma da certeza, são guias de um povo que aprende com o tempo. Contigo, quero partilhar a certeza de que a alma gaúcha é um silêncio que fala, uma sabedoria que cresce na quietude. Conosco, o dever de ensinar aos que virão o valor de uma pausa que reflete, de um silêncio que ensina, de um coração que escuta a pampa.
Rio Grande, que teu silêncio siga ensinando, como o murmúrio do vento que acaricia os campos! Que a alma gaúcha, forjada na paciência e na sabedoria, continue a ensinar que a verdadeira força está em saber esperar, honrando a querência com a serenidade de quem compreende o tempo.
Capítulo 18: A Memória do Vento e o Chamado da Pampa
Eu me volto ao sopro do vento, que cruza a pampa carregando as vozes dos que vieram antes. Terra de ecos eternos, que guardas em teu alento a memória de um povo que viveu por tua liberdade! A alma gaúcha, que em mim canta como uma milonga antiga, é o chamado de uma querência que não se esquece, que ressoa em cada galope e em cada história contada. É no sussurro do vento, na dança dos capins, que sinto a força de um legado que guia os passos do presente.
Tu, que já sentiste o vento da campanha acariciar-te o rosto, sabes que ele é mais que brisa: é o mensageiro da história. Ele, o gaúcho, com seu chapéu moldado pelas intempéries e o coração cheio de causos, ouve no vento as lições de seus antepassados. Nós, que pisamos este chão com reverência, sabemos que a memória é um laço que nos prende à pampa, uma chama que ilumina o caminho mesmo nas noites sem lua.
Vós, que talvez julgueis o passado um eco distante, vede como o vento o traz vivo na alma gaúcha! Nas cavalgadas que refazem os caminhos dos antigos, nos versos que narram suas façanhas, a história se renova. A música, com suas melodias que falam de saudades e glórias, e as danças, que ecoam os passos dos primeiros campeiros, são fios que tecem a memória. Festivais como o Rodeio Crioulo Internacional são altares onde o vento da pampa sopra, celebrando a herança com laços, trovas e galopes.
Comigo, trago a imagem dos que, sob o céu da campanha, escutam o vento para lembrar quem são. O cavalo, que corta o campo com a força dos ventos, e o chimarrão, que aquece a roda enquanto o ar murmura, são símbolos de uma memória que não se apaga. O churrasco, com seu fogo que resiste ao sopro da brisa, é o momento em que se honra o passado, onde a carne assada é pretexto para contar as velhas histórias.
A bandeira tricolor, que tremula ao compasso do vento, e o hino, cantado com a força da memória, são estandartes de um povo que não esquece. Contigo, quero partilhar a certeza de que a alma gaúcha é um vento que não cessa, um chamado que ressoa na querência. Conosco, levamos o dever de ensinar aos que virão o valor de uma história que sopra livre.
E de uma memória que guia, de um coração que pulsa com o vento da pampa. Rio Grande, que teu vento siga cantando, como o sopro que embala os campos! Que a alma gaúcha, forjada na memória e no chamado da querência, continue a ensinar que a verdadeira força está em ouvir o passado, honrando a pampa com a certeza de que o vento carrega a voz de um povo eterno.
Capítulo 19: A Terra Viva e o Coração da Pampa
Eu me entrego à terra da pampa, onde cada palmo de chão pulsa com a vida de um povo que a ama. Terra de raízes profundas, que nutres a alma com o vigor de teus campos! A alma gaúcha, que em mim respira como o aroma do capim molhado, é o laço que une o homem à sua origem, à criação que o sustenta.
É no toque da terra, no labor que a faz florescer, que sinto a força de um coração que bate em harmonia com a natureza. Tu, que já sentiste a terra sob teus pés descalços, sabes que ela é mais que solo: é a mãe que acolhe. Ele, o gaúcho, com suas mãos calejadas pelo trabalho e o olhar que reverencia o campo, cuida da terra como quem guarda um tesouro.
Nós, que crescemos sob o amparo dessa pampa, sabemos que a terra viva é um laço que nos prende à querência, um pacto de respeito que nos ensina a viver com gratidão. Vós, que talvez julgueis a terra apenas um palco, vede como ela é a própria alma gaúcha! Nas lidas do campo, onde o gaúcho semeia e colhe, e nas cavalgadas que cruzam os pastos, a vida se renova.
A música, com suas canções que exaltam o chão da campanha, e as danças, que imitam o ritmo da natureza, são hinos à terra que nos sustenta. Festivais como a Sapecada da Canção Nativa são altares onde se celebra a pampa, com versos que falam de suas cores, seus frutos e sua força. Comigo, trago a memória dos que, sob o sol ou a chuva, trabalham a terra com amor e paciência.
O cavalo, que pisa o chão com respeito, e o chimarrão, que reúne a roda em harmonia, são símbolos de um povo que vive em sintonia com a natureza. O churrasco, com seu fogo que brota da lenha da terra, é o momento em que se agradece, onde a carne é partilhada como um presente do campo. A bandeira tricolor, que tremula sobre os campos verdes, e o hino, cantado com o fervor de quem ama a terra.
São estandartes de uma ligação eterna. Contigo, quero partilhar a certeza de que a alma gaúcha é um coração que pulsa com a terra. A alma gaúcha uma força que cresce no respeito pela criação. Conosco, levamos o dever de ensinar aos que virão o valor de um chão que sustenta, de um labor que dignifica, de um coração que honra a pampa.
Rio Grande, que tua terra siga viva, como o verde que renasce após a seca! Que a alma gaúcha, forjada no amor pelo campo, continue a ensinar que a verdadeira força está em cuidar da terra, honrando a querência com a gratidão de quem sabe que a pampa é a própria vida.
Capítulo 20: O Eterno Retorno e a Alma Imortal da Pampa
Eu me coloco sob o céu da pampa, onde o tempo parece dobrar-se em um eterno retorno. Terra de ciclos infindos, que renasces em cada aurora com a força de tua história! A alma gaúcha, que em mim pulsa como o coração de um potro selvagem, é a certeza de que a querência vive para além dos dias, imortal na memória e no amor de seu povo. É no galope que retorna às coxilhas, no mate que aquece a roda, que sinto a perenidade de um espírito que não se extingue.
Tu, que já viste o sol se pôr e nascer sobre os campos, sabes que a pampa é mais que um lugar: é um ciclo que se renova. Ele, o gaúcho, com sua vida entrelaçada aos ritmos da terra, carrega em si a promessa de um eterno retorno, onde o passado e o futuro se encontram. Nós, que pisamos este chão com orgulho, sabemos que a alma da pampa é um laço que transcende o tempo, unindo gerações em um abraço sem fim.
Vós, que talvez julgueis o presente um rompimento com o passado, vede como a alma gaúcha é eterna! Nas cavalgadas que refazem os caminhos dos antigos, nas trovas que ecoam suas vozes, o ciclo se completa. A música, com suas melodias que cantam a querência, e as danças, que giram como o tempo, são fios que costuram a imortalidade da pampa. Festivais como o Fandango da Canção Nativa são altares onde o eterno se celebra, com versos que falam de um povo que vive para sempre na sua terra.
Comigo, trago a imagem dos que, ao redor do fogo, contam as mesmas histórias que seus avós contaram. O cavalo, que galopa pelos mesmos campos de outrora, e o chimarrão, que passa de mão em mão como um legado, são símbolos de um retorno que não cessa. O churrasco, com seu fogo que aquece as noites, é o momento em que o tempo se curva, onde o passado se senta à mesa com o presente.
A bandeira tricolor, que tremula sob o mesmo vento de séculos, e o hino, cantado com a alma que não envelhece, são estandartes de uma pampa imortal. Contigo, quero partilhar a certeza de que a alma gaúcha é um ciclo que não se quebra, um retorno que mantém viva a querência. Conosco, levamos o dever de ensinar aos que virão o valor de uma história que se repete, de uma tradição que renasce.
Com um coração que pulsa eternamente pela pampa o Rio Grande, que teu ciclo siga girando, como o sol que retorna a cada amanhecer! Que a alma gaúcha, forjada no eterno retorno, continue a ensinar que a verdadeira força está em viver a querência como um legado imortal, honrando a pampa com a certeza de que ela vive para sempre em nós.
Capítulo 21: A Pampa Eterna e o Legado do Gaúcho
Eu me prostro ante a imensidão da pampa, onde o céu e a terra se encontram em um abraço sem fim. Terra de alma perene, que guardas em teu coração a essência de um povo que vive para ti! A alma gaúcha, que em mim ressoa como o eco de um trovão distante, é o legado de uma gente que carrega a querência como um estandarte, imortal em sua devoção. É no galope que cruza os campos, na roda que une os corações, que sinto a eternidade de um espírito que não se apaga.
Tu, que já sentiste a pampa pulsar sob teus pés, sabes que ela é mais que um chão: é a morada de um legado eterno. Ele, o gaúcho, com sua bombacha surrada e o olhar que atravessa gerações, é o guardião de uma história que não se curva ao tempo. Nós, que herdamos essa terra com orgulho, sabemos que o legado da pampa é um laço que nos une para sempre, uma chama que brilha em cada gesto de amor pela querência.
Vós, que talvez julgueis a tradição um peso do passado, vede como ela é a força que sustenta o futuro! Nas cavalgadas que cruzam as coxilhas, nas trovas que cantam as glórias antigas, o legado se perpetua. A música, com suas vozes que entoam a alma da campanha, e as danças, que giram em homenagem aos que vieram antes, são fios que tecem a eternidade da pampa. Festivais como o Carijo da Canção Gaúcha são altares onde se honra esse legado, com versos que falam de um povo que vive para sua terra.
Comigo, trago a visão dos que, sob o céu da campanha, passam adiante as lições dos avós. O cavalo, que carrega o gaúcho por caminhos antigos, e o chimarrão, que aquece a roda com memórias, são símbolos de um legado que não se extingue. O churrasco, com seu fogo que reúne, é o momento em que o passado e o presente se encontram, onde a partilha fortalece a promessa de um futuro fiel à querência.
A bandeira tricolor, que tremula com a força dos séculos, e o hino, cantado com a alma imortal, são estandartes de um povo que vive para sempre. Contigo, quero partilhar a certeza de que a alma gaúcha é um legado que não se desfaz, uma chama que ilumina os caminhos do amanhã. Conosco, levamos o dever de ensinar aos que virão o valor de uma história que pulsa.
E, portanto, de uma tradição que vive, de um coração que carrega a pampa eternamente o Rio Grande, que segue na pampa eterna, como o céu que a cobre com seu manto de estrelas! Que a alma gaúcha, forjada no legado de seus heróis, continue a ensinar que a verdadeira força está em honrar a querência, vivendo com a certeza de que o gaúcho e sua terra são um só, para todo o sempre.
Capítulo 22: A Pampa sem Fim e a Alma que Perdura
Eu me lanço à imensidão da pampa, onde o horizonte se perde na eternidade do céu. Terra sem confins, que abres teus braços para acolher a alma de teu povo! A alma gaúcha, que em mim ressoa como o canto de um rio que nunca seca, é a força de uma querência que transcende o tempo, que vive em cada passo dado sobre teu chão. É no galope que ecoa, na roda que reúne, que sinto a perenidade de um espírito que não conhece fim.
Tu, que já contemplaste a pampa em sua vastidão, sabes que ela é mais que um lugar: é a morada de um povo eterno. Ele, o gaúcho, com seu coração forjado nas lidas e o olhar que abraça o infinito, carrega a pampa como um hino que nunca silencia. Nós, que pisamos esta terra com devoção, sabemos que a alma da querência é um laço que nos une para além da vida, uma chama que arde em cada gesto de amor por este chão.
Vós, que talvez julgueis o presente um desvio da tradição, vede como a pampa permanece viva na alma gaúcha! Nas cavalgadas que cruzam os campos sem fim, nas trovas que entoam as glórias de outrora, a querência se renova. A música, com suas vozes que cantam a imensidão da campanha, e as danças, que giram como o vento sobre as coxilhas, são fios que tecem a eternidade deste solo.
Festivais como a Gauderiada da Canção Gaúcha são altares onde se celebra a pampa, com versos que falam de um povo que vive para sempre em sua terra. Comigo, trago a memória dos que, sob o céu estrelado, juraram amor eterno à querência. O cavalo, que galopa pelos caminhos sem fim, e o chimarrão, que aquece a roda com a promessa de união, são símbolos de uma alma que perdura.
O churrasco, com seu fogo que ilumina a noite, é o momento em que o coração se abre, onde a partilha da carne é também a partilha de um legado sem fim. A bandeira tricolor, que tremula sob o céu sem limites, e o hino, cantado com força de uma alma imortal, são estandartes de um povo que não se apaga. Contigo, quero partilhar a certeza de que a alma gaúcha é uma pampa que não termina.
De um laço que abraça o eterno, conosco, levamos o dever de ensinar aos que virão o valor de uma querência que não se curva, de uma tradição que vive, de um coração que pulsa para sempre pela pampa. Rio Grande, que tua pampa siga sem fim, como o horizonte que se estende sob o céu!
Que a alma gaúcha, forjada na imensidão de tua terra, continue a ensinar que a verdadeira força está em viver à querência como um legado eterno, honrando a pampa com a certeza de que ela é, e sempre será, a casa de um povo com história imortal.
Capítulo 23: A Pampa em Flor e a Renovação da Querência
Eu me entrego à pampa em flor, onde o campo se veste de cores e a vida renasce em cada primavera. Terra de promessas verdes, que floresces com a força de um povo que nunca desiste! A alma gaúcha, que em mim brota como o capim sob a chuva, é a renovação de uma querência que se reinventa sem perder suas raízes. É no perfume das flores, no canto dos pássaros que saudam o dia, que sinto a força de um espírito que se renova com a terra.
Tu, que já viste a pampa despertar após o inverno, sabes que ela é mais que um cenário: é a própria vida em movimento. Ele, o gaúcho, com suas mãos que semeiam e o coração que acolhe as estações, carrega a promessa de uma querência que sempre floresce. Nós, que caminhamos por este chão com amor, sabemos que a renovação é um laço que une o passado ao futuro, uma chama que brilha em cada novo broto da pampa.
Vós, que talvez julgueis a tradição um fardo estático, vede como ela floresce na alma gaúcha! Nas cavalgadas que celebram a primavera, nas trovas que cantam a beleza da terra, a querência se renova. A música, com suas vozes que entoam a esperança da campanha, e as danças, que giram como as flores ao vento, são fios que tecem a vitalidade deste solo.
Festivais como a Tertúlia Maçambará são altares onde a pampa em flor é celebrada, com versos que falam de renovação e de um povo que cresce com sua terra. Comigo, trago a imagem dos que, sob o sol da primavera, plantam com fé e colhem com gratidão. O cavalo, que galopa pelos campos em flor, e o chimarrão, que reúne a roda com o frescor da manhã, são símbolos de uma alma que se renova.
O churrasco, com seu fogo que aquece a roda, é o momento em que se celebra a vida, onde a carne assada é partilhada como um presente da terra que floresce. A bandeira tricolor, que tremula entre as cores da primavera, e o hino, cantado com a alegria da renovação, são estandartes de um povo que renasce.
Contigo, quero partilhar a certeza de que a alma gaúcha é uma pampa em flor, um laço que abraça o ciclo da vida. Conosco, levamos o dever de ensinar aos que virão o valor de uma querência que se renova, de uma tradição que floresce, de um coração que pulsa com a força da primavera.
Rio Grande, que tua pampa siga em flor, como o campo que se veste de vida a cada primavera! Que a alma gaúcha, forjada na renovação e no amor pela terra, continue a ensinar que a verdadeira força está em florescer com a querência, honrando a pampa com a certeza de que ela sempre renascerá.
Capítulo 24: O Céu da Pampa e a Alma que Sonha
Eu me elevo sob o céu da pampa, onde as estrelas traçam caminhos de sonhos sem fim. Terra de horizontes abertos, que inspiras a alma com a grandeza de teu firmamento! A alma gaúcha, que em mim brilha como uma constelação, é o anseio de um povo que sonha com a força da querência e a ousadia de alcançar o impossível. É no brilho da noite, no silêncio que convida à reflexão, que sinto a pulsação de um coração que voa alto, guiado pelo céu da campanha.
Tu, que já contemplaste o manto estrelado sobre as coxilhas, sabes que o céu é mais que um teto: é o lar dos sonhos gaúchos. Ele, o gaúcho, com seu olhar que se perde nas estrelas e o peito cheio de aspirações, carrega a pampa como um mapa celeste que aponta o futuro. Nós, que crescemos sob esse céu imenso, sabemos que sonhar é um laço que nos une à querência, uma chama que ilumina os caminhos do porvir.
Vós, que talvez julgueis os sonhos uma fuga da terra, vede como eles se enraízam na alma gaúcha! Nas cavalgadas que cruzam os campos sob a luz da lua, nas trovas que cantam esperanças, a querência se eleva. A música, com suas vozes que entoam os desejos da campanha, e as danças, que giram como estrelas em movimento, são fios que tecem os sonhos deste povo.
Festivais como o Ponche Verde da Canção são altares onde o céu da pampa se reflete, com versos que falam de anseios e de um povo que sonha com sua terra. Comigo, trago a imagem dos que, sob o céu da campanha, planejam o amanhã com a coragem de quem acredita. O cavalo, que galopa sob as estrelas, e o chimarrão, que aquece a roda enquanto o céu inspira, são símbolos de uma alma que sonha sem limites.
O churrasco, com seu fogo que brilha como um farol na noite, é o momento em que se partilham aspirações, onde a carne assada é pretexto para sonhar junto. A bandeira tricolor, que tremula sob o céu estrelado, e o hino, cantado com a força de um sonho coletivo, são estandartes de um povo que almeja. Contigo, quero partilhar a certeza de que a alma gaúcha é um céu que não se fecha, um laço que abraça o infinito.
Conosco, levamos o dever de ensinar aos que virão o valor de um sonho que voa alto, de uma esperança que não se apaga, de um coração que pulsa sob as estrelas da pampa. Rio Grande, que teu céu siga guiando, como as estrelas que apontam o caminho do campeiro!
Que a alma gaúcha, forjada nos sonhos e na querência, continue a ensinar que a verdadeira força está em sonhar com ousadia, honrando a pampa com a certeza de que o céu é o limite de um povo que nunca para de almejar.
Capítulo 25: O Sonho sem Fim e a Alma que Almeja
Eu me lanço ao vento da pampa, onde os sonhos galopam livres como o cavalo sem rédeas. Terra de aspirações infinitas, que elevas o coração com a promessa de um horizonte sem limites! A alma gaúcha, que em mim arde como o fogo que ilumina a noite, é o brado de um povo que sonha com ousadia, que faz da querência sua estrela guia. É no anseio que pulsa, na coragem que não se curva, que sinto a força de um espírito que almeja o céu.
Tu, que já sonhaste sob o céu da campanha, sabes que o sonho é mais que um desejo: é a essência do gaúcho. Ele, com sua alma forjada nas lidas e o olhar que mira o infinito, carrega a pampa como um farol que aponta o impossível. Nós, que crescemos sob o amparo desta terra, sabemos que sonhar é um laço que nos une à querência, uma chama que aquece o peito e ilumina o caminho do amanhã.
Vós, que talvez julgueis os sonhos um devaneio, vede como eles são a força da alma gaúcha! Nas cavalgadas que cruzam os campos, nas trovas que cantam aspirações, a querência se eleva. A música, com suas vozes que entoam a ousadia da campanha, e as danças, que giram com a energia dos que almejam, são fios que tecem o futuro deste povo. Festivais como o Festival Nativista Canto de Luz são altares onde o sonho se celebra, com versos que falam de um povo que nunca para de mirar o céu.
Comigo, trago a imagem dos que, sob as estrelas da pampa, ousam sonhar com um futuro maior. O cavalo, que galopa com a força dos anseios, e o chimarrão, que aquece a roda enquanto os sonhos são partilhados, são símbolos de uma alma que não se limita. O churrasco, com seu fogo que brilha na escuridão, é o momento em que se planeja o amanhã, onde a carne assada é pretexto para unir corações em torno de grandes aspirações.
A bandeira tricolor, que tremula com a força dos sonhos, e o hino, cantado com a paixão de quem almeja, são estandartes de um povo que não teme ousar. Contigo, quero partilhar a certeza de que a alma gaúcha é um sonho que não se apaga, um laço que abraça o infinito. Conosco, levamos o dever de ensinar aos que virão o valor de uma ousadia que voa alto, de uma esperança que não se rende, de um coração que pulsa pela querência.
Rio Grande, que teus sonhos sigam guiando, como o vento que leva o gaúcho ao horizonte! Que a alma gaúcha, forjada nos sonhos e na querência, continue a ensinar que a verdadeira força está em sonhar com ousadia, honrando a pampa com a certeza de que o céu é o limite de um povo que nunca para de almejar.
Capítulo 26: A Bandeira da Ousadia e o Hino da Querência
Eu me coloco sob o céu da pampa, onde a bandeira tricolor tremula como um farol de sonhos. Terra de corações valentes, que ergues teus símbolos com a força de um povo que almeja! A alma gaúcha, que em mim ressoa como o hino entoado com fervor, é a ousadia de uma gente que não teme mirar o infinito, que faz da querência sua força motriz. É no tremular da bandeira, no brado do hino, que sinto a pulsação de um espírito que vive para ousar.
Tu, que já viste a bandeira tricolor dançar ao vento da campanha, sabes que ela é mais que um pano: é o estandarte de um povo que sonha. Ele, o gaúcho, com seu peito inflamado de orgulho e o olhar que acompanha o tremular das cores, carrega a pampa como um hino que nunca silencia. Nós, que marchamos sob essa bandeira, sabemos que a ousadia é um laço que nos une à querência, uma chama que brilha em cada passo rumo ao futuro.
Vós, que talvez julgueis os símbolos meros ornamentos, vede como eles são a alma gaúcha em movimento! Nas cavalgadas que cruzam os campos, nas trovas que cantam a glória da pampa, a bandeira tremula com força. A música, com suas vozes que entoam a paixão da campanha, e as danças, que giram em harmonia com o hino, são fios que tecem a ousadia deste povo.
Festivais como o Reponte da Canção são altares onde a bandeira e o hino se encontram, com versos que falam de um povo que não teme almejar o impossível. Comigo, trago a imagem dos que, sob o céu da pampa, juram lealdade à querência com a mão no peito. O cavalo, que galopa sob a sombra da bandeira, e o chimarrão, que aquece a roda enquanto o hino ecoa, são símbolos de uma alma que não se rende.
O churrasco, com seu fogo que ilumina a noite, é o momento em que se celebra a ousadia, onde a carne assada é pretexto para unir corações em torno de grandes aspirações. A bandeira tricolor, que tremula com a força dos sonhos, e o hino, cantado com a paixão de quem almeja, são estandartes de um povo que não teme ousar. Contigo, quero partilhar a certeza de que a alma gaúcha é um sonho que não se apaga, um laço que abraça o infinito.
Conosco, levamos o dever de ensinar aos que virão o valor de uma ousadia que voa alto, de uma esperança que não se rende, de um coração que pulsa pela querência. Rio Grande, que tua bandeira siga tremulando, como o símbolo de uma querência que nunca se curva! Que a alma gaúcha, forjada na ousadia e na paixão, continue a ensinar que a verdadeira força em almejar com coragem, honrando a pampa na certeza de que o céu é o limite de um povo que vive para sonhar.
Capítulo 27: A Chama da Querência e o Fogo que Nos Une
Eu me aqueço junto ao fogo da pampa, onde as chamas dançam como ecos de uma alma indômita. Terra de corações ardentes, que reúnes teu povo em torno da chama que nunca se apaga! A alma gaúcha, que em mim crepita como a lenha no fogo de chão, é a paixão de uma gente que vive para a querência, unida pelo calor da fraternidade. É na luz do fogo, no calor que abraça, que sinto a força de um povo que se fortalece na partilha.
Tu, que já te reuniste em roda sob o céu da campanha, sabes que o fogo é mais que calor: é o laço que une. Ele, o gaúcho, com seu olhar que reflete as chamas e o coração que pulsa com a terra, carrega a querência como uma fogueira que ilumina a noite. Nós, que crescemos sob a luz dessa pampa, sabemos que a chama da união é um laço que nos prende à tradição, uma força que aquece mesmo nos dias mais frios.
Vós, que talvez julgueis a união um ideal fugaz, vede como ela arde na alma gaúcha! Nas cavalgadas que cruzam os campos, nas trovas que cantam a força do povo, a chama se aviva. A música, com suas vozes que entoam a paixão da campanha, e as danças, que giram em torno do fogo, são fios que tecem a fraternidade deste solo. Festivais como a Coxilha Nativista são altares onde o fogo da querência brilha, com versos que falam de um povo que se une para sonhar.
Comigo, trago a memória dos que, ao redor das brasas, partilham histórias e esperanças. O cavalo, que descansa sob a luz do fogo, e o chimarrão, que aquece a roda com seu calor, são símbolos de uma alma que se fortalece na comunhão. O churrasco, com seu fogo que crepita, é o momento em que a união se celebra, onde a carne assada é o pretexto para reunir corações em torno da mesma chama.
A bandeira tricolor, que tremula sob a luz do fogo, e o hino, cantado com a força da fraternidade, são estandartes de um povo que se aquece junto. Contigo, quero partilhar a certeza de que a alma gaúcha é uma chama que não se extingue, um laço que abraça a todos. Conosco, levamos o dever de ensinar aos que virão o valor de uma união que aquece, de uma fraternidade que não se apaga, de um coração que pulsa pela querência.
Rio Grande, que tua chama siga ardendo, como o fogo que ilumina os campos! Que a alma gaúcha, forjada na paixão e na união, continue a ensinar que a verdadeira força está em reunir-se com amor, honrando a pampa com a certeza de que o fogo da querência nunca se apaga.
Capítulo 28: O Galope da Esperança e a Alma que Avança
Eu me lanço ao galope na pampa, onde o tropel ressoa como um hino de esperança. Terra de caminhos abertos, que chamas teu povo a avançar com o coração cheio de promessas! A alma gaúcha, que em mim pulsa como o ritmo de um cavalo em disparada, é a força de uma gente que galopa rumo ao futuro, levando a querência como guia. É no vento que acompanha o galope, no horizonte que se abre, que sinto a energia de um espírito que nunca para.
Tu, que já sentiste o chão tremer sob os cascos de um cavalo, sabes que a esperança é mais que um desejo: é o motor do gaúcho. Ele, com sua montaria firme e o olhar que corta o vento, carrega a pampa como um estandarte de ousadia e fé. Nós, que crescemos sob o céu desta terra, sabemos que a esperança é um laço que nos une à querência, uma chama que ilumina os caminhos, mesmo nas trilhas mais escuras.
Vós, que talvez julgueis a esperança um sonho frágil, vede como ela galopa forte na alma gaúcha! Nas cavalgadas que cruzam os campos, nas trovas que cantam a promessa do amanhã, a querência avança. A música, com suas vozes que entoam a força da campanha, e as danças, que giram com a energia da vida, são fios que tecem o futuro deste povo. Festivais como o Musicanto Sul-Americano são altares onde a esperança se celebra.
Em sua essência com versos que falam de um povo que avança sem temor. Comigo, trago a imagem dos que, sob o sol da pampa, galopam com a certeza de um novo dia. O cavalo, que leva o gaúcho por caminhos de luta, e o chimarrão, que aquece a roda com promessas partilhadas, são símbolos de uma alma que não se detém. O churrasco, com seu fogo que aquece a noite, é o momento em que se planeja o futuro, onde a carne assada é pretexto para unir corações.
Em torno da mesma esperança com a bandeira tricolor, que tremula ao ritmo do galope, e o hino, cantado com a força da fé, são estandartes de um povo que avança. Contigo, quero partilhar a certeza de que a alma gaúcha é um galope que não cessa, um laço que abraça o porvir. Conosco, levamos o dever de ensinar aos que virão o valor de uma esperança que galopa livre, de uma ousadia que não se rende, de um coração que pulsa pela querência.
Rio Grande, que teu galope siga ecoando, como o tropel que anuncia o amanhecer! Que a alma gaúcha, forjada na esperança e na querência, continue a ensinar que a verdadeira força está em avançar com coragem, honrando a pampa com a certeza de que o horizonte é o destino de um povo que nunca para.
Capítulo 29: A Alma Gaúcha
Caminho pelas coxilhas do Rio Grande do Sul, onde o vento da campanha sopra suave, trazendo o aroma da terra úmida misturado ao perfume do capim. Ó pampa generosa, vastidão que molda a alma gaúcha com tua força sem fim! Não é apenas o chão sob meus pés, mas a história que pulsa em meu peito, um sentimento que transcende os limites do mapa e se faz vivo em cada gesto, em cada palavra, em cada mate compartilhado sob a sombra de um umbu.
A alma gaúcha é o alicerce de um povo forjado na bravura dos antigos e na hospitalidade que acolhe a todos como se fossem da mesma querência. Tu, que talvez já tenhas provado o amargo do chimarrão, sabes do que falo. Na roda de mate, passada de mão em mão, tecem-se laços de amizade. Ali, o gaúcho conta suas façanhas, revive as histórias de seus avós, e a modernidade, com suas luzes e pressas, parece um eco distante, incapaz de apagar a essência do campo.
O gaúcho não é apenas o homem do interior, com seu chapéu de aba larga e o lenço vermelho ao pescoço. Ele é a coragem que enfrenta o vento cortante, a lealdade que honra a palavra dada, o respeito pela terra que o sustenta. Nós, que nascemos ou adotamos esta terra, carregamos no sangue o orgulho de sermos parte desta tradição. Vós, que talvez desconheçais as lidas campeiras, imaginai a vida na estância:
O galope do cavalo que corta o vento, o latido dos guaipecas que guardam o potreiro, o crepitar do fogo que aquece o churrasco, unindo homens e mulheres em torno da mesma chama. Essa é a alma gaúcha! Nos rodeios, onde homem e natureza dançam em harmonia, ou nas carreteadas que cruzam os caminhos da campanha, a vida simples ganha contornos de poesia.
E que dizer da música? As vozes de Teixeirinha, Gildo de Freitas, Os Serranos ecoam pelos galpões, cantando amores perdidos, lutas vencidas, a saudade que aperta o coração do campeiro. Em festivais como a Califórnia da Canção Nativa, a poesia brota da terra e se faz canto, renovando a cada verso a chama dessa identidade. Mas não penses, amigo, que essa essência vive apenas no campo.
Ela pulsa nas cidades, nos movimentos culturais, nas novas gerações que, com orgulho, vestem o lenço e dançam o fandango. A Semana Farroupilha une o urbano e o rural, e até a rivalidade apaixonada da dupla Gre-Nal carrega o fervor dessa alma. Contigo, quero compartilhar a certeza de que ser gaúcho é mais que um conjunto de símbolos. É o hino que cantamos com o peito estufado, a bandeira tricolor que tremula ao vento,
O sentimento de pertencimento que nos faz dizer, com firmeza: somos gaúchos! E conosco, carrega-se a chama que não se apaga, mesmo diante dos desafios do mundo moderno. Como diz nosso hino, "Sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra"! Que a alma gaúcha, com sua força e autenticidade, continue a inspirar todos que cruzam nosso caminho, guiando-nos como a estrela que brilha no céu da pampa.
Capítulo 30: O Chamado da Pampa
O sol desponta no horizonte, tingindo de dourado as coxilhas que se estendem até onde a vista alcança. Caminho por estas terras do Rio Grande do Sul, e a pampa, em sua imensidão, parece sussurrar meu nome. É um chamado antigo, que vem da terra, do vento, das histórias que ecoam nos cascos dos cavalos e no ranger das carretas. Aqui, cada pedra, cada capim, cada riacho guarda um pedaço da alma gaúcha, e eu, humilde andarilho, sinto-me parte desse todo.
Não é só a vastidão que me prende. É o peso da tradição, o orgulho de um povo que nunca se curvou diante das adversidades. Ontem, enquanto o sol se punha, sentei-me com um velho estancieiro à beira de um fogo. Entre o crepitar das chamas e o amargo do mate, ele me contou das lidas do campo, das peleias de outrora, dos tempos em que a coragem era a única moeda que valia. "A pampa não é só terra, guri", disse ele, com os olhos brilhando como brasas.
"É um jeito de ser, de viver, de sentir." E como não sentir? O vento traz o cheiro da erva-mate, o relinchar dos cavalos ressoa ao longe, e o canto dos quero-queros corta o silêncio da manhã. Tudo isso é o chamado da pampa, um convite para viver com simplicidade, mas com força. Aqui, o gaúcho aprende cedo que a vida é feita de trabalho, de laços firmes, de respeito pelo que veio antes.
Na roda de mate, sob o céu aberto, compartilhamos mais que uma bebida quente compartilhamos sonhos, memórias, promessas. Penso nos meus antepassados, nos homens e mulheres que cruzaram estas mesmas coxilhas, enfrentando o frio cortante e o calor abrasador. Eles semearam não apenas a terra, mas a semente de uma identidade que hoje carrego no peito. Tu, que talvez caminhes por outros solos, podes imaginar o que é sentir a terra pulsar sob teus pés?
É como se cada passo fosse um diálogo com os que vieram antes, um pacto silencioso de honrar suas lutas. A pampa também é poesia. Nos galpões, onde o acordeão geme e os versos dos payadores improvisam histórias, a alma gaúcha se despe e se mostra nua, sem medo. Canta-se o amor pela prenda, a saudade da querência, a bravura de um povo que nunca fugiu à luta. E mesmo nas cidades, onde o asfalto tenta apagar o rastro das carretas, a chama segue acesa.
Vejo os jovens dançando vaneira, os lenços coloridos tremulando em desfiles, as novas vozes que ecoam os versos de um Teixeirinha ou de um Cenair Maicá. Comigo, trago a certeza de que este chamado não é só meu. É teu, é nosso, é de todos que sentem o Rio Grande no coração. A Semana Farroupilha, com seus fogos, seus desfiles, suas rodas de chimarrão, é apenas um reflexo dessa chama que não se apaga.
E mesmo quando o mundo moderno tenta nos engolir com suas pressas e máquinas, a pampa nos lembra: somos feitos de terra, de vento, de histórias. Somos gaúchos. Que este chamado ecoe em ti, amigo, como ecoa em mim. Que a pampa, com sua generosidade e sua força, continue a nos guiar, como a luz da estrela-guia que brilha no céu do sul. E que nossas façanhas, como diz o hino, sigam sendo modelo a toda terra.
Capítulo 31: O Eco dos Galpões
O crepúsculo cobre a pampa com um manto arroxeado, e eu sigo o rastro do som que vem de um galpão ao longe. É o acordeão que chora, o pandeiro que marca o ritmo, a guitarra que embala os versos. Caminho pelas coxilhas do Rio Grande do Sul, e o vento, companheiro fiel, traz até mim o eco das vozes que cantam a alma gaúcha. Ó pampa, que não apenas sustenta o corpo, mas embriaga o coração com tua poesia viva!
No galpão, a luz das lamparinas dança nas paredes de madeira, e ali, entre risadas e o tilintar das esporas, o gaúcho se encontra. Não é apenas um lugar, é um templo onde a tradição respira. Sento-me entre os meus, na roda onde o mate circula e as histórias se entrelaçam. Um velho campeiro, com o rosto marcado pelo sol, conta de um inverno rigoroso em que o gado quase se perdeu na neve, mas a união dos homens da estância venceu a tormenta.
Tu, que talvez nunca tenhas pisado um galpão, podes imaginar o calor humano que aquece mais que qualquer fogueira, a alma gaúcha se revela nesses instantes. Não é só o homem do campo, com seu pala e suas botas, mas também o citadino que carrega no peito o mesmo orgulho. É a prenda que dança com graça, o guri que aprende a laçar, o trovador que faz o verso rimar com a verdade. Aqui, no galpão, a modernidade não entra sem pedir licença.
O celular pode até estar no bolso, mas é o som do bugio, da vaneira, do xote que comanda a noite. E que dizer dos payadores? Esses poetas do improviso, com seus versos afiados como faca de prata, transformam a vida em canção. Cantam o amor, a saudade, as peleias do dia a dia, e cada estrofe é um pedaço da história que se renova. Penso em nomes como Jayme Caetano Braun, cuja voz ainda parece ecoar nestes galpões.
Ainda nos novos trovadores que mantêm viva a chama da trova. É como se a pampa, em sua sabedoria, sussurrasse a cada um de nós: "Canta, gaúcho, que tua voz é minha voz. Comigo, trago a memória das noites em que o galpão foi meu abrigo, não só do frio, mas da pressa do mundo. Aqui, o tempo anda no passo do cavalo, sem afobação. E vós, que talvez conheçais apenas as luzes da cidade, imaginai o que é sentar à beira do fogo.
Ouvindo o estalar da lenha e o canto de um amigo que dedilha o violõ. É no galpão que a alma gaúcha se despe de vaidades e se mostra tal como é: simples, forte, verdadeira. A Semana Farroupilha, com seus desfiles e festejos, é apenas uma janela para esse mundo. Mas o galpão, esse é o coração. Nele, a rivalidade do Gre-Nal vira piada compartilhada, o chimarrão apaga qualquer diferença, e a dança une gerações.
Contigo, quero dividir essa certeza: ser gaúcho é carregar o galpão dentro de si, onde quer que estejamos. É saber que, mesmo na cidade, o eco da pampa nos chama, nos reúne, nos faz irmãos. Que este eco nunca se cale. Que os galpões, sejam de madeira ou de memória, sigam sendo o refúgio da alma gaúcha. E que, como diz nosso hino, nossas façanhas continuem a brilhar, como as estrelas que guiam o campeiro na escuridão da campanha.
Capítulo 32: A Senda dos Ancestrais
O sol já se ergueu sobre as coxilhas, tingindo de vermelho e ouro os campos do Rio Grande do Sul. Caminho por uma trilha antiga, onde o chão ainda guarda as marcas das carretas que cruzaram a pampa em tempos idos. O vento sopra leve, carregando o murmúrio dos que vieram antes de mim os ancestrais que forjaram esta terra com suor, coragem e um amor feroz pela liberdade. Ó pampa, que és mais que cenário, és o espelho da alma gaúcha, onde se reflete o passado e se sonha o futuro!
Cada passo que dou é um eco das sendas trilhadas por aqueles que desbravaram estas planícies. Penso nos farrapos, nos lanceiros, nas mulheres que, com a mesma bravura, seguraram as rédeas da família enquanto os homens lutavam. A história não está apenas nos livros, mas na própria terra, no cheiro do orvalho que molha o capim, no relincho do cavalo que parece saudar os heróis de outrora.
Tu, que talvez nunca tenhas sentido o peso de uma lança ou o calor de uma batalha, podes imaginar o fogo que ardia no peito desses gaúchos, hoje, enquanto descanso à sombra de um cinamomo, um velho tropeiro se aproxima, com o olhar perdido no horizonte. Ele me fala das antigas tropeadas, quando o gado cruzava a campanha sob o comando de homens que conheciam cada palmo desta terra. "Era outro tempo, vivente", diz ele, com a voz rouca.
"Mas a alma da gente não mudou. Ainda carregamos o mesmo orgulho, a mesma teimosia de não se entregar." E eu, ouvindo suas palavras, sinto que a pampa é mais que um lugar é um estado de espírito. A alma gaúcha vive nas pequenas coisas: no jeito de amarrar o lenço, no cuidado com que se prepara o mate, no respeito com que se trata um cavalo. É na lida do campo, no laço bem jogado, no churrasco que reúne a peonada.
Mas também é na cidade, onde o gaúcho moderno carrega sua identidade em cada verso declamado, em cada fandango dançado, em cada história contada aos filhos. Vós, que talvez desconheçais o peso de uma tropa ou o som de uma guampa, imaginai o que é sentir a terra como parte de si, como se cada coxilha fosse uma extensão do próprio coração. Nos festivais, como o Musicanto ou a Tertúlia Maçônica, a pampa ganha voz.
Os versos dos poetas, as canções dos músicos, as danças das prendas tudo isso é um tributo aos ancestrais. E mesmo nas noites quietas, quando o silêncio da campanha só é quebrado pelo canto dos grilos, sinto eles por perto, os antigos, sussurrando conselhos no vento. Comigo, levo a certeza de que honrá-los é viver com a mesma garra, a mesma lealdade, o mesmo amor pela querência.
A Semana Farroupilha, com seus desfiles e fogueiras, é um momento de celebração, mas a senda dos ancestrais está em cada dia. É no orgulho de erguer a bandeira tricolor, no hino que cantamos com a mão no peito, na promessa de nunca esquecer quem somos e contigo, quero compartilhar essa verdade.
Ser gaúcho é andar na trilha dos que vieram antes, carregando sua força e sua história, mas também pavimentando o caminho para os que virão. Que a pampa continue a nos guiar, como a luz da Lua Cheia que ilumina a senda do tropeiro. E que, como cantamos em nosso hino, nossas façanhas sigam sendo exemplo, um farol para toda a terra.
Capítulo 33: O Fogo da Tradição
O sol despontava no horizonte, tingindo de laranja as coxilhas que se estendiam como um mar de ervas sob o céu do Rio Grande do Sul. Eu caminhava por uma trilha antiga, onde o capim, ainda úmido pelo orvalho, roçava minhas botas. O vento, fiel companheiro da pampa, soprava leve, trazendo o cheiro da terra e o eco distante de um galope. Era como se a própria história sussurrasse em meus ouvidos, contando-me das gerações que cruzaram esses campos, dos homens e mulheres que forjaram a alma gaúcha com suor, coragem e um amor inquebrantável pela liberdade.
Ó pampa, que és mais que paisagem! És o palco onde o gaúcho dança sua existência, onde cada marca no chão é um verso de uma poesia sem fim. Aqui, sob a sombra de um cinamomo, sentei-me com um mate quente nas mãos. O amargo da erva subia como um ritual, aquecendo o corpo e a alma. Na roda imaginária que me acompanhava, eu via os rostos dos meus antepassados: o avô que domava potros com a paciência de um mestre, a avó que cantava modinhas enquanto fiava lã, e o peão que, com seu facão, abria caminhos onde só havia mato.
Tu, que talvez já tenhas sentido o peso de um lenço ao pescoço ou o calor de um fogo de chão, sabes que o gaúcho não vive apenas do que a terra lhe dá, mas do que ela lhe ensina. A tradição, esse fogo que não se apaga, é mantida viva em cada gesto simples: no laço bem atirado, na faca que corta a carne com precisão, no olhar firme que não recua diante do desafio. É no campo, mas também nas cidades, que essa chama arde. Nos galpões dos CTGs, onde o som da vaneira embala os pés, ou nas esquinas urbanas, onde um jovem carrega no peito o orgulho de sua querência.
Ele, o gaúcho, é mais que um estereótipo de bombacha e esporas. É o estudante que declama versos de Jayme Caetano Braun, o advogado que, entre papéis, sonha com o campo, a mulher que, com mãos calejadas, prepara o pão caseiro como sua bisavó fazia. Vós, que talvez desconheçais os costumes da campanha, imaginai o som de um acordeão que rompe o silêncio da noite, ou o tilintar das esporas acompanhando o ritmo de uma milonga.
É a música que carrega a alma gaúcha, como as vozes de Luiz Marenco e Joca Martins, que cantam a saudade e a bravura com a mesma intensidade. Comigo, trago a memória dos rodeios, onde o homem e o cavalo tornam-se um só, numa dança de força e respeito. Das carreteadas que cruzam a campanha, levando histórias de um galpão a outro. Das invernadas artísticas, onde a dança é mais que movimento, é a expressão de um povo que não esquece suas raízes.
E que dizer da Semana Crioula, quando as cidades se vestem de pilchas e as ruas ecoam com o trote dos cavalos? É ali que o gaúcho, urbano ou campeiro, reafirma sua identidade. Contigo, quero compartilhar a certeza de que a tradição gaúcha não é um peso, mas uma força que nos impulsiona. É o fogo que aquece o rancho, mas também o que ilumina o caminho. Como diz nosso hino, "povo que não tem virtude acaba por ser escravo".
E nós, gaúchos, carregamos a virtude da lealdade, da hospitalidade, da coragem. Somos os guardiões de um legado que não se curva ao tempo, que se renova em cada mate, em cada verso, em cada olhar que encontra a vastidão da pampa e conosco, a chama da tradição segue acesa.
Prossegue como o fogo de chão que nunca se apaga, mesmo sob a chuva. Que ela continue a guiar-nos, como a Cruzeiro do Sul no céu da campanha, mostrando o caminho para aqueles que, com orgulho, chamam-se gaúchos.
Capítulo 34: A Herança do Vento
O vento da campanha varria as coxilhas, carregando consigo o sussurro dos tempos antigos. Eu estava de pé sobre uma elevação, onde a pampa se abria em sua imensidão, como um convite à contemplação. O céu, vasto e azul, parecia tocar o horizonte, e o capim dançava sob a brisa, como se respondesse a uma melodia que só a terra conhece. Era um momento de silêncio, mas não de vazio; a pampa falava, e eu, com o coração aberto, escutava.
Ó terra generosa, que guardas em teu seio as histórias de um povo! Cada pedra, cada sanga, cada árvore retorcida pelo tempo carrega a memória daqueles que vieram antes de nós. Caminhei lentamente, sentindo o chão firme sob minhas botas, e pensei nos tropeiros que cruzaram esses caminhos, guiando o gado sob o sol e a chuva, com nada além de sua coragem e um mate para aquecer a alma.
A herança do gaúcho não está apenas no que se vê, mas no que se sente: um orgulho que pulsa, uma força que não explica, um laço invisível que nos une à nossa querência. Tu, que talvez já tenhas provado o sabor de um churrasco ao pé do fogo ou ouvido o relincho de um cavalo ao amanhecer, sabes que a vida na campanha é mais que trabalho; é um modo de ser. O gaúcho aprende com o vento: a ser livre, a não se deter, a carregar consigo apenas o essencial.
Sentei-me à beira de uma sanga, onde a água corria mansa, refletindo o céu. Ali, com a cuia na mão, pensei nas lições que a pampa me deu: paciência, como a do pescador que espera o peixe; resistência, como a do cavalo que enfrenta o frio; e gratidão, como a do homem que, ao fim do dia, tem um prato de comida e um teto. Vós, que talvez nunca tenhais pisado estas terras, o sol poente pintando o céu de dourado, o latido de um cão ao longe, o crepitar da lenha no fogo.
É nesse instante que o gaúcho se encontra consigo mesmo, com sua história, com sua gente. Ele não é apenas o homem de bombacha e esporas, mas também aquele que, na cidade, carrega no peito o mesmo amor pela tradição. É a professora que ensina às crianças os versos de Aparicio Silva Rillo, o músico que faz o violão chorar uma milonga, o jovem que, com o celular na mão, posta uma foto de sua pilcha com orgulho.
Comigo, trago as lembranças das domas, onde o respeito entre homem e animal é lei. Dos fandangos, onde o sapateado ecoa como um grito de liberdade. Dos festivais nativistas, onde a poesia se veste de canto e fala de amores, lutas e saudades. E que dizer das cavalgadas, quando dezenas de gaúchos cruzam a campanha, como se o tempo voltasse atrás? É nesses momentos que a herança do vento se faz presente.
Porém lembrando-nos que somos parte de algo maior, de uma corrente que não se rompe. contigo, quero dividir a certeza de que ser gaúcho é mais que nascer nestas terras; é escolher carregar esta herança. É saber que o vento que sopra na pampa também sopra em nossos corações, trazendo a força dos que vieram antes e a esperança dos que virão depois. Como diz o poeta, "o gaúcho não morre, vira semente".
E nós, com nossas façanhas e nossa fé, somos as sementes que mantêm viva esta terra, e conosco, o vento segue soprando, levando adiante a herança que não se perde. Que ele nos guie, como guiou nossos avós, e nos lembre sempre de onde viemos e para onde vamos, com o orgulho de sermos gaúchos de alma e coração.
Capítulo 35: O Canto da Liberdade
O crepúsculo abraçava a pampa com tons de violeta e dourado, e eu, montado em meu cavalo, seguia um caminho de terra batida que serpenteava entre as coxilhas. O tropel ritmado dos cascos parecia acompanhar o pulsar do meu coração, enquanto o vento, sempre ele, cantava uma melodia antiga, como se a própria terra entoasse um hino à liberdade. Ó pampa, que és o berço da alma gaúcha, onde cada horizonte é um convite para sonhar e cada passo é um grito de independência!
Eu parei junto a um potreiro, onde o capim balançava sob a brisa, e desmontei para sentir a terra sob meus pés. Ali, com as rédeas na mão e o olhar perdido na imensidão, pensei nos homens e mulheres que, séculos atrás, lutaram por esta terra. Farroupilhas, com seus lenços vermelhos e seus ideais de justiça, que fizeram da pampa não apenas um chão, mas um símbolo de resistência. A liberdade, para o gaúcho, não é só a ausência de correntes; é a possibilidade de viver conforme o coração manda, de galopar sem amarras, de compartilhar o mate sem pressa.
Tu, que talvez já tenhas sentido o vento frio da campanha ou ouvido o eco de um chamamé, sabes que o gaúcho carrega a liberdade como um estandarte. Sentei-me sobre uma pedra, com a cuia fumegante, e deixei a memória me levar às rodas de galpão, onde as histórias de revoluções e façanhas se misturam às risadas e ao som do acordeão. É ali, entre um verso e um gole de mate, que a alma gaúcha se revela: livre, mas nunca solitária; orgulhosa, mas sempre acolhedora.
Vós, que talvez desconheçais o peso de uma sela ou o cheiro de um fogo de chão, imaginai a vida do campeiro: o céu como teto, a terra como casa, o cavalo como companheiro. Mas essa liberdade não vive apenas no campo. Ela pulsa nas cidades, nos olhos de quem dança uma rancheira com paixão, nos versos declamados por poetas urbanos, no jovem que, com sua bombacha ou seu chimarrão, carrega a tradição como um distintivo de honra. O gaúcho, seja no asfalto ou na coxilha, é livre porque escolhe ser fiel a si mesmo.
Comigo, trago a lembrança dos festivais de música nativista, onde o canto é mais que arte é um brado. Nomes como Pedro Ortaça e Érlon Péricles ecoam nos palcos, contando histórias de um povo que nunca se curvou. E que dizer dos desfiles da Semana Farroupilha, quando as ruas se enchem de cavalos, pilchas e bandeiras tricolores? É a liberdade em movimento, a prova de que a alma gaúcha não se prende ao passado, mas o carrega para o futuro.
Contigo, quero compartilhar a certeza de que ser gaúcho é cantar a liberdade em cada gesto. É erguer a cabeça diante das adversidades, como o cavalo que não teme o laço. É dividir o pão, o mate, a história, com quem quer que cruze nosso caminho. Como diz nosso hino, "liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós!" E nós, com o peito cheio de orgulho, seguimos cantando, dançando, vivendo essa herança que nos faz únicos.
E conosco, a chama da liberdade segue ardendo, como o sol que nunca se apaga na pampa. Que ela nos inspire a continuar, com a força de nossos antepassados e a esperança de um futuro onde a alma gaúcha siga livre, voando como o vento que sopra sobre as coxilhas.
Capítulo 36: A Sombra do Umbu
A tarde caía mansa sobre a campanha, e eu buscava repouso sob a sombra frondosa de um umbu, cujos galhos se curvavam como braços abertos para acolher o viajante. O ar trazia o perfume doce do capim molhado, misturado ao cheiro da terra aquecida pelo sol. Ó pampa, que com tua simplicidade ensinas a grandeza! Sentei-me encostado ao tronco, com o mate na mão, e deixei o silêncio da campanha falar mais alto que qualquer palavra. Era como se o tempo, ali, se dobrasse, unindo o hoje ao ontem, o gaúcho de agora aos que vieram antes.
Sob aquela sombra, pensei na vida simples que molda o coração do campeiro. Cada galho do umbu parecia contar uma história: de tropeadas longas, de noites ao relento, de conversas ao redor do fogo. O gaúcho não precisa de muito para ser feliz — um mate quente, um cavalo fiel, uma roda de amigos. E ali, com a cuia aquecendo minhas mãos, senti a força de uma herança que não se mede em posses, mas em momentos compartilhados.
Tu, que talvez já tenhas sentido o conforto de uma sombra em um dia quente ou ouvido o canto de um quero-quero cortando o silêncio, sabes que a pampa é mais que cenário; é um estado de espírito. O gaúcho encontra na simplicidade sua maior riqueza. Ele não se curva ao luxo, mas se rende à beleza de um pôr do sol, ao som de uma cordeona, ao calor de um abraço fraterno. É na sombra do umbu que ele reflete, sonha, planeja o próximo dia.
Vós, que talvez nunca tenhais sentido o chão da campanha sob os pés, imaginai o que é parar o tempo por um instante: o vento que acaricia o rosto, o mugido distante do gado, o tilintar das esporas de um cavaleiro que passa ao longe. O gaúcho, seja no campo ou na cidade, carrega essa essência. Ele é o artesão que trança o couro com paciência, a dona de casa que prepara o arroz de carreteiro com o mesmo carinho de sua avó, o jovem que, com orgulho, veste o lenço e dança o pealo nos CTGs.
Comigo, trago a memória das noites de galpão, onde o fogo ilumina rostos e histórias. Dos causos contados por vozes roucas, que falam de duelos, amores e façanhas. Dos versos de Noel Guarany, que cantam a alma do pago com a força de um trovão. E que dizer das invernadas, onde a juventude mantém viva a chama da tradição, dançando com a mesma paixão dos antigos?
É na sombra do umbu que essas memórias ganham vida, como se a árvore fosse um guardião das nossas raízes. Contigo, quero dividir a certeza de que a alma gaúcha vive na simplicidade. Não precisamos de grandes palcos para sermos quem somos; basta a sombra de um umbu, o calor de um mate, o som de uma milonga. Como dizia o poeta, "o gaúcho é um verso solto na canção da liberdade".
E nós, com nossa humildade e nosso orgulho, seguimos escrevendo essa canção, verso a verso, dia a dia. E conosco, a sombra do umbu segue nos abrigando, como um refúgio onde a alma gaúcha descansa, mas nunca se aquieta. Que ela nos lembre sempre da beleza do simples, da força do que é verdadeiro, e nos guie, como o vento que sopra leve, para sermos gaúchos de coração inteiro.
Capítulo 37: O Laço das Raízes Pampianas
O sol já se despedia, mergulhando atrás das coxilhas, quando parei meu cavalo junto a uma cerca de pedra, onde o capim crescia livre, beijando os mourões. O vento da pampa, como um velho amigo, soprava suave, trazendo o aroma da terra e o eco de vozes antigas. Pampa, que guardas em teu seio o laço invisível que prende o gaúcho à sua história! Peguei meu facão e, com cuidado, cortei um galho fino para trançar um laço, enquanto pensava na força da memória que nos une ao passado.
Sob o céu alaranjado, sentei-me na relva e deixei a cuia descansar ao meu lado. Cada nó que dava no couro cru parecia amarrar também as lembranças dos que vieram antes: os tropeiros que cruzaram estas terras, os lanceiros que lutaram por liberdade, as mulheres que, com mãos firmes, sustentaram ranchos e famílias. O gaúcho não vive só do presente; ele carrega no peito um laço que o liga aos seus antepassados, um cordel feito de histórias, causos e canções que nunca se desfaz.
Tu, que talvez já tenhas segurado um laço ou sentido o peso de uma tradição, sabes que a memória é o que nos faz gaúchos. É no mate compartilhado, na roda de galpão, no som rouco de uma gaita que essas lembranças ganham vida. Lembrei-me das noites em que meu avô, com os olhos brilhando à luz do fogo, contava de um cavalo xucro que domou ou de uma cheia que enfrentou na sanga. Essas histórias não são apenas palavras; são o laço que nos mantém firmes, mesmo quando o mundo tenta nos arrancar do pago.
Vós, que talvez desconheçais as lidas do campo, imaginai o que é sentar à sombra de uma árvore e ouvir o passado falar. O gaúcho, seja ele do interior ou da cidade, carrega esse laço na alma. É o menino que aprende a laçar com uma corda improvisada, o poeta que declama versos de Érico Veríssimo, a moça que borda com paciência o mesmo pano que sua mãe bordava. A memória não é peso, mas força; é o que nos faz erguer a cabeça e dizer, com orgulho, que somos deste chão.
Comigo, trago as imagens dos rodeios, onde o laço voa preciso, unindo homem, cavalo e terra numa dança sagrada. Dos festivais nativistas, onde as vozes de César Passarinho e Elton Saldanha ecoam como um chamado às raízes. Das cavalgadas que cruzam a campanha, levando o passado para o futuro. E que dizer das conversas simples, ao pé do fogo, onde um causo puxa outro, e o riso se mistura à saudade? É o laço da memória que nos mantém juntos, como uma tropa que nunca se dispersa.
Contigo, quero compartilhar a certeza de que ser gaúcho é tecer esse laço dia após dia. É lembrar dos que vieram antes, honrar suas lutas e carregar suas lições. Como diz o velho ditado, "o gaúcho não esquece o rancho onde nasceu". E nós, com nossas pilchas, nossos mates e nossos sonhos, seguimos trançando esse laço, firme e forte.
E para que a alma gaúcha nunca se solte, conosco a memória segue viva, como o vento que não para de soprar. Que ela nos guie, como o laço que nunca erra o alvo, e nos lembrem, sempre de quem somos: gaúchos, filhos da pampa, guardiões de uma história que nunca acaba.
Capítulo 38: A Luz da Estrela Guia
A noite caía sobre a pampa, e o céu se abria num manto de estrelas, com a Cruzeiro do Sul brilhando como um farol. Eu caminhava por uma trilha estreita, guiado pela luz prateada que banhava as coxilhas, enquanto o vento sussurrava canções antigas entre os capins. Ó pampa, que és bússola e poesia, guia-nos com tua luz eterna! Parei para acender um fogo pequeno, e, com o mate na mão, senti a presença dos que já cruzaram esses campos, como se suas almas dançassem entre as sombras.
Sob aquele céu infinito, pensei na estrela guia que orienta o gaúcho, não apenas no caminho, mas na vida. Ela é mais que um ponto luminoso; é a chama da esperança, a força que nos faz seguir mesmo quando a noite é escura. O gaúcho, com sua alma forjada na campanha, sabe que a luz da tradição é como a Cruzeiro do Sul: está sempre lá, firme, apontando o norte de quem somos. Cada gole de mate parecia trazer um pedaço dessa luz, aquecendo o peito com memórias de um povo que nunca se rende.
Tu, que talvez já tenhas olhado o céu da campanha ou sentido o calor de um fogo de ground, sabes que o gaúcho encontra na simplicidade sua bússola. É na roda de amigos, no som de uma milonga, no trote do cavalo, que ele se orienta. Lembrei-me das histórias contadas por minha mãe, de como os antigos seguiam as estrelas para cruzar as coxilhas, levando o gado ou buscando um sonho. Essa luz, que guiava os tropeiros, ainda brilha em nós, seja no campo ou na cidade, nos olhos de quem carrega a pilcha com orgulho.
Vós, que talvez nunca tenhais visto a pampa sob a luz das estrelas, imaginai o silêncio que abraça, quebrado apenas pelo canto de um grilo ou pelo estalar da lenha. O gaúcho, seja ele o peão que laça o vento ou o estudante que declama versos de João Simões Lopes Neto, segue essa luz. Ela está na paciência de quem planta, na coragem de quem doma, na generosidade de quem divide o pão. É a estrela que ilumina o caminho do CTG, do festival nativista, da cavalgada que une gerações.
Comigo, trago as lembranças das noites de fandango, onde a luz das velas se mistura ao brilho nos olhos dos dançarinos. Dos versos de Manoelito de Ornelas, que cantam a pampa com a força de um raio. Das fogueiras que aquecem os galpões, onde se contam causos de bravura e saudade. E que dizer das crianças, que, com suas pequenas bombachas, aprendem a dançar o vanerão? É a luz da estrela guia que as conduz, ensinando que ser gaúcho é carregar um legado que brilha mais que qualquer constelação.
Contigo, quero compartilhar a certeza de que a alma gaúcha é guiada por essa luz. Não importa o tempo, a distância ou as mudanças do mundo; ela nunca se apaga. Como diz o hino, "somos um povo que canta, que luta, que ama". E nós, com nossas façanhas e nossa fé, seguimos a estrela guia, com o coração aberto e o passo firme.
Sempre prontos para honrar a pampa que nos fez e conosco, a luz da estrela guia segue brilhando, como um farol que nunca falha. Que ela nos ilumine, como iluminou nossos antepassados, e nos mostre o caminho para sermos, sempre, gaúchos de alma e coração.
Capítulo 39: O Rumos do Rio Camaquã
A manhã despertava com a brisa fresca que subia do rio, cujas águas mansas refletiam o céu ainda rosado da aurora. Eu caminhava pelas margens de uma sanga que cortava a pampa, o som do correr da água misturando-se ao canto dos pássaros e ao farfalhar do capim. Pampa, que tens teus rios como veias que alimentam a alma gaúcha! Parei para molhar as mãos na correnteza fria, sentindo a vida que pulsa na terra, e pensei em como os rios, com seus rumos sinuosos, são como o destino do gaúcho: firme, mas nunca preso a um só caminho.
Ajoelhei-me na margem, com a cuia de mate ao lado, e observei o reflexo das nuvens dançando na superfície. Assim como o rio, o gaúcho segue seu curso, enfrentando pedras, curvas e correntezas, mas sempre encontrando um jeito de continuar. É na fluidez da vida campeira que ele aprende a resiliência: a adaptar-se sem perder a essência, a seguir em frente sem esquecer de onde veio.
Cada curva do rio me lembrava uma história do avô que atravessava a nado para buscar um terneiro perdido, da mãe que lavava roupas na beira da sanga, do peão que, à noite, contava causos sob a luz da lua refletida na água. Tu, que talvez já tenhas sentido o frescor de um rio ou ouvido seu murmúrio ao entardecer, sabes que a pampa não é só terra e capim; é também água, vida, movimento.
O gaúcho carrega o rio no peito: ele é calmo como a correnteza em dia de sol, mas forte como a enchente que não se detém. Sentei-me sobre uma pedra, deixando o mate aquecer minhas mãos, e pensei nas lições que o rio ensina: paciência para esperar a cheia passar, coragem para enfrentar suas corredeiras, humildade para saber que, por maior que seja, ele sempre serve à terra.
Vós, que talvez desconheçais os caminhos das águas da campanha, imaginai o que é sentar à beira de um rio e sentir o tempo desacelerar. O gaúcho, seja no campo ou na cidade, carrega esse ritmo. Ele é o pescador que conhece cada curva da sanga, o poeta que transforma o rumor da água em versos, a jovem que, com seu chimarrão, sonha sob a sombra de um salgueiro.
O rio é espelho da alma gaúcha: reflete sua história, sua luta, sua capacidade de fluir com o tempo sem perder a direção. Comigo, trago as memórias das travessias, onde o gaúcho, com seu cavalo, enfrenta as águas para cumprir sua lida. Dos galpões onde se canta a saga dos rios, com vozes como as de José Cláudio Machado, que ecoam a força da campanha. Das tardes de verão, quando as crianças mergulham nas sangas, rindo como se o mundo fosse só alegria.
E que dizer das pontes de madeira, frágeis, mas firmes, que unem margens e pessoas? É o rio que nos ensina que, mesmo com obstáculos, o caminho segue adiante. Contigo, quero compartilhar a certeza de que a alma gaúcha é como o rio: profunda, constante, mas sempre em movimento. Não importa as tormentas ou as secas; ela encontra seu rumo. Como diz o velho ditado, "o rio não para, e o gaúcho também não".
E nós, com nossas pilchas, nossos mates e nossas histórias, seguimos navegando, guiados pela correnteza da tradição e conosco, o rio segue seu curso, levando a alma da pampa para além das margens. Que ele nos inspire a continuar, com a força de suas águas e a leveza de sua canção, sendo gaúchos que honram o passado e abraçam o futuro.
Capítulo 40: O Pulsar da Querência
Caminho pelas coxilhas ao entardecer, onde o sol se despede em tons de fogo, tingindo o horizonte da pampa com uma paleta que só a natureza sabe pintar. O vento, companheiro fiel, sussurra histórias antigas, carregando o cheiro da terra molhada e o eco distante de um gaiteiro que ensaia para o próximo fandango. Aqui, no coração do Rio Grande do Sul, a querência não é apenas um lugar no mapa; é um estado de espírito, um chamado que ressoa na alma de quem carrega o orgulho gaúcho.
A querência, esse termo tão nosso, vai além da estância ou do pago onde se nasce. É o sentimento de pertencimento que nos une, seja no galpão de chão batido, seja nas ruas das cidades onde o asfalto tenta, em vão, apagar as raízes do campo. É no mate cevado com cuidado, na roda de amigos que se forma sem pressa, que a alma gaúcha encontra sua morada. Cada cuia que passa de mão em mão carrega mais que erva: carrega confiança, histórias, silêncios que dizem tudo.
O gaúcho de hoje, herdeiro dos lanceiros e dos tropeiros, não vive apenas do passado. Ele se reinventa. Nas feiras de tecnologia do interior, onde drones ajudam a manejar o gado, ou nas universidades, onde jovens estudam para levar adiante a tradição com novos olhos, a querência pulsa viva. Não é só o homem de bombacha e botas que carrega essa essência; é também a mulher que organiza o rodeio, o estudante que escreve versos para a Califórnia da Canção Nativa, o músico que faz soar o violão nos palcos urbanos.
E que dizer das noites de lua cheia, quando o campo parece guardar segredos? Sob o céu estrelado, o gaúcho reflete. Lembra das lutas de seus antepassados, das revoluções que forjaram o Rio Grande, como a Farroupilha, cujas chamas ainda aquecem o orgulho de ser parte dessa terra. Mas também sonha com o futuro, com um mundo onde a simplicidade do churrasco e a poesia do trovador coexistam com as demandas do presente.
Nos galpões, a música segue sendo o fio que costura gerações. As vozes de Pedro Ortaça, de Luiz Marenco, de Joca Martins ecoam, contando as dores e as glórias do campeiro. E nas cidades, o CTG – Centro de Tradições Gaúchas é o refúgio onde a juventude aprende o vanerão, onde o lenço colorido ainda balança ao ritmo do bugio. É ali que a chama da tradição não se apaga, mas se renova, como o fogo que nunca deixa de crepitar na churrasqueira.
A Semana Farroupilha, com seus desfiles e festejos, é o momento em que o Rio Grande se encontra consigo mesmo. É quando o urbano e o rural se abraçam, quando o gaúcho da capital veste o lenço com o mesmo fervor do homem do interior. Até a rivalidade entre gremistas e colorados, tão cheia de paixão, é parte desse pulsar: um amor pela terra que se expressa até nas cores do coração. E assim, sigo caminhando, com a poeira da estrada marcando minhas botas.
A pampa me ensina que a querência não é só o lugar onde estamos, mas o que carregamos dentro de nós. É a coragem de enfrentar o vento frio, a generosidade de oferecer o mate, a certeza de que, onde quer que estejamos, o Rio Grande vive em nós. Como diz a canção, "sou da pampa, sou do sul, sou gaúcho de nascença". E essa nascença, amigo, é um compromisso eterno com a terra que nos fez.
Capítulo 41: O Galope da História
Caminho pelas coxilhas do Rio Grande do Sul, onde o horizonte se perde na imensidão da pampa. O vento, companheiro fiel, sopra suave, trazendo o cheiro da terra molhada e o sussurro das histórias antigas. Aqui, cada passo é um diálogo com o passado, cada pedra uma testemunha das façanhas que moldaram a alma gaúcha. Não é só o chão que sustenta nossos pés, mas a memória viva de um povo que galopa na história, com a coragem de quem enfrenta o touro brabo e a ternura de quem acolhe o estranho como irmão.
Ó pampa, mãe generosa, que nos ensinas a força da resistência! Em teus campos, o gaúcho aprendeu a domar não só o cavalo, mas também as adversidades. É na lida campeira, no entrevero do laço e na precisão do boleador, que se forja o caráter de quem carrega o Rio Grande no peito. Tu, que talvez já tenhas ouvido o relinchar de um potro ou sentido o calor de um fogo de chão, sabes do que falo. É na simplicidade do cotidiano que a grandeza da nossa gente se revela. O gaúcho não é apenas o homem de bombacha e chapéu, com o lenço tremulando ao vento.
Ele é a própria história em movimento, um fio que conecta os feitos dos farrapos às vozes que hoje ecoam nos galpões. Senta-te comigo, amigo, à roda do mate, e deixa que eu te conte das revoluções que marcaram esta terra. Das lanças cruzadas na Revolução Farroupilha às discussões acaloradas nas rodas de chimarrão, o gaúcho sempre foi movido por um ideal de liberdade, um grito que ressoa mais alto que o trovão na campanha.
E que dizer dos causos que correm de boca em boca, como o vento que varre a planície? São histórias de bravura, de amores impossíveis, de duelos ao pé do fogo, onde o facão brilhava tanto quanto os olhos de quem amava. Nós, que crescemos ouvindo os versos de João de Barro ou as melodias de Luiz Marenco, sabemos que a música é o coração da pampa. Cada acorde de violão, cada verso entoado, é um pedaço da nossa história que se recusa a ser esquecido.
Comigo, trago a lembrança dos tropeiros, daqueles que cruzavam as coxilhas levando o gado e a notícia, unindo estâncias e cidades. Suas trilhas, hoje cobertas pelo capim, ainda pulsam em nossa memória. E vós, que talvez nunca tenhais sentido o balanço de uma carreta, imaginai a poeira subindo ao céu, o ranger das rodas, o canto dos tropeiros que transformavam a jornada em poesia.
É essa herança que nos faz erguer a cabeça, com o orgulho de quem sabe de onde veio. A alma gaúcha não se prende ao passado, mas o carrega como um poncho sobre os ombros, aquecendo o presente. Nas cidades, nas universidades, nos festivais de música nativista, ela se reinventa. A Semana Crioula, com seus desfiles e danças, é a prova de que o gaúcho vive, respira e se renova.
Até mesmo na rivalidade entre o colorado e o gremista, há um traço dessa paixão que nos define, um fogo que não se apaga. Contigo, quero dividir a certeza de que ser gaúcho é mais que nascer nesta terra. É carregar o peso e a leveza de uma história que galopa, incansável, em direção ao futuro.
É saber que, como o cavalo que corta o vento, nossa trajetória é feita de movimento, de luta, de sonhos. E conosco, levamos a chama que ilumina o caminho, guiada pela mesma estrela que brilha no céu da pampa, apontando para um amanhã onde nossas façanhas continuarão a ecoar.
Capítulo 42: A Voz dos Campos
Caminho pelas coxilhas onde o vento sussurra segredos antigos, carregando em suas rajadas a essência da pampa. O sol, já baixo no horizonte, pinta o céu com tons de fogo, e o capim balança como se dançasse ao som de uma melodia que só a terra conhece. Aqui, no coração do Rio Grande do Sul, sinto a alma gaúcha pulsar em cada pedra, em cada árvore, em cada pegada deixada no chão úmido pela garoa da manhã.
A voz dos campos não é apenas o canto dos pássaros ou o mugir do gado. É a história que se perpetua nos galpões, onde o crepitar do fogo acompanha as narrativas dos mais velhos. Sento-me entre eles, com o mate quente na mão, e ouço as façanhas de outrora: os enfrentamentos nas revoluções, as longas tropeadas sob chuvas inclementes, os amores que nasceram à sombra de um rancho.
Cada palavra é um fio que tece a tapeçaria da nossa identidade, um lembrete de que somos feitos da mesma matéria que esta terra. O gaúcho, com seu lenço ao pescoço e a faca na cintura, não é apenas um símbolo do passado. Ele vive em nós, nas escolhas que fazemos, na lealdade aos amigos, no respeito pela natureza que nos sustenta. Vejo isso nos rodeios, onde o homem e o cavalo parecem um só, movidos por uma harmonia que transcende o tempo.
Vejo isso nas carreteadas, onde famílias cruzam os caminhos poeirentos, levando consigo a alegria simples de estar junto. E há a música, sempre a música. As vozes de Luiz Marenco e de tantos outros ecoam, contando de saudades, de lutas, de esperanças. No acordeão que anima o fandango, no violão que embala a vaneira, a alma gaúcha encontra sua expressão mais pura.
É como se cada nota fosse um pedaço da pampa, um chamado para que nunca esqueçamos quem somos. Na cidade, a tradição se reinventa. Os centros de tradições gaúchas mantêm viva a chama, ensinando às novas gerações o valor do chimarrão compartilhado, do verso bem rimado, do passo marcado do baile. Até mesmo nas ruas de concreto, o orgulho de ser gaúcho se manifesta: no hino cantado com fervor.
Também como na bandeira tricolor que tremula nas mãos de um guri, no brilho nos olhos de quem fala da Semana Farroupilha. Mas a voz dos campos também nos desafia. Como preservar essa essência em um mundo que corre tão depressa? Como manter acesa a chama da querência quando as luzes da modernidade tentam ofuscá-la? A resposta está em nós, cada gesto que honra o passado, cada história que contamos, em cada mate que oferecemos ao amigo.
Pois ser gaúcho não é apenas nascer nesta terra; é escolhê-la, dia após dia, como parte do coração. E assim, enquanto o sol se põe e o vento traz o cheiro da terra, sigo meu caminho. Levo comigo a certeza de que a voz dos campos nunca se calará, pois ela vive em mim, em ti, em todos nós que carregamos a pampa na alma. Que nossas façanhas, como diz o hino, continuem a ser modelo, guiando-nos como a estrela que brilha no céu do Rio Grande.
Capítulo 43: O Rastro dos Sonhos
O sol já se esconde atrás das coxilhas, deixando um rastro de luz dourada que parece guiar meus passos pela pampa. Caminho devagar, sentindo o chão firme sob as botas, enquanto o vento traz o cheiro do capim molhado e o canto distante de um quero-quero. Aqui, no vasto cenário do Rio Grande do Sul, cada pedra, cada árvore, cada curva do horizonte carrega um pedaço dos sonhos de um povo. São os sonhos dos que vieram antes, dos que abriram picadas, domaram potros, construíram ranchos com as mãos calejadas e a alma cheia de esperança.
A pampa não é só terra; é um espelho da alma gaúcha, onde se refletem os desejos e as lutas de gerações. Sento-me à beira de um arroio, ouvindo o murmúrio da água, e penso nas histórias que meus avós contavam. Falavam de tropeadas que cruzavam a campanha, de noites sob as estrelas, de promessas feitas ao pé do fogo. Esses sonhos, tão simples e tão profundos, ainda ecoam em nós. Eles nos ensinam que a vida no campo não é apenas trabalho, mas uma maneira de existir, de estar conectado à terra e ao que ela nos dá.
O gaúcho sonha com liberdade, com o galope solto do cavalo, com a roda de mate que reúne os amigos. Vejo isso nos olhos de um peão que prepara seu laço no rodeio, na precisão de seus movimentos, na reverência que presta ao animal. Vejo isso na mulher que, com mãos habilidosas, tece uma manta no tear, cada fio carregando um pedaço de sua história. Esses gestos, tão naturais, são a continuação de um sonho coletivo, de um povo que nunca se curva diante das adversidades.
E há os sonhos que se transformam em canções. As vozes de Pedro Ortaça, de Joca Martins, de tantos outros, sobem como fumaça dos galpões, levando para o céu os anseios de quem vive esta terra. Cantam o amor pela querência, a saudade de um tempo que não volta, a força de quem enfrenta o frio das madrugadas com um sorriso no rosto. Cada verso é um rastro, uma pegada que marca o caminho para as próximas gerações.
Na cidade, os sonhos ganham novas formas. Os jovens, com seus celulares e suas ideias, levam a alma gaúcha para o mundo. Criam versos, danças, vídeos que celebram o lenço, a bombacha, o chimarrão. A Semana Farroupilha, com seus desfiles e festejos, é um momento em que esses sonhos se encontram, unindo o guri da cidade ao peão do campo, o estudante ao tropeiro, todos sob a mesma bandeira tricolor.
Mas os sonhos também trazem perguntas. Como manter viva essa chama em um mundo que muda tão rápido? Como ensinar aos novos que o rastro dos nossos ancestrais é mais do que uma memória, é um guia? A resposta está na simplicidade: no mate que passa de mão em mão, na história contada ao redor do fogo, no orgulho de carregar no peito o Rio Grande. Cada um de nós é um guardião desses sonhos, um elo entre o passado e o futuro.
Levanto-me do arroio, com o céu agora salpicado de estrelas. O vento sopra suave, como se sussurrasse um convite para seguir adiante. E eu sigo, carregando no coração o rastro dos sonhos gaúchos, sabendo que, enquanto houver pampa, haverá quem sonhe com sua vastidão, sua liberdade, sua verdade. Que nossos passos, como os dos que vieram antes, continuem a traçar esse caminho, iluminados pela luz da nossa querência.
Capítulo 44: O Sabor da Terra
A manhã desponta nas coxilhas do Rio Grande do Sul, e o orvalho brilha como pequenos diamantes sobre o capim. Caminho por um potreiro, sentindo o cheiro da terra úmida, misturado ao aroma doce do pão que uma china assa no forno de barro, lá no rancho. É o sabor da terra, esse que alimenta não só o corpo, mas a alma gaúcha, que se enraíza na simplicidade e na fartura da pampa.
A mesa do gaúcho é um reflexo de sua história. O churrasco, com sua carne suculenta crepitando na brasa, é mais que comida; é um ritual. Reúne a peonada ao redor do fogo, onde as facas cortam a carne e os causos cortam o silêncio. Cada pedaço, temperado apenas com sal grosso e o calor das chamas, carrega o gosto da campanha, do trabalho árduo, da comunhão entre os que compartilham a refeição.
O chimarrão, amargo e quente, passa de mão em mão, selando laços que nem o tempo desfaz. Penso nas mulheres que, com mãos calejadas, amassam o pão, cozinham o feijão mexido, preparam o arroz de carreteiro. Cada prato conta uma história: das tropeadas que traziam mantimentos pelas estradas, das invernadas que exigiam criatividade para transformar pouco em muito, da hospitalidade que nunca deixa um estranho sem um prato cheio.
Até o doce de abóbora, servido com um naco de queijo, fala da pampa, de sua generosidade que transforma frutos simples em manjares. E há os sabores que vão além da mesa. É o cheiro do couro do cavalo, do café coado no fogão a lenha, do vento que traz o perfume das flores silvestres. Esses aromas são a essência do gaúcho, que vive em sintonia com a terra, vejo isso no peão que, após um dia de lida, para sob a sombra de um umbu para descansar.
Num olhar perdido no horizonte, como se pudesse saborear a própria liberdade, na cidade, essa conexão não se perde. Nos restaurantes que servem comida campeira, nos festivais que celebram o churrasco, na roda de chimarrão que se forma até mesmo em um canto de praça, o sabor da terra permanece. As novas gerações aprendem a receita do avô, o segredo da avó, e assim carregam adiante o legado.
Até a rivalidade da dupla Grenal, com seus churrascos de torcida, carrega esse gosto de pertencimento, de paixão que tempera a vida. Mas o sabor da terra também nos provoca. Como manter viva essa simplicidade em um mundo de sabores industrializados? Como ensinar aos guris que o verdadeiro gosto da pampa está na terra que pisamos, no trabalho que honramos, na partilha que nos une!
A resposta está na memória: no cheiro do fogo, no amargo do mate, no calor do abraço de um amigo. É isso que nos faz gaúchos, que nos liga à querência. O sol já sobe mais alto, e o rancho me chama. Sento-me à mesa, com um prato de carreteiro fumegante à minha frente.
Cada garfada é um pedaço da pampa, um lembrete de que a terra nos sustenta, nos ensina, nos acolhe. E enquanto o vento sopra lá fora, levando o aroma do campo, sei que o sabor da terra nunca se apagará, pois ele vive em nós, em cada história, em cada gole, em cada pedaço de pão partilhado.
Capítulo 45: A Dança dos Ventos
O entardecer cobre as coxilhas com um manto de tons alaranjados, e o vento, esse velho companheiro da pampa, sopra leve, como se convidasse a terra para dançar. Caminho pelos campos do Rio Grande do Sul, sentindo a brisa acariciar o rosto, trazendo o perfume do capim e o eco distante de um acordeão. É a dança dos ventos, que move não só as folhas, mas a alma gaúcha, num ritmo que pulsa em cada coração que chama esta terra de lar.
Na pampa, o vento não é apenas ar em movimento. Ele carrega histórias, sussurra os versos dos payadores, leva as vozes dos que cantam nos galpões. É ele quem acompanha o galope do cavalo, o balançar do laço no rodeio, o passo firme do gaúcho que cruza a campanha. Paro junto a um potreiro, onde o capim ondula como ondas de um mar verde, e penso no quanto essa dança molda quem somos.
O gaúcho aprende com o vento: a ser livre, mas constante; a ser forte, mas gentil, nos bailes, a dança ganha vida. O som da vaneira, do bugio, do chamamé faz o chão tremer sob as botas. Homens e mulheres, de lenço e bombacha, giram em harmonia, como se o próprio vento os guiasse. Cada passo é uma celebração, um tributo à terra que nos criou. Vejo isso nos olhos brilhantes de uma prenda, no sorriso de um peão, na energia que toma conta do salão.
É a alma gaúcha que dança, livre e orgulhosa, ao ritmo da tradição. Mas a dança dos ventos também se manifesta nas lidas do campo. No peão que enfrenta o frio da madrugada para apartar o gado, no tropeiro que segue a trilha sob a chuva, na mulher que planta e colhe com a mesma graça com que dança o fandango. Cada movimento é parte de um compasso maior, de uma coreografia escrita pela pampa e seus elementos.
Até o latido dos guaipecas, correndo ao redor da estância, parece seguir esse ritmo ancestral. Na cidade, a dança não para. Os centros de tradições gaúchas ensinam aos jovens os passos do baile, mas também o compasso da vida: o respeito pelos mais velhos, a valorização da amizade, o orgulho de carregar a bandeira tricolor. Mesmo nas ruas de concreto, onde o vento sopra entre os prédios.
A alma gaúcha encontra seu espaço, seja num verso declamado, numa roda de chimarrão, num desfile da Semana Farroupilha que faz o asfalto pulsar com o mesmo ritmo dos campos. E há os desafios, como sempre. Como manter essa dança viva quando o mundo tenta impor outros ritmos? Como ensinar às novas gerações que o vento da pampa não é só um sopro, mas uma força que nos une?
A resposta está no exemplo: na roda de mate que acolhe, na música que não se cala, na dança que não cessa. Cada passo que damos, cada história que contamos, é um jeito de manter o vento soprando, de manter a pampa viva. O céu agora se tinge de roxo, e o vento ganha força, como se quisesse me apressar.
Mas eu sigo no meu ritmo, acompanhando a dança dos ventos. Com cada passo, sinto a terra sob meus pés, o pulsar da querência no peito. Que a dança continue, que o vento nunca pare, que a alma gaúcha siga girando, livre e eterna, sob o céu estrelado do Rio Grande.
Capítulo 46: O Silêncio das Estrelas
A noite cai sobre a pampa, e o céu do Rio Grande do Sul se transforma num manto negro cravejado de estrelas. Caminho sozinho por uma trilha entre as coxilhas, onde o único som é o leve roçar do capim sob minhas botas e o canto esporádico de um grilo. O vento, agora mais calmo, parece respeitar o silêncio das estrelas, que brilham como sentinelas de um tempo que não se apressa. É nesse silêncio que a alma gaúcha encontra repouso, reflexão, um momento para ouvir o que a terra e o coração têm a dizer.
Na vastidão da campanha, a noite é mais que escuridão; é um convite à introspecção. Sento-me sobre uma pedra, com o poncho sobre os ombros, e deixo o olhar se perder no firmamento. Cada estrela parece carregar uma história: dos tropeiros que guiavam o gado sob esse mesmo céu, dos revolucionários que tramavam à luz de fogueiras, dos amantes que trocavam juras sob o brilho celeste.
O gaúcho, tão acostumado ao movimento, aprende no silêncio a força da pausa, a sabedoria de ouvir. Esse silêncio não é vazio. Ele é preenchido pelo crepitar distante de um fogo na estância, pelo relincho suave de um cavalo no potreiro, pelo murmúrio do mate que esfria na cuia. É no galpão, sob a luz trêmula de um candeeiro, que as vozes se calam para dar lugar às memórias.
Os velhos contam menos, mas seus olhos dizem mais, e os jovens, em respeitoso silêncio, absorvem a herança que não se escreve em livros, mas se grava na alma. Na cidade, o silêncio das estrelas é mais raro, abafado pelas luzes e pelo rumor das ruas. Mas ele existe, escondido nos quintais onde alguém toma um chimarrão sob o céu, nos parques onde casais caminham de mãos dadas, nos momentos em que, no concreto, o gaúcho sente a pampa pulsar em seu peito.
A Semana Farroupilha traz esses instantes, quando o barulho das festas cede espaço a uma marcha silenciosa, a um hino cantado baixo, a um olhar que encontra o horizonte. E há a música, sempre presente, mas agora mais suave. As canções de Noel Guarany ou de César Passarinho, tocadas num violão solitário, parecem dialogar com as estrelas. Elas falam de saudades, de lutas, de uma querência que nunca se abandona.
Cada acorde é um fio que liga o gaúcho à sua terra, um lembrete de que, mesmo no silêncio, a pampa fala. Mas o silêncio também questiona. Como preservar essa quietude em um mundo que grita? Como ensinar aos novos que o brilho das estrelas vale mais que o das telas? A resposta está na simplicidade: no mate tomado sem pressa, na história contada sem alarde, no respeito pelo tempo que a terra nos dá.
O gaúcho sabe que o silêncio não é fraqueza, mas força; não é ausência, mas presença. Levanto-me da pedra, com o céu ainda reluzindo acima. O frio da noite me abraça, mas o coração está quente, aquecido pela certeza de que o silêncio das estrelas é eterno.
Ele guarda os segredos da pampa, as verdades da alma gaúcha. Sigo meu caminho, guiado por esse brilho, sabendo que, enquanto houver estrelas no céu do Rio Grande, haverá um lugar para sonhar, para lembrar, para ser.
Capítulo 47: O Chamado do Horizonte
O amanhecer desponta suave sobre as coxilhas, tingindo o céu do Rio Grande do Sul com pinceladas de rosa e dourado. Caminho por um potreiro, onde o capim ainda guarda o orvalho da noite, e o horizonte, vasto e infinito, parece me chamar com uma voz que não ouço, mas sinto. É o chamado da pampa, um convite que ressoa na alma gaúcha, puxando-nos para além do que os olhos enxergam, para um lugar onde a terra e o coração se encontram.
O horizonte, aqui, não é apenas uma linha que separa o céu do chão. É uma promessa, um desafio, um espelho dos sonhos que carregamos. O gaúcho, com seu olhar firme e seu passo decidido, sempre seguiu esse chamado. Vejo isso no tropeiro que cruza a campanha, guiado por uma estrela ou pela intuição, levando o gado por caminhos que seus avós trilharam. Vejo isso no peão que, no lombo do cavalo, sente o vento e sabe que está vivo, que está em casa.
Sento-me à sombra de um timbó, com o mate na mão, e penso nas histórias que o horizonte guarda. São causos de coragem, de homens e mulheres que enfrentaram temporais, que construíram estâncias com pouco mais que vontade, que transformaram a solidão da pampa em poesia. Cada galpão, cada rancho, cada cerca cravada na terra é um testemunho desse chamado, uma resposta ao convite de viver com a intensidade que só a campanha ensina.
Na música, o horizonte também canta. As vozes de José Cláudio Machado, de Elton Saldanha, ecoam como um hino à liberdade, à saudade, à força de quem nunca desiste. No som da gaita, no toque do violão, o gaúcho encontra o ritmo que o leva adiante, que o faz sonhar mesmo quando o caminho é duro. É como se cada canção fosse um passo em direção a esse horizonte, um jeito de tocar o que parece inalcançável.
Na cidade, o chamado ainda ressoa. Nos prédios altos, nos cafés onde se toma chimarrão, nos olhos de um guri que veste o lenço pela primeira vez, o horizonte da pampa está presente. A Semana Farroupilha, com suas fogueiras e desfiles, é uma celebração desse chamado, um momento em que todos, do campo à cidade, se unem para responder: estamos aqui, somos gaúchos, seguimos a trilha da nossa querência.
Mas o horizonte também nos provoca. Como seguir seu chamado em um mundo que tenta nos prender a rotinas? Como ensinar aos novos que o horizonte não é só um destino, mas uma maneira de viver? A resposta está na simplicidade: no mate que compartilhamos, na história que contamos, no orgulho que carregamos. O gaúcho não precisa correr para o horizonte; ele já o carrega dentro de si, em cada gesto, em cada verso, em cada olhar que busca o céu.
O sol agora sobe, aquecendo a terra, e o horizonte parece mais próximo, como se pudesse tocá-lo. Levanto-me, ajeito o chapéu, e sigo caminhando. O chamado da pampa não para, e eu, como todo gaúcho, sigo seu rumo, com a certeza de que, enquanto houver horizonte, haverá um caminho para a alma gaúcha. Que nossas façanhas, como diz o hino, continuem a brilhar, guiadas por essa linha infinita que nos chama a ser mais, a ser Rio Grande.
Capítulo 48: A Chama do Galpão
O crepúsculo abraça a pampa, e o aroma de lenha queimando guia meus passos até um galpão no coração do Rio Grande do Sul. A porta de madeira range ao se abrir, revelando o brilho quente de uma fogueira que dança no centro, lançando sombras tremulantes nas paredes de taipa. É a chama do galpão, o coração pulsante da alma gaúcha, onde o tempo parece parar e as histórias ganham vida, aquecidas pelo fogo e pela roda de mate.
No galpão, o gaúcho se encontra. Sento-me num banco tosco, ao lado de peões de botas empoeiradas e prendas de vestidos floridos, todos unidos pelo calor da fogueira. O mate passa de mão em mão, e com ele vêm os causos: de um cavalo xucro domado na raça, de uma invernada que desafiou o frio, de um amor nascido entre as coxilhas. Cada palavra é uma brasa, mantendo viva a chama da tradição que nos define.
Aqui, o passado não é apenas lembrado; ele respira. Os mais velhos, com rugas que contam mais que livros, falam dos tempos de seus avós, das revoluções que mancharam a terra de vermelho, das tropeadas que cruzavam a campanha sob o olhar das estrelas. Os jovens ouvem, com olhos brilhando, aprendendo que ser gaúcho é carregar essa chama, é honrar o que veio antes enquanto se constrói o que virá.
A música, como sempre, é o sangue que corre nesse coração. Um acordeão geme, um violão responde, e logo a voz rouca de um cantor entoa versos de Gildo de Freitas ou de Os Monarcas. As canções falam da pampa, do orgulho de ser livre, da saudade que aperta o peito. Alguns se levantam para dançar uma vaneira, e o chão de terra batida vibra com o peso das botas, como se o próprio galpão cantasse junto.
Na cidade, a chama do galpão também arde. Nos centros de tradições gaúchas, nos eventos que celebram a Semana Farroupilha, nos encontros onde o chimarrão circula e as histórias fluem, o espírito do galpão se mantém vivo. Até nas casas simples, onde uma família se reúne para assar uma carne e contar causos, a mesma chama aquece, lembrando que a pampa não é só um lugar, mas um sentimento.
Mas a chama também nos desafia. Como mantê-la acesa em um mundo que corre contra o tempo? Como mostrar aos guris que o calor do galpão vale mais que o brilho frio das telas? A resposta está na partilha: no mate que oferecemos, na história que contamos, na dança que ensinamos. Cada gesto é uma faísca, cada memória é lenha que alimenta o fogo da nossa querência.
O fogo no galpão crepita, lançando fagulhas que sobem ao céu. Levanto-me, sentindo o calor na pele e no coração. Lá fora, a noite é fria, mas carrego comigo a chama do galpão, a força da alma gaúcha que nunca se apaga. Sigo meu caminho, sabendo que, enquanto houver um galpão, haverá um lugar para reunir, para contar, para ser. Que essa chama, como nossas façanhas, continue a iluminar o Rio Grande, aquecendo gerações sob o céu da pampa.
Capítulo 49: O Laço do Tempo
A luz da manhã corta as coxilhas, desenhando sombras longas sobre a pampa do Rio Grande do Sul. Caminho por uma trilha antiga, onde o capim guarda as marcas de cascos e botas de outros tempos. O vento sopra suave, trazendo o cheiro da terra e um sussurro que parece vir de longe, como se o passado tentasse me alcançar. É o laço do tempo, que amarra a alma gaúcha às suas raízes, unindo o que fomos ao que somos, num nó que nunca se desfaz.
Na pampa, o tempo não corre como nas cidades. Ele galopa, às vezes lento, às vezes em disparada, mas sempre deixando rastros. Paro junto a uma cerca de pedra, construída por mãos que já não estão aqui, e penso nos que vieram antes: os charruas que conheciam cada curva do horizonte, os jesuítas que ergueram missões, os tropeiros que abriram caminhos. Cada um deles deixou um fio no laço que hoje seguramos, uma história que nos prende à querência.
Vejo esse laço nas lidas do campo. No peão que, com um giro preciso, laça o novilho, há o eco de gerações que aprenderam a dominar o ofício. Na mulher que tece uma trança de couro, cada volta de suas mãos é um diálogo com o passado. Até o chimarrão, passado em silêncio na roda, carrega o tempo: o sabor amargo é o mesmo que nossos avós provaram, o mesmo que os guris de amanhã conhecerão.
A música também amarra o tempo. As canções de Teixeirinha, de Cenair Maicá, ressoam nos galpões como se fossem novas, mas trazem em seus versos a saudade de um Rio Grande que vive na memória. Quando um gaiteiro puxa uma vaneira, o som atravessa décadas, fazendo dançar tanto o velho de barba branca quanto o guri de lenço novo. É o laço do tempo que os une, que faz o passado pulsar no presente.
Na cidade, o laço se aperta de outras formas. Nos museus que guardam relíquias da Revolução Farroupilha, nas escolas onde se ensina o hino rio-grandense, nas praças onde a bandeira tricolor tremula, o tempo se faz presente. A Semana Farroupilha é o momento em que esse laço brilha, quando o gaúcho, seja do campo ou da cidade, se lembra de que sua história é uma só, tecida com os fios da coragem, da lealdade, da liberdade.
Mas o tempo também nos testa. Como manter esse laço firme num mundo que esquece tão rápido? Como mostrar aos novos que o passado não é peso, mas força? A resposta está na transmissão: na história contada ao pé do fogo, no ofício ensinado com paciência, no orgulho de carregar a pampa no peito. Cada gesto é um nó que reforça o laço, cada memória é um fio que o torna mais forte.
O sol sobe mais alto, e o vento ganha força, como se quisesse apressar o dia. Ajeito o chapéu e sigo a trilha, sentindo o laço do tempo em minhas mãos. Ele é leve, mas resistente, feito da mesma fibra da alma gaúcha. Enquanto houver pampa, enquanto houver quem conte um causo ou cante um verso, esse laço não se romperá. Que ele nos guie, como as façanhas dos nossos, iluminando o caminho do Rio Grande para sempre.
Capítulo 50: O Reflexo do Arroio
O meio-dia brilha forte sobre a pampa, e o sol faz o arroio reluzir como um espelho de prata cortando as coxilhas do Rio Grande do Sul. Paro à sua margem, onde o capim se curva para tocar a água, e vejo meu reflexo tremular na superfície. Não é apenas meu rosto que o arroio mostra, mas a imagem da alma gaúcha, forjada pela terra, pelo tempo e pela gente que faz desta querência um lar. É o reflexo do arroio, que guarda em suas águas a essência de quem somos.
Ajoelho-me para molhar as mãos, sentindo o frio da correnteza que desce das nascentes. Cada gota carrega um pedaço da pampa: o barro das chuvas, o pó das tropeadas, o suor de quem lavra a terra. O gaúcho, como este arroio, é feito de muitos cursos, de muitas histórias que se encontram num só fluxo. Penso nos meus antepassados, nos homens de lança em punho, nas mulheres que fiavam lã sob a luz do candeeiro.
Todos eles estão aqui, refletidos na água, vivos na memória, o arroio é testemunha das lidas. Perto dali, um peão lava o rosto após apartar o gado, enquanto, mais adiante, uma criança joga pedras, rindo quando as ondas quebram seu reflexo. Esses momentos, tão simples, são o que nos une à terra. No campo, o gaúcho aprende com o arroio: a ser fluido, mas persistente; a contornar obstáculos, mas nunca parar.
Cada curva do riacho é uma lição, cada pedra que ele erode é um lembrete de que o tempo molda, mas não apaga. Na música, o reflexo também se faz presente. As canções de Leopoldo Rassier, de Mano Lima, falam de rios e sangas, de águas que correm como a saudade no peito do campeiro. Quando a gaita toca um rancheira, é como se o próprio arroio cantasse, levando seus versos até os galpões, onde a roda de mate gira e olhares se cruzam, cheios de entendimento.
A alma gaúcha se vê nessas melodias, como num espelho que não mente. Na cidade, o reflexo do arroio aparece de outras formas. Nos parques onde famílias se reúnem, nas praças onde o chimarrão é compartilhado, na Semana Farroupilha, quando a multidão canta o hino com o peito estufado. Até nas torcidas da dupla Grenal, com sua paixão que corre como um rio, há um pedaço dessa água que reflete quem somos.
O gaúcho da cidade, mesmo longe do campo, carrega o arroio no coração, na memória de uma pampa que nunca se esquece. Mas o reflexo também nos questiona. Como manter clara essa imagem num mundo que turva as águas com pressa e distração? Como mostrar aos guris que o arroio não é só água, mas um espelho da nossa história? A resposta está na partilha: no mate que oferecemos, na história que contamos, no respeito que ensinamos.
Cada gesto é uma gota que mantém o arroio vivo, cada memória é uma onda que o faz correr. O sol começa a baixar, e o reflexo no arroio ganha tons de ouro. Levanto-me, com a água ainda pingando das mãos, e sigo meu caminho. O arroio fica para trás, mas seu reflexo permanece em mim.
E na certeza de que a alma gaúcha é como essa água: clara, forte, eterna. Enquanto houver um arroio correndo na pampa, haverá um espelho para nos lembrar quem somos, guiando-nos como a luz que dança na superfície do Rio Grande nas pradarias, na serra e a beira mar.
Capítulo 51: O Espelho da Pampa
Ó quão forte brilha o meio-dia sobre a pampa! O sol, em seu zênite, faz o arroio reluzir, qual espelho de prata que corta as coxilhas do Rio Grande do Sul. Paro à sua margem, onde o capim, humilde, se curva para com a água se encontrar, e contemplo meu reflexo, que tremula na superfície cristalina. Não é apenas meu rosto que o arroio me revela, mas a imagem da alma gaúcha, forjada pela terra, pelo tempo e pela gente que faz desta querência um lar. Ó arroio, testemunha fiel, guardas em tuas águas a essência do que somos!
Ajoelho-me, e com as mãos toco a correnteza fria, vinda das nascentes puras. Cada gota que me escorre entre os dedos carrega um pedaço da pampa: o barro das chuvas copiosas, o pó das tropeadas antigas, o suor de quem, com denodo, lavra a terra. O gaúcho, como este arroio, é feito de muitos cursos, de muitas histórias que, em sua confluência, formam um só fluxo. Penso nos meus antepassados, nos homens de lança em punho, nas mulheres que, sob a luz tremulante do candeeiro, fiavam a lã com paciência.
Todos eles, ó arroio, estão aqui, refletidos em ti, vivos na memória que guardas com zeloso silêncio, perto dali, um peão, suado após apartar o gado, lava o rosto em tuas águas, enquanto, mais adiante, uma criança, com riso puro, joga pedras, deleitando-se ao ver as ondas quebrarem seu reflexo. Estes momentos, tão simples, são os que nos unem à terra. No campo, o gaúcho aprende contigo, ó arroio: a ser fluido, mas persistente; a contornar os obstáculos, mas nunca parar. Cada curva de teu leito é uma lição; cada pedra que erodes, um lembrete de que o tempo molda, mas não apaga.
Na música, também se faz presente teu reflexo. As canções de Leopoldo Rassier e de Mano Lima falam de rios e sangas, de águas que correm como a saudade no peito do campeiro. Quando a gaita entoa uma rancheira, é como se tu, ó arroio, cantasses, levando teus versos até os galpões, onde a roda de mate gira e os olhares se cruzam, cheios de mudo entendimento. A alma gaúcha se vê nessas melodias, como num espelho que não mente.
Na cidade, teu reflexo toma outras formas. Nos parques, onde famílias se reúnem; nas praças, onde o chimarrão é partilhado; na Semana Farroupilha, quando a multidão, com o peito estufado, canta o hino rio-grandense. Até nas torcidas da dupla Grenal, com sua paixão que corre como um rio, há um pedaço de tua água, ó arroio, que reflete quem somos, o gaúcho da urbe, mesmo longe do campo, carrega-te no coração, na memória a pampa que jamais se esquece.
Contudo, teu reflexo também nos interroga. Como manter clara essa imagem num mundo que turva as águas com pressa e distração? Como mostrar aos guris que tu, ó arroio, não és apenas água, mas um espelho de nossa história? A resposta, creio, está na partilha: no mate que oferecemos, na história que contamos, no respeito que ensinamos. Cada gesto é uma gota que te mantém vivo; cada memória, uma onda que te faz correr.
O sol começa a baixar, e teu reflexo, ó arroio, ganha tons de ouro. Levanto-me, com a água ainda a pingar de minhas mãos, e sigo meu caminho. Tu ficas para trás, mas teu reflexo permanece comigo. E na certeza de que a alma gaúcha é como tuas águas: clara, forte, eterna. Enquanto houver um arroio correndo na pampa, haverá um espelho para nos lembrar quem somos, guiando-nos como a luz que dança na superfície, das pradarias à serra, até a beira-mar.
Capítulo 52: O Vento da Querência
Quando o sol se põe nas coxilhas do Rio Grande do Sul, o vento sopra leve, como se quisesse contar-me os segredos da pampa. Paro no alto de uma colina, onde o capim dança sob a carícia da brisa, e sinto-o roçar-me o rosto, trazendo consigo o cheiro da terra molhada e o eco das histórias antigas. Este vento, ó quão livre, é o sopro da querência, que corre sem amarras, mas sempre retorna ao coração do gaúcho. Ele não apenas passa por mim, mas atravessa-me, como se quisesse lembrar-me de que sou parte desta terra.
Olho ao redor, e vejo as coxilhas ondularem sob o toque do vento, como ondas de um mar verde que nunca descansa. Ele sussurra nos galhos dos umbuzeiros, faz tremular as folhas do plátano e carrega o canto distante de um quero-quero, que guarda com ciúmes seu ninho. Este vento, que acaricia a pampa, já soprou nas façanhas dos meus avós, nas revoluções de outrora, nas noites em que, junto ao fogo, contavam-se causos de bravura e saudade. Ele é testemunha, como o arroio, de tudo o que somos.
Abaixo-me para tocar o chão, e sinto, sob os dedos, a terra que o vento moldou com paciência de séculos. Cada grão carrega as marcas de quem por aqui passou: o casco dos cavalos dos tropeiros, as botas dos peões, os pés descalços dos guris que correm livres. O gaúcho, como este vento, é inquieto, mas fiel; vai longe, mas sempre retorna à querência. Penso em ti, ó pampa, que me ensinaste a ser forte como o pampeiro, mas gentil como a brisa que acalma o entardecer.
Perto dali, um cavaleiro galopa, com o chapéu firme contra o vento, enquanto uma tropa de gado segue seu rumo, guiada pelo assovio do peão. Mais além, uma mãe chama os filhos para o rancho, e o vento leva sua voz, misturando-a ao som das cordas de um violão que entoa uma milonga. Estes instantes, tão singelos, são o que nos faz gaúchos. O vento, ó quão sábio, não distingue o rico do pobre, o campeiro do citadino; a todos abraça, a todos conduz.
Na música, o vento também se faz ouvir. As canções de Teixeirinha, de Gildo de Freitas, falam de ventos que sopram saudades, de brisas que trazem lembranças de um amor perdido ou de um pago distante. Quando a gaita geme uma vaneira, é como se o próprio vento cantasse, dançando com os casais nos galpões, onde o mate aquece as mãos e os corações se encontram. A alma gaúcha respira nestas melodias, livre como a ventania que cruza a campanha.
Na cidade, o vento toma outros caminhos. Sopra entre os prédios, nas avenidas onde o povo apressado caminha, nas praças onde os velhos contam histórias aos netos. Na Semana Crioula, quando as bandeiras tremulam e o hino ressoa, é o vento que as faz dançar, como se quisesse unir a todos nós sob o mesmo céu. Até nas arquibancadas, onde a torcida grita com fervor, há um sopro da pampa, que inflama o peito e nos faz sentir vivos.
Mas o vento também nos desafia. Como ensinar aos jovens que ele não é apenas ar, mas o alento da nossa história? Como mostrar-lhes que, ao soprar, carrega a força de quem lutou por esta terra? A resposta está na memória que partilhamos: no causo que contamos, na tradição que ensinamos, no orgulho que transmitimos. Cada palavra é um sopro que mantém o vento vivo; cada gesto, uma rajada que o faz seguir.
O céu escurece, e o vento ganha força, como se quisesse apressar a noite. Levanto-me, com o rosto ainda fresco de sua carícia, e sigo meu caminho. O vento fica correndo pela pampa, mas seu sopro permanece comigo. E na certeza de que a alma gaúcha é como este vento: livre, forte, eterna. Enquanto houver uma brisa cruzando as coxilhas, haverá um alento para nos guiar, do coração da pampa às serras e ao mar.
Capítulo 53: A Sombra do Pago
Quando a aurora desponta sobre a pampa, a sombra do pago estende-se longa e serena, como um manto que abraça a terra ainda úmida do orvalho. Paro sob um umbuzeiro, cuja folhagem murmura ao leve sopro do amanhecer, e contemplo a vastidão que se abre diante de mim. A sombra, que se projeta sobre o capim, não é apenas a silhueta da árvore ou do homem, mas a marca da querência, que guarda em seu contorno a memória de quem somos.
A pampa, tuas sombras falam tanto quanto teus ventos e arroios, sentado à raiz do umbuzeiro, deixo que o silêncio do campo me envolva. A sombra fresca protege-me do sol nascente, e nela vejo o reflexo de dias idos: os galopes dos meus antepassados, as rodas dos carretões rangendo sob o peso da história, as fogueiras que iluminavam as noites de causos e risadas. Cada sombra projetada na terra é um testemunho, um traço indelével que o tempo não apaga.
O pago, tu és mais que um lugar; és o lar que vive em nós, levanto os olhos e vejo, ao longe, um peão conduzindo o gado, sua sombra alongada movendo-se com ele, como um companheiro fiel. Mais adiante, uma gurizinha corre, e sua sombra dança, leve e alegre, sobre o chão. Estas sombras, tão simples, são a alma da pampa: não pesam, mas marcam; não falam, mas contam.
O gaúcho, como a sombra do pago, está preso à terra, mas livre para se mover com o sol, seguindo o ritmo das lidas e dos sonhos, penso nas lições que a sombra me ensina. Ela é humilde, nunca se vangloria, mas está sempre presente; muda com o tempo, mas nunca abandona seu dono. Assim é o gaúcho: moldado pelas lidas, mas firme em sua essência. Ó pampa, tu me mostraste que a sombra do pago é feita de trabalho, de luta, de amor pela terra que nos sustenta.
Cada sulco no campo, cada cerca erguida, cada mate compartilhado deixa sua marca, como uma sombra que o sol não desfaz, na música, a sombra também se faz sentir. As vozes de Luiz Marenco e de Jari Terres cantam os pagos, os ranchos, as sombras dos cinamomos onde o gaúcho descansa. Quando o violão dedilha uma chimarrita, é como se a própria sombra do pago ganhasse vida, dançando ao compasso da tradição.
Nos galpões, onde a luz do candeeiro projeta sombras tremulantes nas paredes, os olhares se cruzam, e o coração entende o que a voz não diz, na cidade, a sombra do pago toma outras formas. Está nos parques onde os guris jogam bola, nas esquinas onde o mate é cevado, nos desfiles da Semana Farroupilha, quando as pilchas brilham e as bandeiras tremulam, sté nas ruas agitadas, onde o gaúcho da urbe corre contra o tempo.
Onde há uma sombra que o acompanha, lembrando-lhe o pago que nunca deixou de ser seu. Ó sombra, tu és o fio que nos liga à querência, mesmo tão longe das coxilhas! Mas a sombra também nos provoca. Como ensinar aos jovens que ela não é apenas um contorno escuro, mas a marca de nossa história? Como mostrar-lhes que o pago vive em cada gesto, em cada palavra que honramos!
A resposta está na vivência: no causo que contamos aos filhos, na pilcha que vestimos com orgulho, na chama que mantemos acesa. Cada história partilhada é uma sombra que se alonga; cada tradição preservada, uma marca que não se apaga. O sol sobe mais alto, e a sombra do umbuzeiro encurta-se, como se quisesse abraçar a terra com mais força.
Levanto-me, com o coração cheio da pampa, e sigo meu caminho. A sombra do pago acompanha-me, projetada em meu passo. E na certeza de que a alma gaúcha é como esta sombra: silenciosa, fiel, eterna. Enquanto houver um pago sob o céu do Rio Grande, haverá uma sombra para nos guiar, das coxilhas às serras, até o rumor do mar.
Capítulo 54: O Fogo do Galpão
Quando a noite cai sobre a pampa, e as estrelas despontam no céu do Rio Grande do Sul, a chama do galpão tremeluz, chamando-me com seu brilho quente e acolhedor. Caminho até o rancho, onde a luz da fogueira dança nas paredes de taipa, e sento-me entre os meus, com o mate a aquecer-me as mãos. Ó chama, tu não és apenas fogo; és o coração da querência, que pulsa na roda dos gaúchos, unindo-nos em torno da memória e da tradição!
O crepitar da lenha enche o ar, misturando-se ao som de uma gaita que entoa uma vaneira antiga. A chama ilumina os rostos ao meu redor: o velho campeiro, cujas rugas contam façanhas de outros tempos; a prenda, cujo sorriso reflete a força da mulher gaúcha; o guri, que ouve com olhos brilhantes os causos do avô. Cada fagulha que sobe ao céu carrega um pedaço de nossas histórias, como se quisesse contá-las às estrelas.
Galpão, tu és o templo onde a alma gaúcha se encontra, penso nos meus antepassados, que sob estas mesmas chamas se reuniam, partilhando o pão, o mate e a esperança. Eles enfrentaram ventanias, secas e batalhas, mas nunca deixaram o fogo apagar. A chama do galpão é como o gaúcho: resiliente, viva, capaz de se reacender mesmo após as cinzas. pampa, tu me ensinaste que fogo não aquece apenas o corpo, mas a alma, mantendo a chama da nossa identidade!
Perto dali, um peão afina o violão, enquanto outro corta o fumo para o palheiro. Mais além, uma roda de truco anima-se, com risadas e bravatas que ecoam na noite. Estes momentos, tão genuínos, são o que nos faz irmãos da campanha. A chama do galpão não julga; acolhe a todos, do tropeiro ao estancieiro, do jovem ao ancião. Ela é o laço que nos prende à terra, o calor que nos faz lembrar quem somos.
Na música, a chama brilha com força. As vozes de César Passarinho e de Porca Véia cantam os galpões, as noites de fandango, o fogo que nunca se apaga no peito do gaúcho. Quando a sanfona puxa um xote, é como se a própria chama dançasse, guiando os pares que rodopiam no terreiro. Nos galpões, onde o mate circula e as histórias se entrelaçam, a chama é mais que luz; é o espelho onde a alma gaúcha se reconhece.
Na cidade, a chama do galpão toma outros contornos. Está nos CTGs, onde a tradição é cultivada com orgulho; nas cozinhas, onde o chimarrão reúne a família; nos palcos da Semana Farroupilha, onde o fogo das danças ilumina a multidão. Até nos bares, onde amigos brindam com um trago, há um brilho da pampa, que aquece o coração mesmo entre o concreto. Ó chama, tu és a centelha que o gaúcho carrega, esteja ele no campo ou na urbe!
Mas a chama também nos interpela. Como manter seu brilho num mundo que corre apressado, esquecendo o valor do galpão? Como mostrar aos guris que este fogo é mais que lenha ardendo, é a herança de nossa gente? A resposta está no exemplo: na roda que formamos, no verso que cantamos, na história que passamos adiante. Cada causo contado é uma fagulha que voa; cada tradição honrada, uma chama que não se extingue.
A noite avança, e a chama do galpão ainda arde, firme e serena. Levanto-me, com o calor do fogo ainda em mim, e sigo para a noite. O galpão fica, mas sua chama acompanha-me. E na certeza de que a alma gaúcha é como este fogo: ardente, viva, eterna. Enquanto houver um galpão na pampa, haverá uma chama para nos reunir, das coxilhas às serras, até o rumor das ondas do mar.
Capítulo 55: O Vento Minuano
Quando o Minuano corta a pampa com seu sopro gélido, sinto-o como se viesse do próprio ventre da terra, trazendo a força bruta do Rio Grande do Sul. Paro no descampado, onde o capim se dobra sob sua rajada, e fecho os olhos, deixando que o vento me envolva. Ó Minuano, tu não és apenas um vento; és o alento da querência, nascido nas entranhas da pampa, que carrega em seu rugido a alma indomável do gaúcho!
O frio corta-me o rosto, mas aquece-me o peito, pois sei que este vento é mais que ar em movimento. Ele nasce no ventre do Minuano, lá onde as coxilhas se encontram com o céu, onde a terra murmura suas histórias antigas. É o sopro que moldou os homens e mulheres desta terra, que endureceu suas mãos nas lidas e suavizou seus corações nas saudades. Penso nos meus antepassados, que enfrentaram teu ímpeto,
O Minuano, com o poncho ao ombro e a coragem no olhar ao redor, e vejo a pampa tremendo sob teu comando. As árvores curvam-se, como em reverência, e o canto do quero-quero é levado longe, misturando-se ao teu assovio. Este vento, que varre as campinas, já soprou nas guerras farroupilhas, nas tropeadas que cruzavam o pago, nas noites em que o gaúcho, sob o céu estrelado, sonhava com a liberdade.
Minuano, tu és o guardião das nossas façanhas, o mensageiro que leva nossas vozes às lonjuras! Abaixo-me para tocar a terra, e sinto, sob os dedos, o pulsar da pampa, como se o próprio ventre do Minuano batesse em uníssono com meu coração. Cada rajada carrega as marcas de quem aqui viveu: o trote dos cavalos, o grito dos lanceiros, o sussurro das mães que ninavam seus filhos ao abrigo do rancho.
O gaúcho, como este vento, é filho da pampa: forte como suas rajadas, mas leve como o sopro que acaricia a tarde, perto dali, um peão aperta o lenço contra o frio, enquanto guia o gado pelas coxilhas. Mais além, uma gurizinha corre, rindo, como se desafiasse o Minuano a alcançá-la. Estes instantes, tão puros, são o que nos une a ti, ó vento. Tu não escolhes entre o velho e o jovem, o rico e o pobre; a todos envolves, a todos inspiras.
Na pampa, o gaúcho aprende contigo: a ser firme contra as adversidades, mas flexível para seguir o rumo que a vida traça, na música, o ventre do Minuano também ressoa. As canções de José Cláudio Machado e de Elton Saldanha falam de ventos que cortam a campanha, de rajadas que trazem saudades e promessas. Quando a gaita puxa uma milonga, é como o Minuano canta, rugindo nos galpões onde o mate aquece as mãos, os olhos brilham com histórias partilhadas.
A alma gaúcha vive nestes acordes, selvagem e livre como o vento que tu és, na cidade, o Minuano sopra com outro rosto. Entra pelas frestas das janelas, agita as bandeiras nos CTGs, refresca as praças onde o povo se reúne para o chimarrão. Na Semana Farroupilha, quando a multidão canta com fervor, é teu sopro, Minuano, que dá força aos versos do hino, até nas ruas, onde o gaúcho da urbe enfrenta o dia a dia.
Há um eco de tua rajada, lembrando-lhe o ventre da pampa que nunca deixou de pulsar em seu sangue, mas tu, ó Minuano, também nos questionas. Como ensinar aos guris que teu sopro não é apenas frio, mas a respiração de nossa história? Como mostrar-lhes que, em teu ventre, guardas a força de quem lutou por esta terra? A resposta está na vivência: na pilcha que vestimos com orgulho, no causo que contamos com paixão, no respeito que passamos adiante.
Cada gesto é uma rajada que mantém teu sopro vivo; cada memória, um vento que não cessa, a noite começa a cair, e o Minuano ganha força, como se quisesse abraçar a pampa inteira. Levanto-me, com o frio ainda a morder-me a pele, e sigo meu caminho.
Tu, vento minuano, contínuas a soprar, mas teu alento permanece comigo. E na certeza de que a alma gaúcha é como o Minuano: indomável, livre, eterna. Enquanto houver um vento nascendo no ventre da pampa, haverá um sopro para nos guiar, das coxilhas às serras, até o rumor do mar.
Capítulo 56: O Canto da Coxilha
Quando o sol alcança o meio do céu e a pampa se aquieta sob seu calor, o canto da coxilha eleva-se, sutil como um sussurro, mas firme como a terra sob meus pés. Paro no alto de uma encosta, onde o vento acaricia o capim e o horizonte se perde na vastidão do Rio Grande do Sul. Ó coxilha, teu canto não é apenas som; é a voz da querência, que ressoa no coração do gaúcho, chamando-me para ouvir a história que a pampa guarda em teu seio!
O silêncio do campo é quebrado pelo trinar de um quero-quero, pelo mugir distante do gado, pelo galope de um cavalo que cruza a planície. Cada som é uma nota do canto da coxilha, tecido com os fios da vida que aqui pulsa. Sento-me sobre a terra, sentindo-a morna sob as mãos, e penso nos meus antepassados, que ouviram este mesmo canto enquanto cruzavam estas colinas, com a lança na mão ou a esperança no peito.
Pampa, teu canto é eterno, ecoando nas gerações que fizeram de ti um lar! Levanto os olhos e vejo, ao longe, um peão assoviando enquanto guia a tropa, sua melodia misturando-se ao murmúrio do vento. Mais adiante, uma prenda canta uma toada, embalando o filho nos braços, e o som de sua voz parece abraçar a coxilha inteira. Estes cantos, tão simples, são o que nos faz gaúchos.
Eles não precisam de palco ou multidão; nascem da terra, como o capim, e crescem com a força de quem vive para ela. A coxilha, que me ensinas que o canto verdadeiro do quero-quero, vem daquele que ama o pago! Penso nas lições que teu canto me oferece. Ele é livre, mas enraizado; varia com o vento, mas nunca perde sua essência. Assim é o gaúcho: canta suas alegrias e suas saudades, suas lidas e seus sonhos, sem jamais esquecer de onde vem.
Cada sulco aberto na terra, cada mate cevado ao pé de um cinamomo, cada verso entoado na roda do galpão é parte deste canto, que ressoa como um hino à nossa querência. Na música, o canto da coxilha ganha forma. As vozes de Pedro Ortaça e de Telmo de Lima Freitas entoam as lidas do campeiro, as belezas da campanha, o amor pela terra que nos criou, quando o acordeão puxa uma rancheira.
É como se a própria coxilha cantasse, vibrando nos galpões onde o fogo crepita e os olhares se encontram, cheios de entendimento. A alma gaúcha vive nestes acordes, como se cada nota fosse um eco da pampa que nunca silencia. Na cidade, o canto da coxilha toma outros tons. Está nos CTGs, onde os jovens aprendem a dançar o vaneirão; nas praças, onde o chimarrão reúne os amigos.
Semana Farroupilha, quando o hino rio-grandense ecoa nos peitos inflamados de orgulho. Até nas ruas, onde o gaúcho da urbe caminha apressado, há um eco deste canto, que sussurra em seu coração a memória do pago. Ó coxilha, teu canto atravessa o concreto e nos lembra quem somos! Mas teu canto também nos desafia. Como ensinar aos guris que ele não é apenas som, mas a voz de nossa história?
Como mostrar-lhes que, em cada nota, pulsa a força de quem viveu por esta terra? A resposta está na partilha: no verso que cantamos, na história que contamos, na tradição que preservamos. Cada canção entoada é um eco que mantém a coxilha viva; cada memória compartilhada, um canto que não se cala. O sol começa a descer, e o canto da coxilha suaviza-se, como se quisesse embalar a pampa para a noite.
Levanto-me, com a melodia ainda ressoando em mim, e sigo meu caminho. A coxilha fica, mas seu canto acompanha-me. E na certeza de que a alma gaúcha é como este canto: livre, forte, eterna. Enquanto houver uma coxilha erguendo-se na pampa, haverá uma voz para nos guiar, das campinas às serras, até o murmúrio do mar.
Capítulo 57: O Silêncio da Noite
Quando a noite se estende sobre a pampa, e o céu do Rio Grande do Sul se cobre de estrelas, o silêncio toma conta, profundo e sereno, como um convite à reflexão. Paro no meio do campo, onde o capim repousa sob o orvalho, e deixo que a quietude me envolva. Este silêncio não é vazio; é a alma da querência, que fala baixo, mas com força, murmurando as verdades que a pampa guarda em seu coração.
O ar fresco da noite acaricia-me o rosto, e o único som é o leve crepitar de um galho seco sob meus pés. Fecho os olhos e sinto a presença dos meus antepassados, que sob este mesmo céu silencioso velaram o gado, sonharam com a liberdade e contaram causos à luz das fogueiras. A noite, com seu silêncio, é um espelho onde a memória do gaúcho se reflete, clara e imutável. Penso naqueles que vieram antes de mim, cujas vozes ainda ecoam neste vazio aparente.
Olho ao redor e vejo, ao longe, o brilho fraco de um candeeiro num rancho distante, onde uma família se reúne. Mais além, o uivo solitário de um cão corta a quietude, como se quisesse lembrar à pampa que a vida pulsa mesmo na escuridão. Este silêncio, que abraça a campanha, já testemunhou as revoluções, as tropeadas, as noites em que o gaúcho, com o poncho sobre os ombros, fitava as estrelas em busca de respostas.
Ele é o guardião das nossas histórias, o manto que as preserva, abaixo-me para tocar a terra, ainda morna do sol que se foi, e sinto nela o peso das lidas passadas: os sulcos dos arados, as pegadas dos cavalos, os rastros dos guris que corriam livres. O gaúcho, como este silêncio, é profundo, mas não se impõe; guarda em si a força da pampa, mas sabe esperar o momento de falar.
Cada noite que cai sobre a querência ensina-me a ouvir, a respeitar o tempo, a encontrar na quietude a sabedoria que o dia nem sempre revela, perto dali, um peão descansa junto ao cavalo, o chapéu sobre o rosto, enquanto o silêncio o embala. Mais adiante, uma mãe canta uma canção de ninar, e sua voz suave parece fundir-se com a noite. Estes instantes, tão delicados, são o que nos faz gaúchos.
O silêncio não separa; une, como um laço que prende o coração à terra, à memória, à gente que partilha esta querência, na música, o silêncio da noite também se faz presente. As canções de Noel Guarany e de Mano Lima falam das noites escuras, dos silêncios que guardam saudades e promessas. Quando o violão dedilha uma milonga, é como se o próprio silêncio cantasse, ecoando nos galpões onde o mate circula e as histórias ganham vida.
A alma gaúcha respira nestes intervalos, onde o que não se diz fala mais alto que qualquer palavra, na cidade, o silêncio toma outros caminhos. Está nos momentos de pausa, nas praças onde o chimarrão é cevado, nos CTGs onde a tradição é honrada com respeito. Na Semana Farroupilha, quando a multidão cala para ouvir o hino, é o silêncio que dá peso aos versos, unindo os corações.
Até nas ruas, onde o gaúcho da urbe enfrenta o rumor do dia, há um instante de quietude que o reconecta ao pago. Este silêncio é o fio que nos liga à pampa, mesmo tão longe das coxilhas, mas o silêncio também nos desafia. Como ensinar aos jovens que ele não é apenas ausência de som, mas a voz da nossa história? Como mostrar-lhes que, na quietude, pulsa a força de quem viveu por esta terra?
A resposta está na partilha: no causo que contamos, na pausa que respeitamos, na memória que cultivamos. Cada história sussurrada é um eco que mantém o silêncio vivo; cada lição passada adiante, uma nota que ressoa na noite, as estrelas brilham mais forte, e o silêncio da noite parece abraçar-me com mais ternura.
Levanto-me, com a quietude ainda a pulsar em mim, e sigo meu caminho. A pampa fica, mas seu silêncio acompanha-me. E na certeza de que a alma gaúcha é como esta noite: profunda, forte, eterna. Enquanto houver uma coxilha sob o céu estrelado, haverá um silêncio para nos guiar, das campinas às serras, até o murmúrio do mar.
Capítulo 58: O Rastro da Tropilha
Quando o sol desponta nas coxilhas do Rio Grande do Sul, e a pampa desperta sob sua luz dourada, sigo o rastro da tropilha, marcado na terra como um sulco de memória. Caminho pelas campinas, onde o capim carrega as pegadas dos cavalos, e sinto a pulsação da querência sob meus pés. Este rastro não é apenas um caminho; é a trilha da alma gaúcha, que serpenteia pela história, unindo-me aos que vieram antes de mim.
O cheiro de erva pisada enche o ar, misturado ao pó que sobe da terra seca. Cada marca no chão conta uma história: o galope dos tropeiros que cruzavam a pampa, o relincho dos cavalos que carregavam sonhos e fardos, o passo firme dos homens que guiavam a tropilha com rédeas e coragem. Sento-me à sombra de um angico, com as mãos tocando o solo, e penso nos meus antepassados, que seguiram estes mesmos rastros, levando a vida da campanha adiante.
A tropilha é mais que um rebanho; é o movimento da pampa, que nunca para, levanto os olhos e vejo, ao longe, um cavaleiro guiando a tropilha, o chapéu inclinado contra o sol, sua silhueta fundindo-se com o horizonte. Mais adiante, um guri corre atrás de um potro desgarrado, rindo enquanto o laço corta o ar. Estes instantes, tão vivos, são o que nos faz gaúchos, o rastro da tropilha não é apenas marca na terra.
Ele é o caminho que trilhamos juntos, guiados pela força da querência que nos une à pampa, penso nas lições que o rastro me ensina. Ele é firme, mas sinuoso; segue em frente, mas respeita os contornos da terra. Assim é o gaúcho: determinado, mas adaptável; preso à sua origem, mas livre para buscar novos horizontes. Cada passo dado na campanha, cada cerca erguida, cada mate compartilhado ao fim da lida é parte deste rastro,
E portanto traça a história da nossa gente na vastidão da pampa, na música, o rastro da tropilha também ressoa. As canções de Os Monarcas e de Manoel Gómez falam dos tropeiros, dos cavalos, dos caminhos que cruzam as coxilhas. Quando a gaita puxa um chamamé, é como se o próprio rastro cantasse, vibrando nos galpões onde o fogo aquece a roda e as histórias ganham vida.
A alma gaúcha segue estas trilhas sonoras, como se cada nota fosse uma pegada deixada na terra, na cidade, o rastro da tropilha toma outras formas. Está nos CTGs, onde o laço é ensinado com orgulho; nas ruas, onde o gaúcho da urbe carrega no peito a memória do campo; na Semana Farroupilha, quando o galope dos cavalos ecoa nos desfiles. Até nos olhares trocados entre amigos, ao cevar o mate, um traço da tropilha e nos lembra o caminho que nos trouxe até aqui.
Neste rastro o laço que nos prende à pampa, mesmo tão longe das campinas de nosso pago, todavia o rastro também nos questiona. Como ensinar aos jovens que ele não é apenas marca no chão, mas a trilha de nossa história? Como mostrar-lhes que, em cada pegada, vive a força de quem cruzou estas coxilhas? A resposta está na vivência: no laço que ensinamos, na história que contamos, na tradição que honramos.
Cada causo partilhado é uma pegada que mantém o rastro vivo; cada lição passada adiante, um passo que não apaga, o sol sobe mais alto, e o rastro da tropilha brilha sob a luz, como se quisesse guiar-me adiante. Levanto-me, com a terra ainda grudada nas mãos, e sigo meu caminho.
A pampa fica, mas seu rastro acompanha-me. E na certeza de que a alma gaúcha é como esta trilha: firme, viva, eterna. Enquanto houver uma tropilha cruzando as coxilhas, haverá um rastro para nos guiar, das campinas às serras, até o rumor do mar.
Capítulo 59: A Luz do Candeeiro
Quando o crepúsculo cobre a pampa e o Rio Grande do Sul se entrega à penumbra, a luz do candeeiro brilha no rancho, um farol humilde que guia a alma da querência. Entro no galpão, onde a chama tremeluzente dança sobre a mesa, e sento-me com os meus, sentindo o calor da luz que aquece mais que o corpo. Esta luz não é apenas claridade; é o brilho da memória gaúcha, que ilumina as histórias e os laços que nos unem à terra.
O candeeiro, com seu pavio fumegante, lança sombras suaves nas paredes de taipa, onde se desenham as silhuetas dos que ali estão. Cada tremular da chama parece contar um causo, trazendo à tona as vozes dos meus antepassados, que sob esta mesma luz fiaram lã, cevavam mate e sonhavam com dias melhores. Penso neles, que enfrentaram noites escuras com nada além de um candeeiro e a força do coração.
A luz do candeeiro é como o gaúcho: frágil à primeira vista, mas capaz de resistir às ventanias da vida. Olho ao redor e vejo, sob o brilho dourado, um velho peão afiando o facão, seu rosto marcado pelas lidas da campanha. Mais além, uma prenda ensina o guri a trançar um laço, e o riso deles mistura-se ao crepitar da chama. Estes momentos, tão simples, são o que nos faz gaúchos.
A luz do candeeiro não escolhe a quem iluminar; acolhe a todos, do campeiro ao citadino, unindo-nos na roda da querência onde a pampa vive. Penso nas lições que esta luz me ensina. Ela é pequena, mas constante; ilumina o que é próximo, mas aponta para o que é eterno. Assim é o gaúcho: humilde em suas lidas, mas firme em sua essência; preso ao rancho, mas com o olhar no horizonte.
Cada mate cevado à luz do candeeiro, cada história contada, cada verso cantado é um raio desta luz, que mantém viva a alma da pampa. Na música, a luz do candeeiro também brilha. As canções de Gaúcho da Fronteira e de Luiz Carlos Borges falam dos ranchos, das noites iluminadas por chamas simples, onde o gaúcho encontra refúgio e verdade. Quando o violão entoa uma chimarrita, é como se a própria luz do candeeiro dançasse,
O fogo de chão aquecendo os galpões onde a roda de mate gira e os corações se encontram, à alma gaúcha resplandece nestes acordes, clara como a chama que nunca se apaga. Na cidade, a luz do candeeiro toma outros caminhos. Está nos CTGs, onde a tradição é mantida com fervor; nas casas, onde o mate reúne a família sob a luz de uma lâmpada que ainda carrega o eco do rancho.
E na Semana Farroupilha, quando as fogueiras dos acampamentos refletem o mesmo brilho do candeeiro. Até nas ruas, onde o gaúcho da urbe busca seu caminho, há um lampejo desta luz, que o reconecta à pampa que pulsa em seu peito, portanto a luz do candeeiro também nos interpela. Como ensinar aos guris que ela não é apenas claridade, mas o brilho de nossa história? Como mostrar-lhes que, em sua chama, vive a força de quem construiu esta terra!
A resposta está na partilha: na história que contamos, na pilcha que vestimos com orgulho, na chama que mantemos acesa. Cada causo narrado é um raio que ilumina o caminho; cada tradição honrada, uma luz que não extingue-se aprecia. A noite se aprofunda, e o candeeiro continua a brilhar, firme em sua simplicidade.
Levanto-me, com a luz ainda a refletir em meus olhos, e sigo meu caminho. O rancho fica, mas sua chama acompanha-me. E na certeza de que a alma gaúcha é como esta luz: humilde, forte, eterna. Enquanto houver um candeeiro ardendo na pampa, haverá um brilho para nos guiar, das coxilhas às serras, até o rumor do mar.
Capítulo 60: Memórias das Coxilhas
Quando o sol se inclina sobre as coxilhas do Rio Grande do Sul, tingindo a pampa de tons alaranjados, o laço da memória aperta-se em meu peito, unindo-me à essência da querência. Paro junto a uma cerca, onde o vento sussurra entre os fios de arame, e sinto o peso das histórias que a terra guarda. Este laço não é apenas corda trançada; é o vínculo que amarra o gaúcho ao seu passado, tecendo com firmeza os fios do que fomos e do que somos.
O capim balança ao meu redor, e o som distante de um relincho ecoa, como se os cavalos dos velhos tropeiros ainda cruzassem a campanha. Apoio-me na cerca, com as mãos calejadas tocando a madeira gasta, e penso nos meus antepassados, que com seus laços domaram potros e uniram rebanhos, mas também laçaram sonhos e saudades. A memória, como um laço bem lançado, prende o que é essencial, não deixando que o tempo leve o que nos faz gaúchos.
Levanto os olhos e vejo, ao longe, um peão girando o laço com destreza, o braço firme enquanto o couro corta o ar. Mais adiante, um guri tenta imitar o gesto, rindo quando a corda se enrosca em si mesma. Estes instantes, tão cheios de vida, são o que mantém o laço da memória apertado. Ele não prende apenas o gado; prende-nos à pampa, à gente que partilha este chão, à história que corre em nosso sangue.
Penso nas lições que o laço me ensina. Ele é forte, mas flexível; exige precisão, mas também paciência. Assim é o gaúcho: enraizado em suas tradições, mas pronto para se adaptar; firme em sua luta, mas gentil em sua partilha. Cada laço lançado na campanha, cada mate cevado ao pé de uma árvore, cada causo contado no galpão é um nó que reforça este laço, mantendo viva a alma da pampa.
Na música, o laço da memória também se faz presente. As canções de Joca Martins e de Cristiano Quevedo falam dos laços que domam o vento, das cordas que unem o gaúcho à sua querência. Quando a gaita puxa um vaneirão, é como se o próprio laço dançasse, girando nos galpões onde o fogo crepita e as mãos se encontram na roda do mate. A alma gaúcha vive nestes acordes, atada por melodias que não se desfazem.
Na cidade, o laço da memória toma outros contornos. Está nos CTGs, onde o manejo do laço é ensinado com reverência; nas praças, onde o chimarrão reúne os amigos; na Semana Farroupilha, quando o orgulho gaúcho aperta os corações como um laço bem dado. Até nas ruas, onde o gaúcho da urbe caminha com pressa, há um fio desta memória, que o puxa de volta ao pago. Este laço é o que nos mantém presos à pampa, mesmo tão longe das coxilhas.
Mas o laço também nos provoca. Como ensinar aos jovens que ele não é apenas corda, mas o vínculo com nossa história? Como mostrar-lhes que, em cada nó, vive a força de quem construiu esta terra? A resposta está na vivência: no laço que ensinamos a lançar, na história que narramos com paixão, na tradição que passamos adiante. Cada causo contado é um nó que aperta o laço; cada lição partilhada, um fio que não se rompe.
O sol mergulha no horizonte, e o laço da memória brilha na luz do entardecer, como se quisesse lembrar-me de seu aperto. Levanto-me, com a cerca ainda sob os dedos, e sigo meu caminho. A pampa fica, mas seu laço acompanha-me. E na certeza de que a alma gaúcha é como este laço: forte, flexível, eterna. Enquanto houver um gaúcho lançando seu laço na campanha, haverá um vínculo para nos guiar, das coxilhas às serras, até o rumor do mar.
Capítulo 61: O Rumor do Rio Uruguai
Quando o dia se aquieta e o sol repousa sobre as águas largas do Rio Uruguai, eu me ponho à sua margem, onde o vento fresco traz o cheiro de mato e de água viva. O Uruguai, largo e sereno, corre com a força de quem sabe seu destino, cortando a terra entre o Rio Grande do Sul e as terras hermanas. Paro ali, com os pés quase tocando a correnteza, e contemplo suas águas, que refletem não apenas o céu, mas a alma de um povo que vive com ele e por ele.
Este rio, testemunha de tantas histórias, murmura segredos que só quem vive na fronteira compreende. Ajoelho-me para sentir a água, fria e firme, que desce das nascentes longínquas e carrega em seu curso os ecos de tantas vidas. Cada onda guarda um pedaço da história: o remo dos canoeiros, o grito dos contrabandistas nas noites escuras, o rumor das conversas entre os pescadores que lançam suas redes.
O gaúcho da fronteira, como este rio, é feito de encontros, de margens que se tocam sem se fundir, de línguas que se misturam no falar cantante do portunhol. Penso em meus antepassados, que cruzaram estas águas em balsas improvisadas, levando sonhos e saudades para além do horizonte. Perto dali, um velho pescador conserta sua rede, com as mãos calejadas que conhecem o rio como a si mesmas.
Mais adiante, crianças brincam na margem, atirando pedras que saltam na superfície, rindo quando as ondas desfazem seus reflexos. Estes momentos, tão simples, são o que nos liga ao Uruguai. Ele não é apenas água, mas um fio que costura as gentes, as culturas, as histórias. Como o rio, o gaúcho da fronteira aprende a ser fluido, a se adaptar, mas nunca a perder sua essência.
O Uruguai também canta, e sua voz ressoa nas canções que falam de suas águas. Os versos de Noel Guarany, as milongas de Jayme Caetano Braun, carregam o rumor do rio, como se ele próprio ditasse as palavras. Quando a gaita toca uma chamamé, é como se o Uruguai dançasse, levando sua melodia aos galpões onde se reúnem brasileiros e argentinos, uruguaios e gaúchos, todos irmãos sob o mesmo céu.
A alma da fronteira vive nestas notas, que cruzam as águas como pontes invisíveis. Na cidade, o rio se faz presente de outro modo. Em Uruguaiana, em Barra do Quaraí, nas feiras onde se trocam produtos e causos, o Uruguai é o coração que pulsa. Nas festas da Semana Farroupilha, quando as bandeiras tremulam e o mate circula, é o rio que inspira o orgulho de ser fronteiriço.
Até nas conversas dos bares, onde se fala de futebol ou de política, há um eco do Uruguai, que une e separa | que acolhe e desafia. Mas o rio também nos questiona. Como manter suas águas limpas num mundo que as turva com descuido? Como ensinar aos guris que o Uruguai não é apenas um curso d'água, mas um espelho da nossa identidade? A resposta está na partilha: na história que contamos, no respeito que ensinamos, no cuidado que dedicamos.
Cada gesto é uma gota que mantém o rio vivo | cada memória, uma corrente que o faz correr. O sol começa a se pôr, e as águas do Uruguai ganham tons de fogo e prata. Levanto-me, com as mãos ainda úmidas de seu toque, e sigo meu caminho. O rio fica para trás, mas seu rumor permanece comigo.
E na certeza de que a alma da fronteira é como este Uruguai: ampla, forte, eterna. Enquanto suas águas correrem, haverá um espelho para nos lembrar quem somos, unindo as margens do Rio Grande às terras além, sob a luz que dança na correnteza.
Capítulo 62: Os Campos De Cima Da Serra
Quando o amanhecer desponta e a luz tímida banha os Campos de Cima da Serra, eu me coloco no topo de uma coxilha, onde o vento frio corta o rosto e o horizonte se abre como um livro sem fim. Estas terras altas do Rio Grande do Sul, entrecruzadas por vales e pinheiros, parecem tocar o céu com seus dedos de relva. Paro ali, com o coração aberto, e contemplo a vastidão que se estende num tapete verde onde o gado pasta e o gaúcho escreve sua história. Estes campos, tão antigos quanto o tempo, guardam em sua face rugosa a alma de quem os lavra com suor e reverência.
Abaixo-me para tocar o chão, sentindo a umidade da serração que ainda repousa sobre o capim. Cada pedra, cada tufo de erva, carrega o peso das estações: o orvalho das manhãs, o calor das tardes, o gelo das noites de inverno. O gaúcho dos Campos de Cima, como estas terras, é forjado na resistência, moldado pelo frio das geadas e pela força dos ventos que sopram sem trégua. Penso nos meus antepassados, nos tropeiros que cruzavam estas alturas com suas mulas, nos colonos que ergueram ranchos com as próprias mãos, enfrentando a solidão das serras.
Perto dali, um peão conduz o gado por um caminho estreito, seu cavalo firme contra o declive, enquanto, mais além, uma mulher colhe ervas para o chimarrão, com o cuidado de quem conhece cada planta pelo nome. Estes gestos simples, tecidos no dia a dia, são o que nos enraíza a estas alturas. Os Campos de Cima da Serra ensinam a ser paciente, a esperar o tempo da chuva e da colheita, a respeitar a terra que nos sustenta. Como o pinheiro que cresce torto sob o vento, o gaúcho daqui aprende a se curvar sem quebrar.
Estas terras também cantam, e sua voz ecoa nas melodias que nascem nos galpões. As canções de Luiz Marenco, os versos de Gujo Teixeira, falam de coxilhas e de serras, de um pago que pulsa no peito do campeiro. Quando o violão dedilha uma milonga, é como se os campos ganhassem voz, contando histórias de tropeadas, de amores e de saudades. A alma gaúcha se aquece nestes sons, que sobem das invernadas até os galpões, onde o fogo crepita e o mate passa de mão em mão, unindo olhares cheios de entendimento.
Na cidadezinha mais próxima, como São Francisco de Paula ou Cambará do Sul, os campos se fazem presentes de outro modo. Nas feiras, onde se trocam facas e boleadeiras, nas rodas de conversa, onde os velhos recordam os tempos de outrora, a serra está viva. Na Semana Farroupilha, quando o povo se reúne para dançar vaneiras e cantar o hino, é a memória dos Campos de Cima que inflama o orgulho de ser gaúcho. Até nos olhos dos guris, que correm livres pelas ruas, há um brilho que reflete estas coxilhas.
Mas os campos também nos desafiam. Como preservar sua beleza num mundo que avança com pressa? Como ensinar aos jovens que estas terras não são apenas chão, mas um espelho da nossa essência? A resposta está na partilha: na história que contamos, no respeito que semeamos, no cuidado que dedicamos. Cada passo dado nestes campos é uma semente que mantém viva a tradição; cada causo narrado, um laço que prende o passado ao futuro.
O sol sobe mais alto, e os Campos de Cima da Serra brilham sob sua luz, como se quisessem me contar mais um segredo. Levanto-me, com a terra ainda grudada nas mãos, e sigo meu caminho. As coxilhas ficam para trás, mas sua vastidão permanece comigo.
E na certeza de que a alma gaúcha é como estes campos: ampla, firme, eterna. Enquanto houver uma coxilha erguendo-se ao céu, haverá um espelho para nos lembrar quem somos, guiando-nos pelas serras do Rio Grande, onde a terra e o coração se encontram.
Capítulo 63: A Poeira Da Tropeada
Quando o sol se ergue sobre as coxilhas do Rio Grande do Sul, eu me ponho a caminho, seguindo o rastro de uma tropeada que corta a pampa. A poeira sobe em nuvens douradas, levantada pelos cascos dos cavalos e pelo passo firme do gado, como se a própria terra quisesse contar-me suas façanhas. Paro por um instante, com o chapéu inclinado contra o vento, e observo a tropilha que avança, guiada por peões de olhar atento e mãos calejadas. Esta poeira, que dança no ar, carrega a história do gaúcho, escrita em longas jornadas e no suor de quem faz da campanha seu ofício.
Aproximo-me de um dos tropeiros, cujo cavalo relincha ao sentir o peso da lida. Ele me saúda com um aceno, e eu lhe devolvo o gesto, sabendo que compartilhamos o mesmo respeito pela terra que pisamos. Cada passo da tropilha é um eco do passado: dos homens que conduziam boiadas por caminhos tortuosos, enfrentando rios, chuvas e o cansaço das noites sem lua. Penso nos meus antepassados, que, com lança e boleadeira, domavam o gado e a solidão, deixando na poeira suas marcas de coragem.
Perto dali, um peão ajusta a sela, enquanto outro assobia uma melodia que acalma os animais. Mais adiante, um guri corre ao lado da tropilha, sonhando um dia ser tropeiro, com o coração cheio de histórias que ouviu ao pé do fogo. Estes momentos, tão simples, são o que nos une à lida campeira. A tropeada não é apenas o mover do gado, mas um laço que prende o gaúcho à sua querência, ensinando-o a ser firme como o lombo do cavalo e livre como o vento que espalha a poeira.
A poeira também canta, e sua voz ressoa nas canções que falam das estradas longas. Os versos de José Cláudio Machado, as milongas de Aparicio Silva Rillo, carregam o barulho dos cascos e o cheiro da campanha. Quando a gaita toca uma chamarrita, é como se a própria tropeada ganhasse ritmo, dançando pelas coxilhas até os galpões, onde o mate aquece as mãos e os causos ganham vida. A alma gaúcha respira nesta poeira, que se ergue como um véu, revelando quem somos.
Nas cidades, a tropeada se faz presente de outro modo. Em Santana do Livramento, em Dom Pedrito, nas feiras onde se vendem arreios e facas, a memória dos tropeiros ainda vive. Na Semana Farroupilha, quando o povo se reúne para celebrar, é o espírito da tropeada que pulsa nos desfiles, nas cavalgadas, no orgulho de carregar a tradição. Até nas conversas dos bares, onde se fala das lidas do campo, há um rastro da poeira que sobe das estradas antigas.
Mas a poeira também nos questiona. Como manter vivo o legado das tropeadas num mundo que corre mais rápido que o galope? Como mostrar aos guris que esta poeira não é apenas terra, mas um espelho da nossa história? A resposta está na partilha: no causo que contamos, na lida que ensinamos, no respeito que transmitimos. Cada passo da tropilha é uma marca que mantém viva a tradição; cada história narrada, um sopro que impede a poeira de assentar.
O sol começa a baixar, e a poeira da tropeada brilha como ouro sob seus raios. Levanto-me, com o rosto ainda empoeirado, e sigo meu caminho. A tropilha segue adiante, mas seu rastro permanece comigo. E na certeza de que a alma gaúcha é como esta poeira: leve, forte, eterna. Enquanto houver um casco batendo na terra, haverá um espelho para nos lembrar quem somos, guiando-nos pelas estradas do Rio Grande, onde a pampa e o coração se encontram.
Capítulo 64: A Brisa Do Entardecer
Quando o sol começa a se inclinar sobre as coxilhas do Rio Grande do Sul, eu me sento à sombra de um umbuzeiro, onde a brisa do entardecer acaricia a pampa com dedos suaves. Esta brisa, leve e fresca, sopra pelas campinas, trazendo o perfume do capim molhado e o murmúrio distante de um arroio. Paro ali, com o coração em paz, e sinto-a roçar-me o rosto, como se quisesse contar-me os segredos do dia que se despede. Esta brisa é o alento da querência, que embala a alma gaúcha e sussurra memórias de um tempo que não se apaga.
Aproximo-me do chão, tocando a terra ainda quente do sol, e percebo como a brisa dança entre as folhas, fazendo-as tremular como versos de uma canção antiga. Ela carrega em seu sopro as histórias dos que vieram antes de mim: os gaúchos que, ao fim do dia, reuniam-se para o mate, os tropeiros que descansavam sob o céu estrelado, as mulheres que cantavam ao fiar a lã. Penso neles, que enfrentaram os rigores da campanha, mas encontravam na brisa do entardecer um instante de repouso e esperança.
Perto dali, um peão amarra seu cavalo, tirando o chapéu para sentir melhor o frescor, enquanto, mais além, uma família se reúne em torno de uma fogueira, rindo e compartilhando causos. Estes instantes, tão simples, são o que nos liga à terra. A brisa do entardecer ensina a parar, a respirar, a ouvir o que a pampa tem a dizer. Como ela, o gaúcho aprende a ser gentil sem perder a força, a atravessar as coxilhas sem apagar suas raízes.
A brisa também canta, e sua voz ecoa nas melodias que embalam o fim do dia. As canções de Telmo de Lima Freitas, os versos de Mauro Moraes, falam de entardeceres que pintam o céu de laranja e roxo, de momentos que aquecem o coração do campeiro. Quando a gaita toca uma rancheira, é como se a brisa ganhasse vida, levando seus acordes aos galpões, onde o mate circula e os olhares se cruzam, cheios de cumplicidade.
A alma gaúcha se acende nestes sons, que dançam com o vento. Nas cidades, a brisa do entardecer se faz sentir de outro modo. Em Bagé, em Caxias do Sul, nas praças onde o povo se encontra para o chimarrão, ela sopra suave, trazendo um pedaço da campanha. Na Semana Farroupilha, quando as danças e os cantos ecoam, é a brisa que carrega o orgulho de ser gaúcho, unindo os corações sob o mesmo céu.
Até nas ruas movimentadas, onde a vida corre apressada, há um sopro da pampa que lembra quem somos. Mas a brisa também nos desafia. Como guardar sua leveza num mundo que pesa com tantas urgências? Como ensinar aos guris que esta brisa não é apenas vento, mas um alento da nossa história? A resposta está na partilha: no mate que oferecemos, no causo que contamos, no respeito que semeamos.
Cada palavra dita ao entardecer é um sopro que mantém viva a tradição; cada gesto, uma brisa que não se desfaz. O céu se tinge de cores quentes, e a brisa do entardecer ganha um tom mais frio, anunciando a noite. Levanto-me, com o rosto ainda fresco de seu toque, e sigo meu caminho.
A brisa fica, dançando pelas coxilhas, mas seu alento permanece comigo. E na certeza de que a alma gaúcha é como esta brisa: suave, forte, eterna. Enquanto houver um entardecer na pampa, haverá um sopro para nos lembrar quem somos, guiando-nos pelas terras do Rio Grande, onde o coração encontra repouso.
Capítulo 65: A Liberdade do Galope ao Vento
Quando o sol desponta sobre as planícies do Rio Grande do Sul, eu monto meu cavalo e sigo pelas coxilhas, onde o galope ecoa como um hino à liberdade. O vento bate-me no rosto, misturando-se ao som dos cascos que ferem a terra, e sinto a pampa pulsar sob mim, viva e indomada. Paro por um instante no alto de uma encosta, com as rédeas firmes nas mãos, e contemplo o horizonte que se abre, vasto e sem cercas. Este galope, que ressoa na campanha, é o coração do gaúcho, que corre livre, mas nunca esquece suas raízes.
Desço do cavalo e toco o chão, ainda quente do orvalho que a manhã dissolveu. Cada marca de casco na terra é um traço da história: dos Farrapos que galoparam por ideais, dos peões que cruzaram campos em busca de sustento, dos guris que sonham com a lida campeira. Penso nos meus antepassados, que fizeram do cavalo um companheiro, um irmão, e no galope encontraram a força para enfrentar as tormentas da vida. O gaúcho, como o cavalo, é feito de ímpeto e lealdade, correndo solto, mas sempre fiel à querência.
Perto dali, um cavaleiro ajusta o arreio, enquanto outro conduz a tropilha, assobiando para guiar os animais. Mais adiante, uma guria monta pela primeira vez, com os olhos brilhando de coragem e alegria. Estes momentos, tão simples, são o que nos une à essência da pampa. O galope não é apenas movimento, mas um modo de ser: é a liberdade de ir, mas também o compromisso de voltar. Como o cavalo que conhece o caminho do rancho, o gaúcho carrega no peito o amor pelo pago.
O galope também ressoa nas canções que embalam a campanha. Os versos de Cenair Maicá, as melodias de César Passarinho, falam de cavalos e cavaleiros, de galopes que cruzam coxilhas e levam saudades. Quando a gaita toca uma vaneira, é como se o próprio galope ganhasse ritmo, dançando pelos galpões onde o povo se reúne, com o mate na mão e o coração aberto. A alma gaúcha vive nestes acordes, que correm livres como o vento.
Nas cidades, o galope se faz sentir de outro modo. Em Pelotas, em São Borja, nas cavalgadas da Semana Farroupilha, o trote dos cavalos ecoa pelas ruas, trazendo a pampa para o coração do povo. Nas praças, onde os velhos contam causos de antigas tropeadas, e nas escolas, onde os guris aprendem sobre os heróis da Revolução Farroupilha, o galope é um símbolo de orgulho. Até nas conversas de fim de tarde, há um eco da liberdade que só o cavalo ensina.
Mas o galope também nos desafia. Como manter viva esta liberdade num mundo que ergue cercas de concreto e pressa? Como ensinar aos jovens que o galope não é apenas um passo, mas um grito da alma gaúcha? A resposta está na partilha: na história que contamos, na lida que ensinamos, no respeito que semeamos. Cada cavalgada é um laço que prende o passado ao presente; cada causo narrado, um galope que não para.
O sol sobe mais alto, e o som dos cascos ainda ressoa em mim. Monto novamente, com a poeira subindo ao meu redor, e sigo meu caminho. O galope fica na pampa, mas sua força permanece comigo. E na certeza de que a alma gaúcha é como este galope: livre, forte, eterna. Enquanto houver um cavalo cruzando as coxilhas, haverá um eco para nos lembrar quem somos, guiando-nos pelas terras do Rio Grande, onde a liberdade e o coração galopam juntos.
Capítulo 66: O Fogo Da Invernada
Quando a noite cai sobre a pampa e o frio da invernada aperta os ossos, eu me achego ao fogo que crepita no galpão, onde as chamas dançam e lançam sombras que contam histórias sem palavras. O calor do fogo aquece-me as mãos, e seu brilho ilumina o rosto dos que se reúnem em roda, com o mate passando de mão em mão. Este fogo, que vive na invernada, é mais que lenha ardendo; é o coração da querência, que pulsa com a força de quem resiste às geadas e guarda a alma gaúcha em sua luz.
Paro ali, com o olhar perdido nas brasas, e sinto que o fogo é um espelho da nossa gente, que nunca se apaga. Ajoelho-me para atiçar as chamas, e o estalar da lenha lembra-me o trote dos cavalos, o ranger das carretas, o esforço dos que vieram antes de mim. Cada faísca carrega um pedaço da pampa: o suor dos peões que apartam o gado, o canto das mulheres que acendem o lume para o pão, a coragem dos que enfrentaram o frio das noites sem fim. O gaúcho, como este fogo, é feito de centelhas que se unem para aquecer, de histórias que se cruzam numa só chama.
Penso nos meus antepassados, nos homens que erguiam galpões com toras cortadas à mão, nas avós que coziam o feijão sob o olhar atento do candeeiro. Perto dali, um velho gaiteiro afina seu instrumento, e o som da sanfona mistura-se ao crepitar do fogo, como se ambos conversassem. Mais adiante, um guri escuta, de olhos arregalados, um causo narrado por um ancião, enquanto o cheiro do churrasco sobe e enche o ar. Estes momentos, tão simples, são o que nos prende à invernada. O fogo ensina a ser forte, mas acolhedor; a consumir, mas também a iluminar.
Como as brasas que persistem sob as cinzas, o gaúcho da invernada guarda sua essência, mesmo nas noites mais escuras. Este fogo também vive nas canções. Os versos de Cenair Maicá, as melodias de Telmo de Lima Freitas, falam de galpões e de invernadas, de chamas que aquecem o corpo e a alma. Quando a gaita toca uma rancheira, é como se o próprio fogo cantasse, espalhando sua luz pelos campos, onde os homens dançam com as prendas e os olhares se encontram, cheios de cumplicidade. A alma gaúcha brilha nestas notas, como uma fogueira que não se deixa apagar.
Na cidade, o fogo da invernada se manifesta de outro jeito. Nos CTGs, onde as famílias se reúnem para dançar e cantar, nas praças onde o mate é compartilhado, na Semana Farroupilha, quando o povo ergue a bandeira com orgulho. Até nas conversas dos bares, onde se fala de causos e de tradições, há um calor que vem da pampa. O gaúcho da cidade, mesmo distante dos galpões, carrega este fogo no peito, na memória de uma invernada que nunca se esquece.
Mas o fogo também nos provoca. Como manter sua chama viva num mundo que esfria com a pressa? Como mostrar aos guris que este lume não é apenas calor, mas um reflexo da nossa história? A resposta está na união: no mate que partilhamos, no causo que contamos, no respeito que ensinamos. Cada gesto é uma faísca que mantém o fogo aceso; cada memória, uma chama que o faz durar.
A noite avança, e o fogo da invernada segue crepitando, com suas brasas brilhando como estrelas caídas. Levanto-me, com o calor ainda nas mãos, e sigo meu caminho. O galpão fica para trás, mas a chama permanece comigo. E na certeza de que a alma gaúcha é como este fogo: viva, forte, eterna. Enquanto houver uma invernada sob o céu do Rio Grande, haverá um lume para nos lembrar quem somos, guiando-nos pelas noites frias com a luz que nunca se apaga.
Capítulo 67: A Sela Do Tempo
Quando o sol desponta no horizonte e ilumina as coxilhas do Rio Grande do Sul, eu me preparo para montar, ajustando a sela sobre o lombo do cavalo, que espera paciente com um relincho baixo. A sela, gasta pelo uso, carrega as marcas do tempo: o couro riscado pelas rédeas, o estribo polido pelos pés, a história de quem a usou antes de mim. Paro ali, com as mãos firmes nas cilhas, e sinto que esta sela é mais que um assento; é o elo entre o gaúcho e a terra, um trono humilde que nos leva pelas trilhas da vida. Ela carrega-me, como carrega a memória de todos os que galoparam nestas campinas.
Monto o cavalo e sigo por um caminho de terra, onde o trote levanta poeira e o vento sussurra causos antigos. Cada passo do animal ressoa com os feitos dos meus antepassados: os tropeiros que cruzavam a pampa, os lanceiros que lutavam por liberdade, os peões que conduziam o gado sob sol e chuva. O gaúcho, como esta sela, é moldado pelo tempo, pelas lidas que curvam o corpo, mas fortalecem a alma. Penso em ti, terra minha, que me ensinaste a ser firme na montaria, mas leve no coração.
Perto dali, um jovem doma um potro, com paciência e firmeza, enquanto, mais adiante, um velho conserta uma cerca, com o mesmo cuidado que dedica à sua sela. Estes gestos, tão naturais, são o que nos liga à campanha. A sela do tempo ensina a respeitar o ritmo da vida, a segurar as rédeas com força, mas também a saber soltá-las quando preciso. Como o cavalo que obedece ao comando, o gaúcho aprende a seguir o rumo, mas nunca a se render.
A sela também vive nas canções. Os versos de Pedro Ortaça, as melodias de Elton Saldanha, falam de cavalos e de estradas, de selas que carregam sonhos e saudades. Quando o violão toca uma toada, é como se a própria sela cantasse, contando histórias de tropeadas e de galpões, onde o mate circula e os olhos brilham com memórias partilhadas. A alma gaúcha repousa nestes sons, firme como o couro que sustenta o cavaleiro.
Na cidade, a sela do tempo se faz presente de outro modo. Nos desfiles da Semana Farroupilha, onde os cavalos marcham pelas ruas e os ginetes erguem a bandeira, nas praças onde os guris sonham ser peões, no orgulho de quem carrega a pilcha com dignidade. Até nas conversas dos mais velhos, que recordam os tempos de lida no campo, há um eco desta sela, que une o passado ao presente.
O gaúcho da cidade, mesmo sem montar, carrega esta sela na alma, na memória de uma pampa que nunca se apaga. Mas a sela também nos questiona. Como manter seu couro firme num mundo que corre sem rédeas? Como ensinar aos jovens que ela não é apenas um objeto, mas um símbolo da nossa história? A resposta está na transmissão: no causo que contamos, na lição que passamos, no respeito que cultivamos.
Cada montaria é um laço que mantém viva a tradição; cada história, um estribo que nos firma no caminho. O sol começa a baixar, e a sela range sob meu peso, como se quisesse me contar mais um segredo. Desmonto, com o corpo cansado, mas o coração cheio, e guardo-a com cuidado. O cavalo segue para o pasto, mas a sela permanece comigo.
E na certeza de que a alma gaúcha é como esta sela: forte, marcada, eterna. Enquanto houver um cavaleiro cruzando a pampa, haverá uma sela para nos lembrar quem somos, guiando-nos pelas trilhas do Rio Grande, onde o tempo e a terra cavalgam juntos.
Capítulo 68: O Cheiro Da Terra Molhada
Quando a chuva cai mansa sobre a pampa e o céu se fecha em tons de cinza, eu me ponho à porta do rancho, sentindo o cheiro da terra molhada que sobe e enche o peito de vida. A água pinga do chapéu, e cada gota que toca o chão desperta a alma da campanha, como se a terra quisesse falar comigo. Este aroma, tão puro, é o alento do Rio Grande do Sul, que guarda em sua essência o labor dos que a pisam e a força dos que a amam. Paro ali, com os olhos perdidos na cortina de chuva, e sinto que a terra molhada é um espelho da nossa gente, que floresce mesmo sob as tormentas.
Abaixo-me para tocar o solo, agora macio e escuro, onde a água se mistura ao barro, formando rastros que contam histórias. Cada pegada carrega o peso dos meus antepassados: os pés dos lavradores que semeavam sob o chuvisco, as botas dos peões que guiavam o gado em meio ao aguaceiro, as mãos das mulheres que colhiam ervas sob a garoa. O gaúcho, como esta terra molhada, é feito de raízes que se aprofundam, de ciclos que se renovam com cada chuva. Penso em vós, que cruzastes estas campinas, deixando-me o legado de amar este chão.
Perto dali, um cavalo relincha, abrigado sob um umbuzeiro, enquanto, mais adiante, um guri corre descalço, rindo ao sentir o barro entre os dedos. Estes instantes, tão simples, são o que nos une à pampa. A terra molhada ensina a ser resiliente, a esperar o sol após a chuva, a valorizar o que brota do esforço. Como o capim que se ergue após o temporal, o gaúcho aprende a se levantar, com a força que vem da terra e do coração.
Este cheiro também vive nas canções. Os versos de José Cláudio Machado, as melodias de Luiz Carlos Borges, falam de chuvas e de campos, de um pago que respira com o aroma da terra molhada. Quando a gaita toca uma vaneira, é como se a própria chuva cantasse, molhando os galpões onde o povo dança e o mate aquece as mãos, unindo olhares cheios de esperança. A alma gaúcha se renova nestes sons, como o chão que se veste de verde após o aguaceiro.
Na cidade, a terra molhada se faz presente de outro modo. Nos parques onde as famílias se reúnem após a chuva, nas ruas onde o cheiro do asfalto úmido se mistura ao do mate, na Semana Farroupilha, quando o povo canta sob o céu limpo que sucede o temporal. Até nas janelas dos sobrados, onde os olhos buscam o horizonte, há um eco deste aroma, que lembra a pampa mesmo entre os muros.
O gaúcho da cidade, mesmo longe do campo, carrega este cheiro na memória, no orgulho de um pago que nunca se esquece. Mas a terra molhada também nos desafia. Como proteger este chão num mundo que o cobre com pressa? Como ensinar aos guris que este cheiro não é apenas barro, mas o pulsar da nossa história? A resposta está no cuidado: na semente que plantamos, na história que contamos, no respeito que transmitimos.
Cada passo na terra molhada é uma promessa de continuidade; cada causo, uma gota que mantém viva a tradição. A chuva cessa, e o cheiro da terra molhada sobe mais forte, como um convite para seguir. Levanto-me, com o barro ainda nas botas, e caminho adiante. A pampa fica, mas seu aroma permanece comigo.
E na certeza de que a alma gaúcha é como esta terra molhada: fecunda, forte, eterna. Enquanto houver chuva caindo nas coxilhas, haverá um cheiro para nos lembrar quem somos, guiando-nos pelo Rio Grande, onde a terra e a alma se encontram na umidade da vida.
Capítulo 69: A Raiz Da Chuva
Quando a chuva volta a cair, mansa e persistente, sobre as coxilhas do Rio Grande do Sul, eu me coloco sob o alpendre do rancho, ouvindo o tamborilar das gotas no telhado de zinco. O céu, coberto de nuvens pesadas, derrama sua água como um presente, e a terra, sedenta, acolhe-a com gratidão. Este aguaceiro, que molha a pampa, é mais que um fenômeno da natureza; é a raiz da nossa essência, que nutre a alma gaúcha com sua força fecunda. Paro ali, com o olhar fixo no véu de água, e sinto que a chuva é um espelho da nossa gente, que se renova em cada gota, forte e eterna.
Abaixo-me para observar o chão, onde a água escorre em riachos miúdos, levando o pó e revelando a raiz nua da terra. Cada gota carrega a memória dos que vieram antes de mim: os lavradores que plantavam sob a chuva, os tropeiros que seguiam com os lombos molhados, as mulheres que guardavam a lenha para o fogo não apagar. O gaúcho, como esta raiz da chuva, é feito de profundezas que resistem, de laços que se firmam no solo da querência. Penso em vós, que enfrentastes os temporais, ensinando-me a encontrar força na umidade da vida.
Perto dali, um peão caminha com o poncho encharcado, guiando o gado com calma, enquanto, mais adiante, uma criança pisa nas poças, rindo com a liberdade que só a chuva traz. Estes instantes, tão singelos, são o que nos enraíza à pampa. A chuva ensina a ser paciente, a esperar o broto que surge após o aguaceiro, a valorizar o que cresce com esforço. Como a raiz que se agarra à terra molhada, o gaúcho aprende a se sustentar, com a força que vem do chão e da alma.
A chuva também canta, e sua melodia ecoa nas vozes da campanha. Os versos de Nico Fagundes, as toadas de César Passarinho, falam de aguaceiros que lavam a alma, de coxilhas que reverdecem sob o céu generoso. Quando a gaita entoa uma milonga, é como se a própria chuva dançasse, molhando os galpões onde o povo se reúne, com o mate aquecendo as mãos e os corações se unindo em silêncio cúmplice. A alma gaúcha pulsa nestes sons, como a raiz que bebe a água para crescer.
Na cidade, a chuva se faz presente de outro jeito. Nas ruas de Porto Alegre, onde o asfalto brilha sob as gotas, nas praças onde o povo se abriga e partilha histórias, na Semana Farroupilha, quando a chuva não impede o canto do hino. Até nos olhos dos que olham pela janela, sonhando com o campo, há um reflexo desta raiz molhada. O gaúcho da cidade, mesmo entre muros, carrega a chuva no peito, na memória de uma pampa que nunca seca.
Mas a chuva também nos interpela. Como preservar esta terra fecunda num mundo que a desgasta? Como ensinar aos guris que a chuva não é apenas água, mas a raiz da nossa história? A resposta está na partilha: na semente que plantamos, no causo que narramos, no cuidado que dedicamos. Cada gota que cai é uma promessa de continuidade; cada história contada, uma raiz que se aprofunda.
O aguaceiro amaina, e o cheiro da terra molhada sobe, como um convite para permanecer. Levanto-me, com as botas ainda úmidas, e sigo meu caminho. A chuva fica, mas sua raiz permanece comigo. E na certeza de que a alma gaúcha é como esta terra molhada: fecunda, forte, eterna. Enquanto houver chuva caindo nas coxilhas, haverá um cheiro para nos lembrar quem somos, guiando-nos pelo Rio Grande, onde a terra e a alma se encontram na umidade da vida.
Capítulo 70: O Ressoar Do Galpão
Quando o crepúsculo cobre a pampa com seu manto de estrelas, eu me achego ao galpão, onde o lume do fogo dança e o som da gaita já começa a soar. O galpão, com suas paredes de madeira gastas pelo tempo, é o coração da querência, onde as vozes se encontram e os causos ganham vida. Paro à porta, com o cheiro de lenha queimada e mate amargo no ar, e sinto que este lugar é mais que um abrigo; é o eco da alma gaúcha, que ressoa com a força de quem vive para a tradição. Cada tábua, cada viga, guarda as palavras dos que aqui se reuniram antes de mim.
Entro e sento-me junto à roda, onde o mate circula e os olhares se cruzam, cheios de entendimento. O eco do galpão carrega as risadas dos guris, os conselhos dos velhos, o canto dos gaiteiros que fazem a noite pulsar. Penso em vós, meus antepassados, que sob este mesmo teto contavam histórias de tropeadas, de amores e de lutas, enquanto o vento lá fora soprava frio. O gaúcho, como este galpão, é feito de encontros, de memórias que se entrelaçam como as tábuas que sustentam o telhado.
Perto dali, um homem afina o violão, enquanto uma prenda arruma o cabelo para a dança que logo começará. Mais adiante, um ancião narra um causo, e os olhos dos jovens brilham, presos às suas palavras. Estes momentos, tão simples, são o que nos enraíza à pampa. O galpão ensina a ouvir, a partilhar, a manter viva a chama da nossa história. Como o eco que ressoa nas paredes, o gaúcho carrega em si as vozes do passado, que nunca se calam.
O eco do galpão também vive nas canções. Os versos de Os Monarcas, as melodias de Mano Lima, falam de galpões onde o povo se junta, de noites que aquecem o coração. Quando a gaita toca uma vaneira, é como se o próprio galpão cantasse, convidando todos a dançar, a rir, a recordar. A alma gaúcha ressoa nestes sons, que cruzam as coxilhas e chegam às cidades, unindo gerações num só compasso.
Na cidade, o eco do galpão se faz presente de outro modo. Nos CTGs, onde as famílias se reúnem para dançar e cantar, nas praças onde o mate é compartilhado, na Semana Farroupilha, quando o hino ecoa com orgulho. Até nas conversas dos bares, onde se fala de causos e de tradições, há um rumor deste galpão, que pulsa no peito de quem o carrega. O gaúcho da cidade, mesmo longe da campanha, guarda este eco na memória, no amor por um pago que nunca se apaga.
Mas o galpão também nos desafia. Como manter seu eco vivo num mundo que silencia as tradições? Como ensinar aos guris que este lugar não é apenas madeira, mas o pulsar da nossa história? A resposta está na roda: no mate que oferecemos, no causo que contamos, na dança que compartilhamos. Cada palavra dita aqui é um som que mantém o eco vivo; cada gesto, uma nota que o faz ressoar.
A noite avança, e o galpão segue cheio de vida, com o fogo crepitando e a gaita cantando. Levanto-me, com o coração aquecido pelo calor da roda, e sigo meu caminho. O galpão fica, mas seu eco permanece comigo. E na certeza de que a alma gaúcha é como este eco: clara, forte, eterna. Enquanto houver um galpão na pampa, haverá um rumor para nos lembrar quem somos, guiando-nos pelo Rio Grande, onde as vozes da tradição nunca se calam.
Capítulo 71: O Passo da Dança Gaudéria
Quando a lua sobe alta no céu da pampa e ilumina o galpão com sua luz prateada, eu me ponho no centro da roda, onde o som da gaita chama e os pés já começam a marcar o chão. A dança, com seus passos firmes e ritmados, é o pulsar da querência, onde o gaúcho encontra na vaneira, no chamamé, na milonga, a expressão do que lhe vai na alma. Paro ali, com a prenda de mãos dadas comigo, e sinto que cada giro é mais que movimento; é a continuidade da nossa história, um laço que une o passado ao presente. O galpão vibra, e o passo da dança é o compasso do coração do Rio Grande.
Tomo-a pela cintura, e seguimos o ritmo, com o assoalho rangendo sob nossas botas. Cada passo carrega a herança dos meus antepassados: os bailes nas estâncias, as festas sob as estrelas, os encontros onde o amor e a amizade se selavam na dança. O gaúcho, como este compasso, é feito de harmonia, de um equilíbrio entre força e leveza, entre o peso da lida e a alegria da festa. Penso em vós, que dançastes nestas mesmas coxilhas, ensinando-me que a vida é um baile onde se aprende a girar com graça.
Perto dali, um casal mais velho dança com a serenidade de quem conhece cada nota, enquanto, do outro lado, guris e gurias ensaiam seus primeiros passos, rindo dos tropeços. Estes momentos, tão vivos, são o que nos mantém ligados à pampa. A dança ensina a seguir o ritmo, a respeitar o par, a encontrar beleza no simples ato de se mover juntos. Como o giro que nos leva de volta ao começo, o gaúcho aprende a retornar às raízes, com os pés firmes no chão da tradição.
A dança também vive nas canções. Os acordes de Porca Véia, as vozes do Grupo Rodeio, falam de bailes que atravessam a noite, de galpões onde o povo se encontra. Quando a gaita solta uma rancheira, é como se a própria dança cantasse, convidando todos a se juntarem, a esquecerem as durezas do dia e a celebrarem a vida. A alma gaúcha brilha nestes ritmos, que ecoam pelas coxilhas e chegam às cidades, unindo gerações num só compasso.
Na cidade, o passo da dança se faz presente de outro modo. Nos CTGs, onde as famílias aprendem as coreografias tradicionais, nas praças onde o povo se reúne para dançar sob as luzes, na Semana Farroupilha, quando as vaneiras tomam as ruas. Até nos olhos dos que assistem, com saudade, há um reflexo deste movimento. O gaúcho da cidade, mesmo sem o galpão por perto, carrega a dança no sangue, na memória de uma pampa que pulsa em cada giro.
Mas a dança também nos interpela. Como manter o ritmo num mundo que corre fora do compasso? Como ensinar aos guris que estes passos não são apenas coreografia, mas o pulsar da nossa história? A resposta está no convite: na roda que abrimos, na música que tocamos, no orgulho que transmitimos. Cada passo ensaiado é um laço que mantém viva a tradição; cada baile, um giro que nos leva mais perto de quem somos.
A música acelera, e a dança ganha fôlego, com o galpão cheio de risos e palmas. Termino o giro, com o coração batendo forte, e saúdo a prenda com um aceno. O baile segue, mas a dança permanece comigo. E na certeza de que a alma gaúcha é como este passo: viva, forte, eterna. Enquanto houver uma gaita tocando na pampa, haverá um compasso para nos lembrar quem somos, guiando-nos pelo Rio Grande, onde a dança e o coração giram juntos.
Capítulo 72: A Brasa Do Churrasco
Quando o sol aquece a tarde na pampa e o cheiro de lenha queimando sobe ao céu, eu me coloco junto ao fogo de chão, onde as brasas vermelhas preparam-se para receber a carne. O churrasco gaúcho, com seus espetos cravados na terra, é mais que um prato; é o coração da nossa gente, um ritual que une a alma do Rio Grande do Sul. Paro ali, com a faca na mão e o olhar atento às chamas, e sinto que cada brasa carrega a história de quem se reúne em torno dela. A costela, a picanha, o vazio, todos ganham vida no calor, como se a própria pampa se oferecesse em sabor.
Abaixo-me para atiçar o fogo, e o crepitar da lenha lembra-me os encontros de outrora, quando meus antepassados assavam a carne sob as estrelas, partilhando causos e risadas. Cada corte, temperado apenas com sal grosso, carrega o respeito pela terra: o gado criado nas coxilhas, o trabalho do peão, a paciência de quem sabe esperar o ponto certo. O gaúcho, como este churrasco, é feito de simplicidade que encanta, de laços que se formam na fumaça que sobe. Penso em vós, que me ensinastes a manejar o espeto, a honrar a carne com o cuidado que ela merece.
Perto dali, amigos riem enquanto o mate circula, e uma prenda corta pão para acompanhar o assado. Mais adiante, guris brincam, correndo ao redor do fogo, com os olhos brilhando de fome e alegria. Estes momentos, tão naturais, são o que nos liga à querência. O churrasco ensina a partilhar, a esperar, a valorizar o que vem da terra e do trabalho. Como a brasa que aquece sem pressa, o gaúcho aprende a viver com calma, saboreando a vida em cada mordida.
O churrasco também vive nas canções. Os versos de Jari Terres, as melodias de Os Serranos, falam de fogos de chão e de reuniões, de um pago que se encontra na fumaça do assado. Quando a gaita toca uma chamamé, é como se o próprio churrasco cantasse, convidando todos a se achegarem, a celebrarem a amizade e a família. A alma gaúcha se aquece nestes sons, que sobem com a fumaça e cruzam as coxilhas, unindo corações em torno da brasa.
Na cidade, a brasa do churrasco se faz presente de outro modo. Nos quintais onde as churrasqueiras fumegam, nos CTGs onde o assado é parte da festa, na Semana Farroupilha, quando o cheiro da carne toma as ruas. Até nas conversas dos bares, onde se discute o melhor corte ou a melhor lenha, há um reflexo deste ritual. O gaúcho da cidade, mesmo sem o fogo de chão, carrega o churrasco no peito, na memória de uma pampa que pulsa em cada espeto.
Mas o churrasco também nos interpela. Como manter viva esta tradição num mundo que corre sem tempo para a roda? Como ensinar aos guris que a brasa não é apenas fogo, mas o calor da nossa história? A resposta está na partilha: no convite que fazemos, no sabor que oferecemos, no orgulho que transmitimos. Cada espeto girado é um laço que mantém viva a querência; cada roda formada, uma chama que não se apaga.
O sol começa a baixar, e o churrasco segue, com a carne dourada e o fogo ainda vivo. Levanto-me, com o sabor do assado na boca, e sigo meu caminho. As brasas ficam, mas seu calor permanece comigo. E na certeza de que a alma gaúcha é como esta brasa: ardente, forte, eterna. Enquanto houver um fogo de chão na pampa, haverá um churrasco para nos lembrar quem somos, guiando-nos pelo Rio Grande, onde a carne e o coração se encontram no calor da vida.
Capítulo 73: A Corda Da Boleadeira
Quando o sol desponta sobre as coxilhas e a pampa se estende em sua vastidão, eu me coloco no lombo do cavalo, com a boleadeira na mão, sentindo o peso das pedras e o trançado firme da corda. Este instrumento, tão simples e antigo, é mais que uma ferramenta do gaúcho; é o símbolo da precisão, da coragem, da ligação com a terra que nos define. Paro ali, com o vento roçando-me o rosto, e sinto que a corda da boleadeira carrega a história dos que domaram estas campinas. Cada giro, cada laço, é um eco da alma do Rio Grande do Sul.
Desmonto e seguro a boleadeira, girando-a no ar com um zumbido que corta o silêncio. Cada volta lembra-me os feitos dos meus antepassados: os peões que abatiam o gado xucro, os guerreiros que usavam a boleadeira na luta, os homens que, com destreza, faziam da corda uma extensão do braço. O gaúcho, como esta boleadeira, é feito de equilíbrio, de força que se alia à leveza, de um instinto que vem da terra. Penso em vós, que me ensinastes a manejar estas cordas, a mirar com o coração antes dos olhos.
Perto dali, um jovem treina seus arremessos, com a boleadeira girando desajeitada, enquanto, mais adiante, um velho ensina ao neto o segredo do giro perfeito. Estes momentos, tão naturais, são o que nos enraíza à pampa. A boleadeira ensina a ser paciente, a calcular o instante exato, a respeitar o ritmo da lida. Como a corda que se lança e retorna, o gaúcho aprende a partir, mas sempre voltar às suas origens.
A boleadeira também vive nas canções. Os versos de Mauro Ferreira, as melodias de João Luiz Corrêa, falam de peões e de laços, de um pago que pulsa no giro da corda. Quando a gaita toca uma milonga, é como se a própria boleadeira cantasse, zumbindo pelos galpões onde o povo se reúne, com o mate na mão e os olhos cheios de orgulho. A alma gaúcha vibra nestes sons, que cruzam as coxilhas e chegam às cidades, unindo gerações num só movimento.
Na cidade, a corda da boleadeira se faz presente de outro modo. Nos CTGs, onde os guris aprendem a girá-la com destreza, nas feiras onde se vendem cordas trançadas à mão, na Semana Farroupilha, quando o povo celebra as lidas do campo. Até nas histórias contadas pelos mais velhos, que falam dos tempos em que a boleadeira era lei na campanha, há um eco deste instrumento.
O gaúcho da cidade, mesmo sem o cavalo, carrega a boleadeira na alma, na memória de uma pampa que nunca se apaga. Mas a boleadeira também nos provoca. Como manter sua corda firme num mundo que esquece o valor da lida? Como ensinar aos jovens que este giro não é apenas técnica, mas o pulsar da nossa história? A resposta está na prática: no laço que ensinamos, no causo que narramos, no respeito que transmitimos.
Cada giro da boleadeira é um laço que mantém viva a tradição; cada lição, uma corda que nos amarra ao passado.O sol sobe mais alto, e a boleadeira descansa em minhas mãos, com seu zumbido ainda ecoando na mente. Monto novamente e sigo meu caminho. A pampa fica, mas a corda permanece comigo.
E na certeza de que a alma gaúcha é como esta boleadeira: precisa, forte, eterna. Enquanto houver um peão girando a corda na campanha, haverá um laço para nos lembrar quem somos, guiando-nos pelo Rio Grande, onde a terra e o coração se encontram no giro da vida.
Capítulo 74: O Sabor Do Mate
Quando a manhã desperta na pampa e o orvalho ainda repousa sobre o capim, eu me sento à sombra de um umbuzeiro, com a cuia na mão e o cheiro da erva-mate subindo quente. O mate, amargo e verdadeiro, é mais que uma bebida; é o fio que costura a alma gaúcha, unindo corações em rodas de conversa, silêncios compartilhados e olhares que falam sem palavras. Paro ali, sorvendo o primeiro gole, e sinto que cada erva carrega a essência do Rio Grande do Sul.
O sabor do mate é o gosto da querência, que aquece o peito, conforta a alma e lembra-me, com sua simplicidade profunda, quem sou e de onde venho. Preparo a cuia com cuidado, como quem segue um ritual sagrado. Coloco a erva com a mão firme, ajeito-a com carinho, despejo a água morna para acordá-la e, por fim, a quente, que faz o aroma subir. A bomba, polida pelo uso, mergulha na cuia como uma ponte entre o passado e o presente.
Cada gesto é um eco dos que vieram antes de mim: os velhos que cevavam o mate ao amanhecer, sentados nos banquinhos de madeira, as prendas que o ofereciam com um sorriso acolhedor, os peões que o levavam nas tropeadas, com a cuia balançando na sela. O gaúcho, como este mate, é feito de paciência, de um calor que se constrói aos poucos, de uma simplicidade que sustenta e fortalece.
Penso em vós, que me ensinastes a valorizar o amargo, a encontrar doçura na partilha, a compreender que o mate é mais que erva e água é um laço que nos une à terra e uns aos outros. Perto dali, um amigo se junta à roda, trazendo sua própria cuia, e o mate começa a circular, passando de mão em mão como um juramento de confiança. O silêncio se instala, quebrado apenas pelo som do gole e pelo canto matinal de um quero-quero.
Mais adiante, uma família se reúne no pátio do rancho, com a cuia viajando entre avós, pais e guris, enquanto causos antigos misturam-se a risadas novas. Uma prenda conta da avó que cevava o mate com erva colhida à mão, e um velho recorda o sabor de um mate cevado sob a chuva, com a tropa parada à espera do sol. Estes momentos, tão naturais, são o que nos enraíza à pampa.
O mate ensina a escutar com atenção, a esperar a vez com respeito, a acolher o outro com generosidade. Como a erva que se renova a cada água, o gaúcho aprende a se refazer, com a força que vem da roda, da memória e da tradição. O mate também vive nas canções, como um verso que nunca se cala. Os acordes de Wilson Paim, as melodias de Os Mateadores, falam de cuias e de encontros, de um pago que se une no sabor da erva.
Quando a gaita toca uma rancheira, é como se o próprio mate cantasse, aquecendo os galpões onde o povo se encontra, com o fogo crepitando e os corações batendo no mesmo compasso. As letras contam de manhãs frias, onde o mate era o primeiro a aquecer as mãos, e de noites longas, onde a cuia era a companheira dos causos. A alma gaúcha se nutre nestes sons, que cruzam as coxilhas, sobem as serras e chegam às cidades, unindo gerações num só gole.
Até na solidão do campo, o gaúcho ceva o mate e sente-se acompanhado, pois a cuia carrega as vozes de todos os que a compartilharam. Na cidade, o sabor do mate se faz presente de outro modo, mas com a mesma força. Nos parques de Porto Alegre, onde as famílias cevam a cuia sob as árvores, o cheiro da erva mistura-se ao rumor da vida urbana. Nas praças de Pelotas ou Santa Maria, onde amigos se reúnem com suas térmicas,
O mate é o pretexto para conversas que vão do futebol aos sonhos. Na Semana Farroupilha, quando a erva é tão celebrada quanto o hino, o mate une o povo em rodas que ecoam a pampa. Até nas varandas dos apartamentos, onde o gaúcho olha o horizonte com a cuia na mão, há um reflexo deste ritual, que atravessa muros e distâncias. O gaúcho da cidade, mesmo sem o campo por perto, carrega o mate no coração, na memória de uma pampa.
Tradição que pulsa em cada sorvo de um bom chimarrão, como se a erva trouxesse o vento das coxilhas para dentro do peito. Mas o mate também nos interpela, com sua sabedoria silenciosa. Como manter seu sabor vivo num mundo que prefere a pressa e o descartável? Como ensinar aos guris que esta cuia não é apenas erva, mas o pulsar da nossa história, o laço que nos prende à querência?
A resposta está no convite: na roda que formamos, no mate que oferecemos, no orgulho que transmitimos. Cada cuia cevada é um gesto de continuidade, uma ponte entre o ontem e o amanhã. Cada gole compartilhado é um fio que nos liga ao passado, às mãos calejadas que plantaram a erva, aos corações que bateram ao redor de outras cuias. Ensinamos aos jovens quando cevamos o mate com eles, quando contamos os causos de nossos avós.
E quando mostramos que o amargo da erva é também o sabor da vida. O sol sobe mais alto, e o mate segue aquecendo-me as mãos, com seu amargo que conforta e seu calor que abraça. Levanto-me, com o sabor ainda na boca, e sigo meu caminho, levando a cuia comigo. A roda se desfaz, mas o mate permanece em mim.
Tanto como um velho amigo que nunca se vai na certeza de que a alma gaúcha é como este mate: amarga, forte, eterna. Enquanto houver uma roda cevando mate na pampa, haverá um sabor para nos lembrar quem somos, guiando-nos pelo Rio Grande, onde a erva, a terra e o coração se encontram na partilha da vida.
Capítulo 75: A Pilcha Da Tradição
Quando o dia amanhece na pampa e o galpão se prepara para a festa, eu me visto com a pilcha gaúcha, sentindo o peso honroso de cada peça que carrego no corpo. O bombachão, largo e confortável, abraça-me as pernas, enquanto as botas firmam-me ao chão, e o lenço no pescoço, bem atado, balança ao vento. O chapéu de aba larga cobre-me o rosto, e a camisa, singela, completa a indumentária. Paro ali, com o orgulho pulsando no peito, e sinto que esta pilcha é mais que roupa; é a própria identidade do Rio Grande do Sul, costurada com os fios da nossa história.
Cada dobra, cada laço, é um símbolo da alma gaúcha. Ajusto o lenço e penso nos que me ensinaram a vesti-la: os homens que usavam o bombachão nas lidas do campo, os avós que o guardavam com zelo para os dias de baile, as mãos que trançaram o lenço com cuidado. Perto de mim, uma prenda ajeita seu vestido, com saias rodadas que dançam ao menor movimento, a blusa bordada reluzindo com esmero, e as tranças caindo gentis sobre os ombros.
A pilcha, para ela, é também um espelho da tradição, um traje que a liga às mulheres que fiavam, cantavam e dançavam sob o mesmo céu. O gaúcho, como esta indumentária, é feito de respeito, de uma elegância que vem da terra, de uma história que se veste com dignidade. Penso em vós, que me mostrastes o valor de carregar estas roupas com altivez. No galpão, a dança já começa, e os bombachões giram com as saias, enquanto as botas marcam o compasso no assoalho.
Um velho gaúcho, com o chapéu inclinado, sorri ao ver os guris vestindo a pilcha pela primeira vez, enquanto uma mãe ajuda a filha a ajustar o vestido, ensinando-a a carregar a prenda com graça. Estes momentos, tão cheios de vida, são o que nos enraíza à pampa. A pilcha ensina a caminhar com firmeza, a dançar com leveza, a honrar o passado em cada gesto. Como o lenço que se amarra firme, o gaúcho aprende a segurar suas raízes, com orgulho que não esmorece.
A pilcha também vive nas canções. Os versos de Gaúcho da Fronteira, as melodias de Os Bertussi, falam de bombachões e vestidos, de um pago que se veste para celebrar. Quando a gaita toca uma vaneira, é como se a própria pilcha dançasse, movendo-se com os casais nos galpões, onde o mate circula e os olhos brilham com a alegria da festa. A alma gaúcha se reflete nestes sons, que cruzam as coxilhas e chegam às cidades, unindo gerações num só traje.
Na cidade, a pilcha da tradição se faz presente de outro modo. Nos CTGs, onde o povo veste bombachão e vestido de prenda para dançar, nos desfiles da Semana Farroupilha, onde as ruas se enchem de cores e orgulho, nas feiras onde se vendem lenços e botas feitos à mão. Até nas fotos antigas, guardadas com carinho nas casas, há um reflexo desta indumentária, que lembra a pampa mesmo entre os muros.
O gaúcho da cidade, mesmo sem o cavalo ou o galpão, carrega a pilcha no coração, na memória de uma querência que pulsa em cada dobra do tecido. Mas a pilcha também nos interpela. Como manter suas cores vivas num mundo que troca o feito à mão pelo passageiro? Como ensinar aos guris que estas roupas não são apenas traje, mas o pulsar da nossa história? A resposta está no exemplo: na pilcha que vestimos, na dança que ensinamos, no orgulho que transmitimos.
Cada bombacha amarrada, cada vestido rodado, é um laço que mantém viva a tradição; cada passo dado com a pilcha, um fio que nos liga ao passado. A noite avança, e o galpão pulsa com a dança, com as pilchas girando em harmonia. Ajusto o chapéu, com o coração cheio de querência, e sigo para a roda.
A festa continua, mas a pilcha permanece comigo. E na certeza de que a alma gaúcha é como esta pilcha: firme, bela, eterna. Enquanto houver um gaúcho vestindo bombachão ou uma prenda girando o vestido na pampa, haverá um traje para nos lembrar quem somos, guiando-nos pelo Rio Grande, onde a tradição e o coração se vestem juntos.
Capítulo 76: O Tropeiro Da Memória
Quando o sol desponta sobre as coxilhas e a pampa se veste de luz, eu me ponho a caminho, como um tropeiro de outrora, guiando não mulas, mas as memórias que carrego no peito. O tropel dos cascos ecoa em minha mente, e o ranger das carretas parece soar ao longe, trazendo o passado para junto de mim. Paro ali, com o vento soprando leve, e sinto que o tropeiro não é apenas aquele que cruza a campanha; é quem leva consigo as histórias do Rio Grande do Sul, guardadas como carga preciosa. Cada causo, cada lembrança, é um fardo que sustento com orgulho.
Ajusto o chapéu e sigo a trilha, imaginando os caminhos antigos, onde meus antepassados conduziam o gado, enfrentando poeira, chuva e solidão. Cada passo deles deixou marcas na terra, assim como suas vozes deixaram rastros em mim: os causos contados à beira do fogo, as risadas sob o céu estrelado, os silêncios que falavam mais que palavras. O gaúcho, como tropeiro da memória, é feito de jornadas, de coração que carrega o peso do passado sem jamais parar, penso em vós, que me legastes estas histórias, ensinando-me a guiá-las com cuidado, como quem conduz uma tropa.
Perto dali, um velho sentado no alpendre narra a um guri as façanhas de um tio tropeiro, enquanto, mais adiante, uma mulher tece uma manta, contando às filhas os tempos de sua avó. Estes momentos, tão simples, são o que nos enraíza à pampa. O tropeiro da memória ensina a carregar o que é valioso, a contar o que não pode ser esquecido, a honrar o que nos fez quem somos. Como a carreta que segue firme apesar do terreno, o gaúcho aprende a avançar, com as lembranças como guia.
As memórias do tropeiro também vivem nas canções. Os versos de Luiz Marenco, as melodias de Joca Martins, falam de tropeadas e de estradas, de um pago que pulsa nas histórias contadas. Quando a gaita toca uma toada, é como se o próprio tropeiro cantasse, carregando seus causos pelos galpões, onde o mate aquece as mãos e os olhos brilham com o passado revisitado. A alma gaúcha ressoa nestes sons, que cruzam as coxilhas e chegam às cidades, unindo gerações num só relato.
Na cidade, o tropeiro da memória se faz presente de outro modo. Nos CTGs, onde os causos são narrados com fervor, nas bibliotecas onde os livros guardam as façanhas dos antigos, na Semana Farroupilha, quando o povo revive as tropeadas em desfiles e canções. Até nas conversas dos bares, onde se fala dos avós que cruzavam a campanha, há um eco deste tropeiro. O gaúcho da cidade, mesmo sem o cavalo ou a carreta, carrega estas memórias no coração, na saudade de uma pampa que pulsa em cada história.
Mas o tropeiro da memória também nos interpela. Como manter viva a carga das histórias num mundo que corre sem olhar para trás? Como ensinar aos guris que estas lembranças não são apenas palavras, mas o alicerce da nossa história? A resposta está na narração: no causo que contamos, na lição que passamos, no orgulho que transmitimos. Cada história partilhada é um passo que mantém viva a tropeada; cada memória, uma roda que gira na trilha do tempo.
O sol sobe mais alto, e sigo meu caminho, com as memórias pesando leve no peito, como uma tropa bem guiada. A pampa fica, mas o tropeiro permanece comigo. E na certeza de que a alma gaúcha é como este tropeiro: firme, carregada, eterna. Enquanto houver um causo ecoando na campanha, haverá um tropeiro para nos lembrar quem somos, guiando-nos pelo Rio Grande, onde a memória e o coração cavalgam juntos.
Capítulo 77: O Ritmo Das Danças
Quando a noite toma o galpão e as luzes do Centro de Tradições Gaúchas (CTG) brilham com fervor, eu me ponho na roda, onde o som do acordeon chama e os pés já buscam o compasso. As danças gaúchas a chula, a vaneira, o bugio, a milonga são mais que passos ensaiados; são o pulsar da alma do Rio Grande do Sul, que se expressa em cada giro, em cada batida. Paro ali, com a prenda ao meu lado, e sinto que estas danças são o coração da querência, um laço que une gerações no ritmo da tradição. O galpão vibra, e o som do violão, do tambor e do pandeiro faz a pampa dançar comigo.
Tomo-a pela mão, e seguimos a vaneira, com passos rápidos que levantam poeira do assoalho. A chula vem em seguida, com sua disputa de sapateados, onde o gaúcho mostra destreza e graça. O bugio, com seu ritmo que imita o macaco, traz risos, enquanto a milonga, lenta e sentida, embala os corações. Cada dança carrega a história dos meus antepassados: os bailes nas estâncias, as festas sob o céu estrelado, os encontros onde a música unia a campanha.
O gaúcho, como estas danças, é feito de equilíbrio, de uma força que se alia à leveza, de uma alma que canta no movimento. Penso em vós, que me ensinastes a dançar com orgulho, a carregar a tradição nos pés. Perto dali, um grupo de guris ensaia a chula, com sapateios tímidos que logo ganham confiança, enquanto, mais adiante, um casal de velhos dança a milonga com a serenidade de quem conhece cada nota.
Uma prenda ajeita a saia rodada, rindo com as amigas, e um gaúcho ajusta o lenço, pronto para o próximo compasso. Estes momentos, tão cheios de vida, são o que nos enraíza à pampa. As danças ensinam a ouvir a música, a respeitar o par, a encontrar beleza na harmonia do grupo. Como o acordeon que puxa o ritmo, o gaúcho aprende a seguir o compasso, com os pés firmes na tradição.
As danças também vivem nas canções. Os acordes de Os Monarcas, as vozes de Os Farroupilhas, falam de bailes que atravessam a noite, de galpões onde o povo se junta para dançar. Quando o tambor marca o tempo ou o pandeiro dá leveza à melodia, é como se as próprias danças cantassem, convidando todos a girarem, a rirem, a celebrarem. A alma gaúcha brilha nestes ritmos, que sobem das coxilhas e ecoam nos CTGs, unindo gerações num só passo.
Cada melodia é um convite, cada dança é uma história contada com o corpo. Na cidade, o ritmo das danças se faz presente de outro modo. Nos CTGs de Porto Alegre, Caxias do Sul ou Passo Fundo, onde as famílias aprendem os passos da vaneira e da chula, nas praças onde os grupos se apresentam, na Semana Farroupilha, quando as ruas se enchem de música e movimento.
Até nos olhares dos que assistem, com saudade ou curiosidade, há um reflexo destas coreografias. O gaúcho da cidade, mesmo sem o galpão por perto, carrega o ritmo no sangue, na memória de uma pampa que pulsa em cada giro, em cada sapateio. Mas as danças também nos interpela. Como manter o compasso num mundo que corre fora do ritmo? Como ensinar aos guris que estes passos não são apenas coreografia, mas o pulsar da nossa história?
A resposta está na roda: na dança que ensinamos, na música que tocamos, no orgulho que transmitimos. Cada sapateio na chula, cada giro na vaneira, é um laço que mantém viva a tradição; cada milonga dançada, um fio que nos liga ao passado. A noite avança, e o galpão segue vibrando, com o acordeon puxando a alma da pampa. Termino a dança, com o coração batendo no compasso da música, e saúdo a prenda com um sorriso.
O baile continua, mas o ritmo permanece comigo. E na certeza de que a alma gaúcha é como estas danças: viva, forte, eterna. Enquanto houver um acordeom tocando no Rio Grande, haverá um compasso para nos lembrar quem somos, guiando-nos pela pampa, onde a música e o coração dançam juntos.
Capítulo 78: A Voz Do Pampa
Quando o crepúsculo se derrama sobre as coxilhas e o céu do Rio Grande do Sul se tinge de laranja, eu me ponho a escutar o murmúrio da pampa, que fala em tons de vento, relva e saudade. A voz do pampa não se ouve apenas com os ouvidos, mas com o coração; é um chamado que ressoa nas entranhas de quem carrega esta terra no peito. Paro sob um céu vasto, onde as estrelas começam a piscar, e sinto que cada som, cada eco, carrega a história de um povo que viveu, lutou e cantou nestas planícies. Esta voz, tão antiga quanto o chão que piso, é o alento da alma gaúcha.
Abaixo-me para tocar a terra, sentindo sob os dedos o pulsar de uma pampa que nunca se cala. O vento sopra, carregando o canto dos quero-queros, o mugir distante do gado, o ranger das porteiras nos campos. Estes sons são a voz viva da querência, que fala dos meus antepassados: dos lanceiros que cruzaram estas coxilhas em batalhas, dos tropeiros que guiaram suas mulas sob tempestades, das mulheres que entoavam cantigas enquanto fiavam lã ao luar. Penso em vós, que me destes a força de ouvir esta terra com respeito e reverência.
Perto dali, um peão assobia enquanto conduz o gado, sua melodia misturando-se ao som do casco contra o chão. Mais adiante, uma criança corre pelo campo, gritando de alegria, e sua voz se junta ao coro da pampa. Estes instantes, tão simples, são o que nos faz gaúchos. A voz do pampa ensina a ouvir com atenção, a encontrar poesia no cotidiano, a reconhecer que cada som é um fio que nos liga à história. Como o vento que não para, o gaúcho aprende a falar com firmeza, mas também a calar-se para escutar.
Esta voz ressoa nas canções que ecoam pelos galpões. Os versos de Cenair Maicá, as melodias de César Passarinho, falam de campos e de ventos, de um pago que vive na garganta do campeiro. Quando a gaita puxa uma vaneira ou uma milonga, é como se a própria pampa cantasse, levando suas histórias aos galpões onde o povo se reúne, com o mate na mão e o coração aberto. A alma gaúcha pulsa nestes acordes, que cruzam as invernadas e chegam às cidades, unindo gerações num só canto.
Na cidade, a voz do pampa toma outros tons. Nos Centros de Tradições Gaúchas, onde se dançam chulas e bugios, nos parques onde o povo entoa o hino riograndense, na Semana Farroupilha, quando as ruas se enchem de orgulho. Até nas conversas de bar, onde se contam causos com um sorriso, há um eco desta voz que não se apaga. O gaúcho da cidade, mesmo entre prédios e asfalto, carrega a pampa na memória, no jeito de falar, no brilho dos olhos que ainda sonham com o campo.
Mas esta voz também nos desafia. Como manter seu som claro num mundo que abafa com ruídos? Como ensinar aos guris que a pampa não é apenas terra, mas uma canção que nos define? A resposta está na partilha: no causo que narramos, na dança que ensinamos, no orgulho que transmitimos. Cada palavra dita com sotaque campeiro é um sopro que mantém viva a voz do pampa; cada história contada, um eco que a faz ressoar.
A noite cai, e a voz do pampa ganha força, como se as estrelas fossem suas notas. Levanto-me, com o coração cheio de seus sons, e sigo meu caminho. A pampa fica, mas sua voz permanece comigo. E na certeza de que a alma gaúcha é como esta voz: clara, forte, eterna. Enquanto houver um vento soprando nas coxilhas, haverá uma canção para nos lembrar quem somos, guiando-nos pelo Rio Grande, onde a terra e a alma se encontram na melodia da vida.
Capítulo 79: O Clamor Dos Rodeios
Quando o sol se ergue sobre as coxilhas do Rio Grande do Sul, eu me dirijo ao campo onde o chão vibra com o tropel dos cavalos e o grito dos laçadores. Os rodeios crioulos, coração pulsante da lida campeira, reúnem o povo da pampa em um clamor que ecoa pelas invernadas. Paro junto à cerca, com o cheiro de terra e couro no ar, e vejo o gaúcho em sua essência: firme na sela, laço na mão, olhos fixos no desafio. Estes eventos, como a Semana Farroupilha, que celebra a Revolução de 20 de setembro, são mais que festas; são o espelho da alma gaúcha, forjada na coragem e na tradição.
Ajoelho-me para amarrar as esporas, sentindo o peso da responsabilidade que carrego, como os antigos farrapos que lutaram por esta terra. O rodeio é um palco onde se encenam as façanhas do passado: a gineteada, onde o peão doma o cavalo bruto com equilíbrio e destreza; o tiro de laço, que exige precisão e rapidez; as corridas, onde o galope ressoa como trovão. Penso nos meus antepassados, nos homens que cruzavam a pampa com rebanhos, enfrentando o vento e a solidão, e nas mulheres que, com igual bravura, sustentavam o rancho e a família.
Perto dali, um ginete se prepara, ajustando o chapéu enquanto o cavalo relincha, inquieto. Mais adiante, a multidão aplaude um laçador que acerta o alvo com um giro perfeito da corda. No acampamento, famílias se reúnem sob as lonas, compartilhando o mate e os causos, enquanto crianças correm, imitando os peões com varinhas que fingem ser laços. Estes instantes, tão vivos, são o que nos une à querência. O rodeio ensina a honrar a lida, a respeitar o animal, a valorizar a comunidade que se forma em torno do fogo e da roda.
A Semana Farroupilha, com seus desfiles a cavalo e apresentações culturais, é o ápice desta celebração. As bandeiras tremulam, o hino ressoa, e o povo marcha com o peito estufado, recordando os heróis de 1835. As danças, as músicas, os versos declamados nos galpões trazem à tona a voz de poetas como Aparício Silva Rillo, que cantaram a bravura do gaúcho. Quando a gaita toca uma vaneira, é como se o próprio campo vibrasse, unindo os que estão na sela aos que assistem, todos partilhando o mesmo orgulho.
Na cidade, o clamor dos rodeios se faz sentir de outro modo. Em Porto Alegre, em Bagé, em Santana do Livramento, os Centros de Tradições Gaúchas (CTGs) mantêm viva a chama da cultura campeira. Nos desfiles, cavalos e cavaleiros cruzam as ruas, enquanto o povo aplaude, com os olhos brilhando de pertencimento. Até nas conversas dos bares, onde se discute a melhor gineteada ou o laço mais preciso, há um eco do rodeio, que pulsa como o coração da pampa.
Mas o rodeio também nos provoca. Como manter viva esta tradição num mundo que corre apressado? Como mostrar aos guris que o laço e a sela não são apenas ferramentas, mas símbolos da nossa história? A resposta está na vivência: no cavalo que emprestamos, no causo que narramos, no respeito que ensinamos. Cada prova no rodeio é um fio que tece a memória; cada aplauso, uma chama que mantém acesa a tradição.
O sol começa a baixar, e o campo se enche de sombras, mas o clamor do rodeio não se cala. Levanto-me, com a poeira ainda nas botas, e sigo meu caminho. O tropel fica para trás, mas seu eco permanece comigo. E na certeza de que a alma gaúcha é como este rodeio: vibrante, forte, eterna. Enquanto houver um laço girando na pampa, haverá um clamor para nos lembrar quem somos, guiando-nos pelo Rio Grande, onde coragem e tradição encontram na poeira do campo.
Capítulo 80: A Lida Da Tradição Campeira
Quando a aurora tinge de rosa as coxilhas do Rio Grande do Sul, eu monto meu cavalo e sigo para a invernada, onde o mugido do gado ecoa como um chamado ancestral. A vida no campo, rude e verdadeira, moldou o gaúcho com suas práticas de lida, onde o cavalo, o laço e o rebanho são mais que ferramentas: são extensões do coração campeiro. Paro junto ao potreiro, com as rédeas firmes nas mãos, e sinto a terra pulsar sob os cascos, como se ela própria narrasse as façanhas de quem veio antes de mim.
Esta é a tradição campeira, o alicerce da alma gaúcha, forjado na lida diária e na reverência ao pago. Abaixo-me para ajustar a sela, sentindo o couro gasto que carrega as marcas de tantas jornadas. O cavalo, companheiro fiel, move-se com a calma de quem conhece o ofício, pronto para apartar o gado ou cruzar as coxilhas. O laço, enrolado com cuidado, pende ao meu lado, pronto para girar com a precisão que só a prática ensina, pense nos meus antepassados, nos peões que tocavam rebanhos por trilhas de poeira, nos tropeiros que enfrentavam frio e chuva, guiados pela estrela do sul.
Cada movimento na lida carrega o peso de suas histórias, perto dali, um companheiro laça um novilho com um giro limpo, enquanto outro peão conduz o rebanho com assovios e gritos que o gado entende como ordens. Mais adiante, no potreiro, um guri aprende a montar, com os olhos brilhando de orgulho e medo. Estes instantes, tão simples, são o que nos enraíza à pampa. A tradição campeira ensina a ser firme, mas paciente; a dominar o cavalo, mas respeitá-lo; a manejar o laço, mas nunca esquecer a humildade.
Como o vento que molda o capim, o gaúcho se forma na lida, aprendendo a ser uno com a terra, nos Centros de Tradições Gaúchas (CTGs), a lida ganha palco. Ali, as habilidades campeiras são exibidas em competições que celebram a destreza do peão: a gineteada, onde o cavalo bruto desafia o equilíbrio; o tiro de laço, que exige o olhar aguçado; as provas de rédea, onde a harmonia entre cavaleiro e montaria se faz arte. As canções de Pedro Ortaça e os versos de Mauro Moraes ecoam nos galpões, falando de invernadas e de lidas, de um pago que vive em cada giro do laço.
Quando o acordeom ressoa, é como se a própria pampa cantasse, unindo os que competem aos que assistem, todos irmanados pela mesma paixão, na cidade, a tradição campeira se manifesta de outro modo. Em Vacaria, em Passo Fundo, em Alegrete, os CTGs são faróis da cultura gaúcha, onde o jovem aprende a laçar e o velho ensina os segredos da sela, na Semana Farroupilha, quando os cavalos desfilam pelas ruas e o povo se reúne em acampamentos, a lida campeira é celebrada com orgulho.
Até nas escolas, onde os guris ouvem causos dos peões, há um eco desta tradição, que pulsa como o coração do Rio Grande, porém a lida também nos desafia. Como manter vivas estas práticas num mundo que troca o cavalo pela máquina? Como mostrar aos jovens que o laço não é apenas corda, mas um fio que nos liga à história? A resposta está na vivência: na sela que compartilhamos, no ensinamento que passamos, no respeito que semeamos. Cada laço atirado é um gesto que mantém viva a tradição; cada cavalgada, um passo que perpetua a memória.
O sol sobe mais alto, e o potreiro brilha com a poeira levantada pelos cascos. Levanto-me, com o cheiro de couro e terra nas mãos, e sigo meu caminho. A lida fica para trás, mas seu espírito permanece comigo. E na certeza de que a alma gaúcha é como esta tradição campeira: firme, viva, eterna. Enquanto houver um cavalo galopando na pampa, haverá um laço para nos lembrar quem somos, guiando-nos pelo Rio Grande, onde a lida e o coração se encontram na vastidão do dos campos do nosso chão.
Capítulo 81: O Brilho Da Estrela D'Álva
Quando o crepúsculo abraça as coxilhas do Rio Grande do Sul e o céu se tinge de tons dourados, eu me sento num outeiro, com os olhos voltados para o horizonte onde a Estrela d'Álva brilha, firme e serena. Este astro, que guia os campeiros nas noites de lida, é mais que uma luz no firmamento; é o farol da alma gaúcha, que ilumina os caminhos da pampa e da memória. Paro ali, sentindo a brisa fresca roçar-me o rosto, e contemplo seu brilho, que parece sussurrar histórias antigas, de tropeiros, de batalhas e de amores que cruzaram estas terras.
A Estrela d'Álva, com sua luz constante, é o espelho da querência, que nunca se apaga, abaixo-me para apanhar uma pedra lisa, moldada pelo vento e pela chuva, e sinto sob os dedos a textura da terra que me formou. A Estrela d'Álva, como esta pampa, é testemunha de tudo o que somos: dos passos dos meus antepassados, que seguiam sua luz nas noites sem lua; dos ranchos onde as famílias se aqueciam sob seu brilho; dos causos contados à beira do fogo, quando sua presença no céu era o sinal de que a noite seria clara.
Penso neles, nos homens que erguiam lanças sob o mesmo céu, nas mulheres que fiavam sonhos enquanto olhavam para o alto, guiadas por sua luz. Perto dali, um peão amarra o cavalo após a lida, com a Estrela d'Álva refletindo em seus olhos cansados, mas cheios de orgulho. Mais adiante, uma criança aponta para o céu, perguntando à mãe o nome daquela luz que parece dançar. Estes momentos, tão singelos, são o que nos liga à pampa. A Estrela d'Álva ensina a olhar para o alto, a encontrar direção na escuridão, a confiar que o amanhecer sempre vem.
Como o gaúcho, que enfrenta as tormentas da vida, ela brilha sem se apagar, firme em sua constância, nas canções, a Estrela d'Álva também se faz presente. Os versos de Cenair Maicá, as melodias de Elton Saldanha, falam de noites estreladas e de caminhos guiados por sua luz. Quando o violão ressoa uma milonga, é como se a própria estrela cantasse, iluminando os galpões onde o mate circula e os corações se encontram. A alma gaúcha se aquece nestes sons, que cruzam as coxilhas e chegam às cidades, levando o brilho da tradição para além do campo.
Na cidade, a Estrela d'Álva aparece de outro modo. Em Caxias do Sul, em Pelotas, em São Borja, ela brilha sobre as praças onde o povo se reúne, sobre os CTGs onde as danças celebram a querência, sobre as varandas onde o gaúcho olha o céu e lembra do pago. Na Semana Farroupilha, quando as bandeiras tremulam e o hino ressoa, é a luz da estrela que inspira o orgulho de ser gaúcho. Até nas conversas dos amigos, que apontam para o céu ao fim de um churrasco, há um reflexo desta luz, que guia e acolhe.
Mas a Estrela d'Álva também nos questiona. Como seguir seu brilho num mundo que se ilumina com luzes artificiais? Como ensinar aos guris que esta estrela não é apenas um ponto no céu, mas um farol da nossa história? A resposta está na memória: no causo que contamos, no respeito que semeamos, no olhar que dirigimos ao céu. Cada noite que contemplamos a Estrela d'Álva é um laço que mantém viva a tradição; cada história narrada, um raio que perpetua sua luz a qual banha os rincões da alma pampiana.
A noite se aprofunda, e a Estrela d'Álva brilha ainda mais forte, como se quisesse me guiar por mais uma jornada. Levanto-me, com o coração aquecido por sua luz, e sigo meu caminho. O céu fica, mas seu brilho permanece comigo. E na certeza de que a alma gaúcha é como esta Estrela d'Álva: clara, forte, eterna. Enquanto houver uma luz brilhando sobre a pampa, haverá um farol para nos lembrar quem somos, guiando-nos pelo Rio Grande, onde o céu e o coração se encontram na vastidão da noite.
Capítulo 82: O Sussurro Do Vento Minuano
Quando o entardecer cobre as coxilhas do Rio Grande do Sul com um véu dourado, eu me ponho na beira de um campo aberto, onde o Vento Minuano sopra frio e cortante, como se trouxesse em seu sussurro as vozes da pampa. Este vento, que desce das serras e varre a planície, é mais que um sopro gelado; é o alento da querência, que acaricia a alma gaúcha e murmura causos de tempos idos. Paro ali, com o lenço firme no pescoço, e sinto sua força roçar-me o rosto, trazendo o aroma de capim seco e terra antiga.
O Minuano, com seu canto selvagem, é o guardião das histórias que moldaram este pago, abaixo-me para tocar a relva, que se curva sob o peso do vento, e sinto a firmeza do chão que resiste às suas investidas. O Minuano é testemunha de tudo o que somos: das cavalgadas dos meus antepassados, que enfrentavam sua fúria nas tropeadas; dos ranchos onde as famílias se abrigavam, com o fogo crepitando contra o frio; das noites em que os velhos contavam lendas, enquanto o vento uivava lá fora.
Penso neles, nos peões que amarravam o chapéu contra suas rajadas, nas mulheres que fechavam as janelas, mas abriam o coração para a pampa, perto dali, um cavaleiro galopa, com o poncho esvoaçante, lutando contra o Minuano que tenta desacelerá-lo. Mais adiante, uma criança corre pelo campo, rindo enquanto o vento bagunça seus cabelos. Estes instantes, tão vivos, são o que nos liga à terra. O Vento Minuano ensina a ser resiliente, a enfrentar o frio com coragem, a ouvir os silêncios que ele carrega.
Como o gaúcho, que enfrenta as adversidades da vida, o Minuano sopra sem ceder, mas sempre traz consigo a promessa de um novo dia, nas canções, o Vento Minuano também se faz ouvir. Os versos de José Cláudio Machado, as melodias de César Passarinho, falam de ventos que cortam a pampa e de saudades que sopram no peito do campeiro. Quando a gaita entoa uma vaneira, é como se o próprio Minuano dançasse, levando sua força aos galpões onde o mate aquece as mãos e os olhares se cruzam, cheios de cumplicidade.
A alma gaúcha respira nestes sons, que cruzam as coxilhas e ecoam nas cidades, carregando o sussurro da tradição, na cidade, o Minuano toma outros caminhos. Em Porto Alegre, em Santa Maria, em Cruz Alta, ele sopra pelas ruas, refrescando as praças onde o povo se reúne e os CTGs celebram a cultura gaúcha. Na Semana Farroupilha, quando as bandeiras tremulam e o hino ressoa, é o Vento Minuano que as faz vibrar, como se quisesse unir todos sob o mesmo céu, até nos apartamentos, onde o gaúcho sente o vento frio entrando pela janela.
Há um eco deste sopro, que lembra o pago distante, Mas o Minuano também nos interpela. Como ouvir seu sussurro num mundo que abafa as vozes da natureza? Como ensinar aos guris que este vento não é apenas frio, mas um portador da nossa história? A resposta está na escuta: no silêncio que fazemos, no causo que narramos, no respeito que semeamos. Cada rajada do Minuano é um fio que tece a memória; cada vez que o sentimos, é uma chance de nos reconectarmos com a pampa.
A noite cai, e o Vento Minuano ganha força, como se quisesse me contar mais um segredo. Levanto-me, com o rosto gelado por seu toque, e sigo meu caminho. O vento fica, correndo pela pampa, mas seu sussurro permanece comigo. E na certeza de que a alma gaúcha é como este Minuano: forte, livre, eterna. Enquanto houver um sopro cruzando as coxilhas, haverá um sussurro para nos lembrar quem somos, guiando-nos pelo Rio Grande, onde o vento e o coração se encontram na vastidão do campo.
Capítulo 83: O Sabor Da Culinária Campeira
Quando o meio-dia aquece as coxilhas do Rio Grande do Sul e o aroma de lenha queimada sobe do fogão, eu me sento à mesa de um rancho, onde a culinária campeira reúne a gente em torno de pratos que falam da terra. Além do churrasco, com suas brasas crepitando, há o arroz carreteiro, o feijão mexido e a paçoca de pinhão, sabores que carregam a alma gaúcha em cada garfada. Paro ali, com a colher na mão, e sinto que estes pratos, simples e fartos, são mais que comida; são a memória da pampa.
Iguarias forjadas pela influência indígena e tropeira, que transformou ingredientes humildes em manjares do coração, abaixo-me para ajudar a preparar o fogo, enquanto o cheiro do arroz carreteiro, com sua carne seca desfiada, começa a encher o ar. Cada grão absorve a história dos tropeiros que, nas longas jornadas, cozinhavam em panelas de ferro sobre a fogueira. O feijão mexido, com seu toque de farinha e gordura, remete aos dias de lida, quando o gaúcho precisava de sustento para enfrentar o campo.
A paçoca de pinhão, feita com a semente dos pinheiros que sombreiam a serra, traz o sabor da terra, colhida com respeito às lições dos povos indígenas. Penso nos meus antepassados, que compartilhavam estas refeições sob o céu aberto, com a pampa como testemunha. Perto dali, uma prenda mexe a panela, ajustando o tempero com o cuidado de quem herdou receitas de gerações. Mais adiante, guris colhem pinhões caídos, rindo enquanto planejam a paçoca que adoçará o dia. Estes momentos, tão naturais, são o que nos enraíza à querência.
A culinária campeira ensina a valorizar o que a terra dá, a transformar o simples em farto, a reunir a família e os amigos em torno da mesa. Como o gaúcho, que faz muito com pouco, estes pratos são prova de que a simplicidade carrega força.
Nos galpões, a comida também tem sua voz. As canções de Telmo de Lima Freitas, os versos de João Sampaio, falam de fogueiras e panelas, de sabores que aquecem o peito do campeiro. Quando o acordeon toca uma rancheira, é como se o próprio arroz carreteiro cantasse, unindo os que se sentam à mesa, onde o mate circula e os causos ganham vida. A alma gaúcha se nutre nestes sabores, que cruzam as coxilhas e chegam às cidades, levando a essência do campo em cada prato, na cidade, a culinária campeira se faz presente de outro modo.
Em Santana do Livramento, em Dom Pedrito, em São Gabriel, os restaurantes servem carreteiro e feijão mexido, enquanto as feiras oferecem pinhões torrados. Na Semana Farroupilha, quando o povo se reúne em acampamentos, o cheiro do churrasco e da paçoca de pinhão enche o ar, reavivando memórias do pago. Até nas cozinhas das casas, onde uma avó ensina a neta a sovar o pinhão, há um eco desta tradição, que pulsa como o coração do Rio Grande. Mas a culinária campeira também nos questiona.
Como manter vivos estes sabores num mundo que prefere o pronto e o rápido? Como ensinar aos guris que o carreteiro não é apenas arroz, mas a história de um povo? A resposta está na partilha: na receita que passamos, no pinhão que colhemos, no respeito que ensinamos. Cada prato preparado é um laço que mantém viva a tradição; cada refeição compartilhada, um fio que nos liga ao passado. O sol começa a baixar, e o aroma da comida ainda paira no ar, aquecendo-me o coração.
Levanto-me, com o sabor do pinhão na boca, e sigo meu caminho. A mesa fica, mas sua memória permanece comigo, e com a certeza de que a alma gaúcha é como esta culinária campeira: farta, forte, eterna. Enquanto houver um fogo crepitando na pampa, haverá um sabor para nos lembrar quem somos, guiando-nos pelo Rio Grande, onde a terra e o paladar se encontram na simplicidade da vida.
Capítulo 84: O Silêncio Das Invernadas
Quando o crepúsculo se estende sobre a pampa e as sombras se alongam nas invernadas, eu me ponho a caminhar pelos campos onde o gado repousa, e o silêncio se faz senhor. As invernadas, vastas e serenas, são o coração do Rio Grande do Sul, onde a terra descansa e o gaúcho reflete. Paro ali, sob o céu que se tinge de roxo, e escuto o silêncio, que não é vazio, mas cheio de vozes antigas, de histórias que sussurram na brisa fria. Este silêncio é a alma da pampa, que fala baixo, mas fala fundo, lembrando-me quem sou.
Abaixo-me para tocar o capim, ainda quente do sol que se foi, e sinto a textura da terra que guarda o suor de gerações. Cada braça destas invernadas carrega as marcas dos que aqui viveram: o casco dos cavalos, o peso das carroças, o passo firme dos peões que apartam o gado. O gaúcho, como estas terras, é moldado pela quietude, pela espera paciente do tempo certo, pela força que brota do silêncio. Penso nos meus antepassados, nos homens que dormiam sob as estrelas, nas mulheres que cantavam para os filhos ao cair da noite.
Perto dali, um peão vigia o rebanho, com o olhar perdido no horizonte, enquanto, mais além, o canto de um grilo corta a calmaria. Estes instantes, tão simples, são o que nos enraíza às invernadas. O silêncio ensina a ouvir: o mugido distante, o farfalhar do vento, o pulsar da própria alma. Como a terra que se aquieta no inverno para florescer na primavera, o gaúcho aprende a encontrar força na pausa, a renovar-se na quietude.
As invernadas também ecoam nas canções. Os versos de Telmo de Lima Freitas, as melodias de César Passarinho, falam de campos abertos e noites sem fim, de um pago que vive no coração do campeiro. Quando a gaita toca uma chamarrita, é como se o silêncio ganhasse voz, levando suas notas aos galpões onde o fogo aquece e o mate circula, unindo olhares cheios de entendimento.
A alma gaúcha respira nestes sons, que cruzam as invernadas e chegam às cidades, carregando a essência do campo, na cidade, o silêncio das invernadas se faz presente de outro modo. Nos parques onde o povo se reúne, nas praças onde os velhos contam causos, na Semana Farroupilha, quando o hino ressoa e o coração se enche de orgulho. Até nas ruas barulhentas, onde o gaúcho carrega a memória do campo, há um eco desta quietude.
O gaúcho da cidade, mesmo distante das invernadas, guarda em si o silêncio da pampa, que o lembra de suas raízes, no entanto o silêncio também nos desafia. Como preservar esta calma num mundo que grita? Como ensinar aos guris que as invernadas não são apenas terras, mas um espelho da nossa história? A resposta está na memória: na história que contamos, no respeito que semeamos, no silêncio que compartilhamos.
Cada passo dado nestes campos é uma semente que mantém viva a tradição; cada pausa, um laço que nos prende ao passado, a noite cai, e as invernadas se cobrem de estrelas, com o silêncio agora mais profundo, quase sagrado. Levanto-me, com o cheiro da terra ainda nas mãos, e sigo meu caminho.
As invernadas ficam para trás, mas seu silêncio permanece comigo. E na certeza de que a alma gaúcha é como este silêncio: profunda, forte, eterna. Enquanto houver uma invernada sob o céu do Rio Grande, haverá um espelho para nos lembrar quem somos, guiando-nos pelas coxilhas, onde a terra e o coração se encontram na quietude da vida.
Capítulo 85: O Coração Dos CTGs
Quando a tarde se inclina e o sol dourado acaricia as coxilhas, eu me dirijo ao galpão de um Centro de Tradições Gaúchas, onde o pulsar da alma gaúcha ressoa em cada canto. Os CTGs, sentinelas da nossa cultura, erguem-se como altares da tradição no Rio Grande do Sul, lugares onde se guardam as raízes do nosso povo. Paro à entrada, com o som da gaita já ecoando ao longe, e sinto que aqui, entre as paredes de um galpão, vive a essência do que somos. Este é o coração da pampa, que bate forte, unindo gerações no orgulho de ser gaúcho.
Entro e vejo a roda de mate circulando, as prendas com seus vestidos rodados, os peões com suas pilchas bem postas. Cada gesto, cada olhar, carrega a memória de um passado que não se apaga. O Movimento Tradicionalista Gaúcho, nascido em 1966, plantou estas sementes, e os CTGs são o chão fértil onde elas florescem. Penso nos que vieram antes de mim, nos fundadores que, com paixão, ergueram estes espaços para que a chama da tradição não se extinguisse. Aqui, contigo, eu vejo a história viva, dançando ao som da vaneira.
No pátio, jovens praticam o tiro de laço, com a corda girando firme nas mãos, enquanto, no galpão, casais ensaiam os passos da chula e do bugio. Estes movimentos, tão precisos, são mais que coreografias; são o reflexo da lida campeira, da vida que pulsa na pampa. O CTG é uma escola onde se aprende a ser gaúcho: nas aulas de dança, nos cursos de história, nas competições que celebram a destreza do laço e da gineteada. Como o cavalo que obedece ao freio, o gaúcho aprende aqui a honrar suas raízes com disciplina e amor.
A música é o alento destes galpões. As canções de Pedro Ortaça, os versos de Aparício Silva Rillo, falam de um Rio Grande que vive nos CTGs, onde a gaita, o violão e o pandeiro dão voz à nossa alma. Quando a milonga ressoa, é como se o próprio chão do galpão cantasse, convidando a todos para a dança, onde o giro das prendas e o sapateio dos peões contam histórias de coragem e saudade. A alma gaúcha brilha nestes momentos, unida pelo mate que passa de mão em mão e pelos olhares que se encontram, cheios de entendimento.
Fora dos galpões, os CTGs também se fazem presentes. Na Semana Farroupilha, quando as cidades se enchem de desfiles a cavalo e acampamentos, é o espírito dos CTGs que guia o povo. Nos rodeios, nas feiras, nas conversas à beira do fogo, a tradição se espalha, alcançando até os que vivem longe da campanha. Mesmo na cidade, onde o asfalto substitui o capim, o gaúcho carrega o CTG no peito, na memória de um galpão que nunca se esquece.
Mas os CTGs também nos desafiam. Como manter viva esta chama num mundo que corre apressado? Como mostrar aos guris que o galpão não é apenas um lugar, mas um espelho da nossa identidade? A resposta está na união: no mate que partilhamos, na dança que ensinamos, no orgulho que transmitimos. Cada evento, cada curso, cada competição é uma chispa que mantém aceso o fogo da tradição; cada história contada, um laço que nos prende ao passado. A noite avança, e o galpão do CTG brilha sob a luz das estrelas, com a música ainda ecoando e o mate ainda quente.
Levanto-me, com o coração cheio do que vi e vivi, e sigo meu caminho. O galpão fica para trás, mas seu pulsar permanece comigo. E na certeza de que a alma gaúcha é como este CTG: firme, viva, eterna. Enquanto houver um Centro de Tradições Gaúchas no Rio Grande, haverá um coração para nos lembrar quem somos, guiando-nos pelas coxilhas, onde a cultura e a alma se encontram na dança da vida.
Capítulo 86: A Sombra do Sinamomo
Quando o sol escaldante do meio-dia paira sobre a pampa e o calor faz a terra tremer, eu busco a sombra acolhedora de um Sinamomo, cuja copa larga oferece refúgio ao gaúcho cansado. Esta árvore, robusta e antiga, é um marco na paisagem do Rio Grande do Sul, um guardião silencioso que testemunha o passar dos dias e das gerações. Paro ali, sob seus galhos, e sinto a frescura da sombra, que não é apenas alívio para o corpo, mas consolo para a alma. O Cinamomo com suas raízes profundas, é um espelho da querência, que me lembra quem sou.
Apoio-me em seu tronco, áspero e firme, e contemplo as marcas que o tempo deixou em sua casca: sulcos que contam histórias de tropeadas, de encontros, de silêncios partilhados. Cada folha, cada ramo, carrega a memória dos que aqui descansaram: os tropeiros que ataram seus cavalos, os guris que brincaram em sua sombra, os velhos que contaram causos ao entardecer. O gaúcho, como este Cinamomo, é enraizado na terra, resistente ao vento e à seca, mas sempre pronto a oferecer abrigo. Penso em meus antepassados, que encontraram nestas sombras o repouso após a lida dura.
Perto dali, um peão amarra seu cavalo ao tronco, enquanto, mais adiante, uma família se reúne para o mate, com risos que ecoam sob a copa. Estes instantes, tão simples, são o que nos liga ao Cinamomo. Ele ensina a ser firme, mas acolhedor; a resistir às tempestades, mas a abrir os braços para quem precisa. Como suas raízes, que se espalham sob o chão, o gaúcho aprende a se firmar na tradição, a crescer sem esquecer de onde veio.
O ombu também vive nas canções da pampa. Os versos de José Cláudio Machado, as melodias de Elton Saldanha, falam de árvores que guardam segredos, de sombras que abrigam saudades. Quando a gaita toca uma rancheira, é como se o próprio Cinamomo cantasse, com suas folhas dançando ao vento, levando sua voz aos galpões onde o fogo crepita e o mate passa de mão em mão.
A alma gaúcha repousa nestas notas, que cruzam as coxilhas e chegam às cidades, carregando o frescor da sombra, na cidade, a memória do Cinamomo se faz presente de outro modo. Nos parques onde o povo se reúne, nas praças onde as crianças correm, na Semana Farroupilha, quando o orgulho gaúcho se inflama. Até nas ruas de concreto, onde o gaúcho sonha com o campo, há um eco desta árvore que acolhe.
O gaúcho da cidade, mesmo sem um Cinamomo por perto, carrega sua sombra no coração, na lembrança de uma pampa que nunca se apaga, o Cinamomo também nos questiona. Como preservar sua sombra num mundo que corta árvores e esquece a terra? Como ensinar aos guris que o Cinamomo não é apenas uma árvore, mas um símbolo da nossa história?
A resposta está na partilha: no mate que cevamos à sua sombra, na história que contamos, no cuidado que dedicamos. Cada gesto é uma raiz que mantém o ombu vivo; cada memória, um ramo que o faz crescer. O sol começa a baixar, a sombra do Cinamomo se alonga, como se quisesse abraçar a pampa inteira. Levanto-me, com o frescor ainda na pele, e sigo meu caminho. O Cinamomo fica para trás, mas sua sombra permanece comigo.
E na certeza de que a alma gaúcha é como esta árvore: forte, acolhedora, eterna. Enquanto houver um Cinamomo erguendo-se na pampa, haverá um refúgio para nos lembrar quem somos, guiando-nos pelas coxilhas, onde a terra e a alma se encontram na sombra da vida.
Capítulo 87: Os Valores Do Gaúcho
Quando o sol se ergue sobre a pampa e a luz banha as coxilhas do Rio Grande do Sul, eu me coloco à beira de um caminho, onde o vento traz o perfume do campo e o eco dos valores que moldam o coração gaúcho. Estes valores hospitalidade, coragem, lealdade e respeito pela natureza são os pilares da nossa alma, forjados na lida campeira e na história que corre em nossas veias. Paro ali, com o olhar perdido na vastidão, e sinto que ser gaúcho é carregar um orgulho que não se explica, mas se vive. Esta terra, com sua liberdade, é o espelho de quem somos.
Abaixo-me para tocar a terra, firme e generosa, que me ensinou o primeiro valor: a hospitalidade. O gaúcho abre sua casa, sua roda de mate, seu coração, sem perguntar de onde vens. Penso nos meus antepassados, que recebiam o viajante com um prato de comida e um lugar junto ao fogo, nos tropeiros que dividiam o pão nas longas jornadas. Perto dali, um vizinho oferece sua ajuda para apartar o gado, enquanto, mais adiante, uma prenda convida um estranho para a dança no galpão. Estes gestos, tão naturais, são o que nos faz irmãos na pampa.
A coragem é o segundo pilar, e ela pulsa no peito de quem enfrenta o minuano, a lida dura, a incerteza do campo. Vejo-a no peão que doma um cavalo xucro, na mulher que cria os filhos com firmeza, no gaúcho que, com lança em punho, lutou nas revoluções de outrora. Esta coragem não é só força, mas a ousadia de ser livre, de erguer a cabeça mesmo quando o vento sopra contra. Penso em ti, que me mostraste que a bravura está em seguir, mesmo quando o caminho é incerto.
A lealdade, valor tão caro, é o laço que nos une. O gaúcho é fiel à sua palavra, à sua querência, aos seus. Vejo-a no amigo que nunca falha, no cavalo que carrega o peão sem vacilar, na família que se reúne para honrar os que se foram. Esta lealdade é a corda da boleadeira, que gira firme e não se rompe. Penso em vós, que me ensinastes a cumprir o prometido, a carregar no peito o orgulho de ser do Rio Grande.
O respeito pela natureza é o alicerce que sustenta tudo. A pampa, com suas coxilhas, rios e invernadas, é mais que cenário; é mestra. O gaúcho aprende com ela a não desperdiçar, a cuidar do que é vivo, a ouvir o silêncio da terra. Vejo este respeito no peão que replanta o capim, na criança que não machuca o quero-quero, no velho que olha o céu para prever a chuva. Penso em nós, que sabemos que sem a natureza não há pampa, não há gaúcho.
Estes valores cantam nas vozes da nossa música. As canções de Jari Terres, os versos de Nico Fagundes, falam de um povo que vive com honra, que ama sua terra com devoção. Quando a gaita toca uma vaneira, é como se os valores gaúchos dançassem, girando nos galpões onde o mate aquece as mãos e os corações se encontram. A alma gaúcha brilha nestes momentos, forte como o pampeiro, gentil como a brisa do entardecer.
Na cidade, os valores se manifestam de outro modo. Nas praças onde se cevam cuias, nas escolas onde se ensina a história farroupilha, na Semana Farroupilha, quando o povo canta o hino com o peito estufado. Até nas torcidas apaixonadas, que defendem suas cores com lealdade, há um eco destes princípios. O gaúcho da cidade, mesmo cercado de concreto, carrega no sangue o orgulho da pampa, a coragem de ser quem é.
Mas estes valores também nos desafiam. Como mantê-los vivos num mundo que esquece a honra? Como ensinar aos guris que ser gaúcho é mais que pilcha, é viver com lealdade e respeito? A resposta está na prática: no mate que oferecemos, na coragem que mostramos, no cuidado que temos com a terra. Cada gesto é uma semente que mantém viva a tradição; cada lição, um laço que prende o passado ao futuro.
O sol começa a se pôr, e a pampa brilha com tons de ouro, como se quisesse selar estes valores em mim. Levanto-me, com a terra ainda nas mãos, e sigo meu caminho. A coxilha fica para trás, mas seus ensinamentos permanecem comigo e na certeza de que a alma gaúcha é como estes valores.
Uma árvore livre, forte, eterna, enquanto houver um gaúcho vivendo com coragem e lealdade no Rio Grande, haverá um espelho para nos lembrar quem somos, guiando-nos pelas coxilhas, onde a terra e a honra se encontram na liberdade da vida podendo desfrutar de uma sombra amiga.
Capítulo 88: A Precisão Da Terra
Quando o sol nasce sobre as lavouras do Rio Grande do Sul, eu me ponho no meio de um campo vasto, onde o verde das plantações se mistura ao ronco suave de um drone que cruza o céu. A agricultura de precisão, com suas máquinas e tecnologias, transformou a lida campeira, trazendo ao gaúcho ferramentas que enxergam o que os olhos não veem. Paro ali, com o tablet na mão, observando dados que me mostram a saúde do solo, a umidade da terra e o vigor das culturas.
Este campo, agora guiado por satélites e sensores, pulsa com a mesma essência da pampa, mas fala uma língua nova, de números e eficiência. Ajoelho-me para tocar a terra, ainda úmida do orvalho, e sinto sob os dedos o mesmo chão que meus antepassados lavraram com enxada e suor. Mas hoje, drones sobrevoam as coxilhas, capturando imagens que revelam onde a planta precisa de água ou onde o solo clama por nutrientes.
Sensores fincados na terra enviam sinais, como se fossem o coração da lavoura batendo em tempo real. Penso em vós, que me ensinastes a ler o vento e a chuva, e agora aprendo a ler os mapas digitais que guiam a sementeira e a colheita. Perto dali, um agricultor ajusta a plantadeira, guiado por um sistema que calcula o espaçamento exato entre as sementes. Mais adiante, um técnico analisa imagens de satélite, traçando planos para a próxima safra.
Estes gestos, tão modernos, são o que nos liga ao futuro da terra. A agricultura de precisão ensina a cuidar do campo com sabedoria, a usar a água com parcimônia, a aplicar fertilizantes sem desperdício. Como o gaúcho que doma o cavalo com firmeza e carinho, aprendemos a domar a tecnologia para que sirva à pampa. Esta nova lida também ecoa nas conversas dos galpões.
Fala-se de startups como a ZEIT, que, com inteligência artificial, ajuda a planejar safras e a gerir os recursos naturais. Suas soluções, que cruzam dados do clima e do solo, tornam o trabalho mais rentável e menos pesado para o meio ambiente. Quando os agricultores se reúnem, com o mate na mão, já não discutem apenas o tempo, mas também os algoritmos que preveem a chuva e as máquinas que semeiam com precisão.
A alma gaúcha se renova nestas práticas, que unem o saber antigo ao conhecimento novo, em cidades, a agricultura de precisão também deixa sua marca. Em feiras agropecuárias, como a Expointer, exibe-se o que há de mais avançado: tratores com GPS, aplicativos que monitoram lavouras, drones que mapeiam hectares em minutos. Nos escritórios das cooperativas, jovens formados em agronomia analisam dados para aconselhar os produtores.
Até nas escolas rurais, os guris aprendem que a tecnologia é uma aliada da terra, tão importante quanto o arado de outrora. O gaúcho, mesmo na correria urbana, carrega no peito o orgulho de um campo que avança sem perder suas raízes. Mas esta precisão também nos desafia. Como ensinar aos mais velhos, acostumados à lida braçal, que um drone pode ser tão útil quanto uma enxada? Como garantir que a tecnologia não apague o respeito pela terra.
A resposta está na partilha: no diálogo entre gerações, no aprendizado que oferecemos, no equilíbrio que buscamos. Cada dado coletado é uma semente para um campo mais forte; cada inovação, um laço que une o passado ao futuro, o sol sobe mais alto, e o drone retorna, trazendo imagens que mostram a lavoura em pleno vigor. Levanto-me, com a terra ainda grudada nas mãos, e sigo meu caminho.
O campo fica, mas sua precisão permanece comigo. E na certeza de que a alma gaúcha é como esta terra conectada: fecunda, forte, eterna. Enquanto houver um sensor pulsando nas coxilhas, haverá um saber para nos lembrar quem somos, guiando-nos pelo Rio Grande, onde a tecnologia e a tradição se encontram na lida da vida.
Capítulo 89: O Rastro Da História
Quando o sol se inclina sobre as coxilhas do Rio Grande do Sul, eu me ponho a caminhar por uma estrada de terra batida, onde o pó levanta com cada passo, como se quisesse contar-me as façanhas de outrora. Esta terra, marcada pelos cascos dos cavalos e pelas rodas das carretas, guarda o rastro da história gaúcha, um caminho trilhado por homens e mulheres que forjaram com coragem e suor a alma deste pago. Paro ali, com os olhos fixos no horizonte, e sinto que cada pedra, cada sulco, murmura os feitos daqueles que vieram antes de mim.
Ajoelho-me para tocar o chão, sentindo sob os dedos a poeira que carrega o peso de séculos. Este rastro não é apenas de terra, mas de memórias: dos farrapos que lutaram na Revolução de 1835, dos tropeiros que cruzavam as coxilhas com suas mulas, das famílias que ergueram ranchos sob a luz das estrelas. O gaúcho, como este caminho, é feito de jornadas, de idas e vindas que se entrelaçam numa só história. Penso em vós, meus antepassados, que com lanças, sonhos e saudades deixastes marcas que o tempo não apaga.
Perto dali, um velho carreiro conserta uma roda quebrada, com a paciência de quem aprendeu com a lida. Mais adiante, um guri corre atrás de um cavalo, rindo enquanto o laço escapa de suas mãos. Estes gestos simples, tão cheios de vida, são o que mantém o rastro vivo. A história gaúcha não é só feita de grandes batalhas, mas também das pequenas lutas diárias, do trabalho no campo, da roda de mate que reúne a família. Como o caminho que se forma sob os pés, o gaúcho aprende a seguir adiante, deixando suas pegadas para os que virão.
Esta história também ressoa nas canções. Os versos de João de Almeida Neto, as milongas de Apparicio Silva Rillo, falam de tropeadas e revoluções, de um povo que não esquece suas raízes. Quando a gaita toca uma vaneira, é como se o próprio rastro da história cantasse, ecoando nos galpões onde o fogo crepita e os olhares se cruzam, cheios de orgulho. A alma gaúcha vive nestes sons, que atravessam as coxilhas e chegam às cidades, unindo o passado ao presente num só compasso.
Na cidade, o rastro da história se faz presente de outro modo. Nos museus, onde se guardam lanças e esporas, nas praças onde se erguem estátuas de heróis farrapos, na Semana Farroupilha, quando o povo desfila a cavalo, com o peito estufado de amor pelo Rio Grande. Até nas escolas, onde os guris aprendem sobre Bento Gonçalves e Giuseppe Garibaldi, há um pedaço deste caminho que não se apaga. O gaúcho, mesmo entre os prédios e a pressa urbana, carrega no coração as pegadas de um pago que nunca se esquece.
Mas a história também nos desafia. Como manter vivo este rastro num mundo que corre sem olhar para trás? Como ensinar aos jovens que estas pegadas não são apenas marcas na terra, mas o pulsar da nossa identidade? A resposta está na memória: no causo que contamos, na tradição que partilhamos, no respeito que ensinamos. Cada história narrada é um passo que mantém o caminho vivo; cada lição transmitida, um sulco que guia o futuro. O sol começa a se pôr, e o rastro da estrada ganha tons de ouro sob a luz que desvanece.
Levanto-me, com a poeira ainda grudada nas mãos, e sigo meu caminho. O rastro fica, mas sua memória permanece comigo. E na certeza de que a alma gaúcha é como este caminho: firme, profunda, eterna. Enquanto houver uma estrada cruzando a pampa, haverá um rastro para nos lembrar quem somos, guiando-nos pelo Rio Grande, onde a história e o coração se encontram na poeira da vida.
Capítulo 90: O Saber Dos Dados Informatizados
Quando a luz da manhã acaricia as lavouras do Rio Grande do Sul, eu me coloco no centro de um campo onde o futuro e o passado se encontram. A modernização do campo gaúcho, guiada pelo poder do Big Data, transformou a lida campeira, trazendo ao produtor uma nova forma de enxergar a terra. Paro ali, com um dispositivo nas mãos, observando gráficos que revelam o segredo do solo, as nuances do clima e o pulsar das safras. Este campo, agora conectado por sistemas de dados, murmura a mesma essência da pampa, mas com a voz clara da tecnologia.
Ajoelho-me para tocar a terra, sentindo sob os dedos o chão que meus antepassados araram com intuição e esforço. Hoje, sensores espalhados pelo campo coletam informações em tempo real, enquanto sistemas como o EcontaFruto, desenvolvido pela Embrapa Informática Agropecuária, analisam cada detalhe da produção. Cada byte de dado é como uma semente lançada ao vento, trazendo respostas sobre quando plantar, como irrigar ou onde investir. Penso em vós, que me ensinastes a ler os sinais da natureza, e agora aprendo a interpretar os números que guiam a lavoura.
Perto dali, um agricultor consulta um tablet, ajustando a aplicação de fertilizantes com base em relatórios precisos. Mais adiante, um agrônomo estuda mapas climáticos, prevendo a chuva que regará a próxima safra. Estes gestos, tão tecnológicos, são o que nos liga ao futuro da terra. O Big Data ensina a ouvir o campo com atenção, a tomar decisões que respeitam o solo e aumentam a produtividade. Como o gaúcho que laça o gado com destreza, aprendemos a laçar informações para domar os desafios da lavoura.
Este saber também ressoa nas rodas de conversa. Nos galpões, onde o mate circula, os produtores falam de plataformas que cruzam dados de satélite com históricos de safras, como as soluções da Embrapa. Projetos como o EcontaFruto ajudam a contar os frutos, a prever colheitas e a gerir recursos com sabedoria. Quando os agricultores se reúnem, já não discutem apenas o vento ou a chuva, mas também os algoritmos que mapeiam o campo e as análises que apontam o caminho.
A alma gaúcha se renova nestes diálogos, unindo a tradição do pago ao conhecimento digital, assim como na cidade, o impacto dos dados também se faz sentir. Em eventos como a Expointer, exibem-se tecnologias que transformam números em resultados: softwares que monitoram lavouras, sistemas que otimizam o uso da água, aplicativos que conectam o produtor ao mercado. Nas cooperativas, jovens analistas cruzam informações para orientar os agricultores, enquanto nas universidades, estudantes aprendem a linguagem dos dados como quem aprende a manejar o laço.
O gaúcho, mesmo entre os prédios, carrega no peito o orgulho de um campo que avança sem esquecer suas raízes, mas este saber também nos interpela. Como ensinar aos mais velhos, acostumados à lida manual, que um banco de dados pode ser tão valioso quanto a experiência? Como garantir que a tecnologia sirva à terra sem desrespeitar sua essência, a resposta está no equilíbrio: no aprendizado que partilhamos, no diálogo entre gerações, no cuidado que dedicamos. Cada dado analisado é um passo para um campo mais forte; cada inovação, um fio que une o passado ao futuro.
O sol sobe mais alto, e os campos brilham sob sua luz, como se agradecessem o cuidado que os dados proporcionam e levanto-me, com a terra ainda nas mãos, e sigo meu caminho. A lavoura fica, mas seu saber permanece comigo. E na certeza de que a alma gaúcha é como este campo conectado: fecunda, forte, eterna. Enquanto houver dados pulsando nas coxilhas, haverá um saber para nos lembrar quem somos, guiando-nos pelo Rio Grande, onde a tecnologia e a tradição se encontram na lida da vida.
Capítulo 91: Automação e Máquinas Inteligentes na Agricultura
A revolução tecnológica na agricultura, conhecida como Agricultura 4.0, tem transformado o campo em um ambiente de alta precisão e eficiência. Em regiões como Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul, um reconhecido polo de agricultura de precisão, a adoção de máquinas inteligentes, como tratores, colheitadeiras e plantadeiras equipados com GPS e computadores de bordo, é uma realidade consolidada. Esses equipamentos permitem o planejamento e a execução de tarefas agrícolas com extrema acurácia, otimizando o uso de recursos e aumentando a produtividade.
Tecnologias de Ponta na Agricultura: As máquinas modernas utilizadas na Agricultura 4.0 integram tecnologias avançadas, como:
GPS de alta precisão: Permite o mapeamento detalhado do terreno e a navegação autônoma, garantindo que as operações de plantio, pulverização e colheita sejam realizadas em linhas perfeitamente alinhadas, reduzindo sobreposições e desperdícios.
Computadores de bordo: Processam dados em tempo real, ajustando automaticamente parâmetros como a quantidade de sementes, fertilizantes ou defensivos aplicados, com base nas condições do solo e nas necessidades da lavoura.
Sensores e IoT (Internet das Coisas): Monitoram variáveis como umidade do solo, condições climáticas e saúde das plantas, fornecendo informações para decisões mais assertivas.
Máquinas autônomas: Equipamentos como plantadeiras autopropelidas e tratores sem condutor operam com base em algoritmos de inteligência artificial, eliminando a necessidade de tração manual e reduzindo a fadiga do operador.
Impactos na Produtividade, A introdução dessas tecnologias tem gerado resultados significativos:
Aumento da área cultivada: A automação permite o manejo de grandes extensões de terra com maior eficiência, reduzindo o tempo necessário para o plantio e a colheita.
Eficiência na colheita: Colheitadeiras inteligentes ajustam automaticamente sua operação para minimizar perdas de grãos, garantindo maior rendimento por hectare.
Redução de custos: A precisão no uso de insumos, como sementes e fertilizantes, diminui desperdícios e custos operacionais.
Sustentabilidade: A aplicação direcionada de defensivos e a otimização do uso do solo contribuem para práticas agrícolas mais sustentáveis, reduzindo o impacto ambiental.
Não-Me-Toque e o Congresso Brasileiro de Agroinformática (SBIAgro)
Não-Me-Toque, conhecido como a "Capital Nacional da Agricultura de Precisão", é um exemplo emblemático do avanço da Agricultura 4.0 no Brasil. A cidade sedia eventos como o Congresso Brasileiro de Agroinformática (SBIAgro), que reúne pesquisadores, engenheiros, agricultores e empresas para discutir inovações em tecnologias agrícolas. Durante o evento, são apresentados avanços em:
Sistemas de automação: Máquinas que operam de forma autônoma, utilizando inteligência artificial para tomar decisões em tempo real.
Análise de dados: Ferramentas de big data e machine learning que processam grandes volumes de informações para prever safras e otimizar o manejo.
Conectividade no campo: Soluções de internet rural, como redes 5G, que permitem a comunicação entre máquinas e sistemas de gestão.
Desafios e Perspectivas, apesar dos benefícios, a adoção da Agricultura 4.0 enfrenta desafios, como:
Custo inicial elevado: A aquisição de máquinas inteligentes e a implementação de infraestrutura tecnológica exigem investimentos significativos.
Capacitação: A operação de equipamentos avançados requer treinamento para os trabalhadores rurais.
Conectividade: Muitas áreas rurais ainda sofrem com a falta de acesso à internet de qualidade, essencial para o funcionamento de máquinas conectadas.
No entanto, as perspectivas são promissoras. Com o avanço da tecnologia e a redução gradual dos custos, espera-se que a automação se torne acessível a um número maior de produtores, incluindo pequenos e médios agricultores. Além disso, a integração de tecnologias como drones, satélites e robôs agrícolas promete levar a Agricultura 4.0 a novos patamares, consolidando o Brasil como líder global em inovação agrícola.
A automação e as máquinas inteligentes, como tratores, colheitadeiras e plantadeiras equipados com GPS e computadores de bordo, estão revolucionando a agricultura brasileira. Em polos como Não-Me-Toque, eventos como o SBIAgro destacam o potencial da Agricultura 4.0.
Portanto com máquinas autônomas que aumentam a eficiência, a produtividade e a sustentabilidade no campo. Apesar dos desafios, o futuro da agricultura é promissor, com tecnologias que continuarão a transformar o setor, garantindo maior segurança alimentar e competitividade no mercado global.
Capítulo 92: Robôs Agrícolas – A Revolução Silenciosa no Campo
Sob o céu dourado do Rio Grande do Sul, os campos de soja se estendiam em fileiras perfeitas, banhados pela luz do amanhecer. Entre as plantas, um robô terrestre deslizava suavemente, seus sensores brilhando enquanto escaneavam o solo, medindo umidade e nutrientes. Com precisão quase cirúrgica, o equipamento identificava ervas daninhas e aplicava defensivos apenas onde necessário, economizando recursos e protegendo a terra.
Era a Agricultura 4.0 ganhando vida, uma revolução silenciosa que transformava o coração agrícola do Brasil. Em Não-Me-Toque, conhecido como a Capital Nacional da Agricultura de Precisão, robôs agrícolas começavam a redefinir o trabalho no campo. Equipados com GPS, inteligência artificial e câmeras de visão computacional, esses dispositivos realizavam tarefas outrora manuais: plantavam sementes com espaçamento perfeito.
E monitoravam a saúde das culturas e mapeavam lavouras com drones que cruzavam os céus. No Congresso Brasileiro de Agroinformática (SBIAgro), as inovações brilhavam drones capturavam imagens aéreas em minutos, enquanto robôs terrestres ajustavam automaticamente a aplicação de fertilizantes, reduzindo desperdícios e impactos ambientais. Os benefícios eram inegáveis. As colheitas rendiam mais, com menos perdas de grãos e menor uso de produtos químicos.
O solo, tratado com cuidado, permanecia fértil, e os custos diminuíam à medida que sementes e insumos eram usados com precisão. A automação permitia que grandes áreas fossem manejadas sem esforço humano constante, como se o próprio campo tivesse aprendido a se gerenciar. Mas a promessa da tecnologia esbarrava em um obstáculo invisível: a conectividade. Em 73% das propriedades rurais brasileiras, a internet era um sonho distante.
Sem conexão, os robôs não podiam enviar dados em tempo real para servidores na nuvem, limitando sua eficiência. Dados coletados precisavam ser transferidos manualmente, um processo lento que freava o ritmo da inovação. Além disso, o custo dos equipamentos era alto, e sua operação exigia conhecimento técnico, um desafio em áreas onde o treinamento ainda era escasso.
Apesar das barreiras, o cenário no Rio Grande do Sul era de otimismo. Startups locais desenvolviam robôs adaptados ao terreno, capazes de operar com conectividade limitada, armazenando informações até que uma rede estivesse disponível. No horizonte, a esperança de redes 5G rurais e a produção em massa prometiam tornar essas máquinas mais acessíveis, a cada evento do SBIAgro, novas soluções surgiam: robôs mais inteligentes, drones mais rápidos.
Com sistemas que previam safras e se adaptavam às mudanças do clima, enquanto o sol se punha sobre os campos, o zumbido dos robôs continuava, ecoando como um prenúncio do futuro. A agricultura brasileira estava mudando, e as máquinas, movidas por algoritmos e sensores, pavimentavam o caminho para um campo mais produtivo, sustentável e conectado um futuro onde a terra e a tecnologia trabalhariam em perfeita harmonia.
Capítulo 93: Inovações na Vitivinicultura – O Brilho da Campanha Gaúcha
No coração do Pampa, onde a terra se estende vasta sob um céu de horizonte infinito, a Campanha Gaúcha pulsava com vida. Os solos férteis, banhados por longas horas de sol, nutriam vinhedos que se erguiam em fileiras meticulosas, suas uvas brilhando como joias sob os raios de verão. Entre os paralelos 29 e 31 Sul, a região se afirmava como um dos maiores celeiros de vinhos finos do Brasil, rivalizando com as mais prestigiadas áreas vitivinícolas do mundo, como as da Argentina, Austrália e Nova Zelândia.
Aqui, a vitivinicultura não era apenas uma tradição, mas uma revolução impulsionada por inovação, ciência e paixão, há mais de um século, desde os tempos das reduções jesuíticas e dos colonizadores portugueses, a Campanha Gaúcha plantava as sementes de sua história vinícola. Mas foi na década de 1980, com novos investimentos, e especialmente nos anos 2000, com a chegada de grandes grupos e tecnologias modernas, que a região floresceu.
Vinhedos de variedades nobres, como Cabernet Sauvignon, Tannat e Chardonnay, espalhavam-se por 1.560 hectares, cultivados em espaldeiras sob um clima quente e seco, com até 15 horas diárias de insolação no verão. Essa combinação única de solo basáltico, baixa pluviosidade e alta amplitude térmica criava um terroir perfeito, produzindo uvas ricas em açúcar e vinhos de sabores intensos e equilibrados.
A consagração veio em 2020, quando a região conquistou a Indicação de Procedência (IP) Campanha Gaúcha, um selo que atestava a origem e a qualidade de seus vinhos finos tranquilos e espumantes. Fruto de cinco anos de pesquisas lideradas pela Embrapa Uva e Vinho, com apoio de universidades e da Associação dos Produtores de Vinhos Finos da Campanha Gaúcha, o selo era mais do que um reconhecimento.
Era um marco que colocava a região no mapa global da vitivinicultura. Cada garrafa com o selo que exigia uvas 100% locais, limites rigorosos de produtividade e avaliações sensoriais às cegas carregava a promessa de um vinho excepcional, com aromas frutados, taninos maduros e acidez delicada. A inovação ia além do selo. O relevo suave da Campanha permitia a colheita mecanizada, reduzindo custos e acelerando a produção.
Vinícolas investiam em tecnologia de ponta: mudas selecionadas, práticas de manejo sustentável e consultorias internacionais elevavam a qualidade. Desde 2020, mais de 5 milhões de litros de vinho – cerca de 7 milhões de garrafas – receberam o selo, com a região respondendo por quase 30% da produção nacional de vinhos finos. Variedades como Tannat, Sauvignon Blanc e Merlot destacavam-se, conquistando prêmios em concursos nacionais e internacionais.
O impacto do selo se estendia ao enoturismo, que florescia como nunca. A Rota Vinhas e Vinhos, abrangendo vinícolas como Guatambu, Almadén e Peruzzo, atraía visitantes com experiências únicas: degustações harmonizadas com churrasco de fogo de chão, passeios por vinhedos ao pôr do sol e eventos como o "Vinhos sob as Estrelas". A gastronomia local, enraizada na cultura do Pampa, complementava a experiência.
E enquanto vinícolas boutique e complexos ecoturísticos modernos, como o da Guatambu, ofereciam charme e sofisticação. Apesar dos desafios como a distância entre vinícolas e a infraestrutura limitada, o enoturismo crescia, impulsionado pela visibilidade do selo e pelo apelo do terroir pampiano. A exportação também ganhava força. Os vinhos da Campanha, com sua qualidade certificada, alcançavam mercados internacionais.
Todavia competindo com rótulos argentinos e chilenos. A presença em canais de comercialização pelo Brasil e a participação em eventos globais reforçavam o renome da região. No entanto, desafios persistiam: a deriva de herbicidas, como o 2,4-D, ameaçava os vinhedos, levando produtores a buscar soluções judiciais. Além disso, a infraestrutura estradas, hotéis e aeroportos precisava evoluir para acompanhar o potencial da região.
Enquanto o sol se punha, tingindo os vinhedos de tons alaranjados, a Campanha Gaúcha seguia sua trajetória ascendente. A ciência, com o apoio da Embrapa e de universidades, continuava a refinar técnicas de cultivo e vinificação. A Associação dos Produtores trabalhava para expandir a Rota de Enoturismo e atrair investidores. E, em cada taça, o terroir da região contava sua história.
Em uma terra de solos férteis, sol generoso e um futuro promissor, onde a tradição do Pampa se encontrava com a inovação, brindando o mundo com vinhos de alma única. No Pampa, vinhedos da Campanha Gaúcha prosperavam em solos férteis, sob 15 horas diárias de sol, produzindo vinhos finos de um terroir único. Desde os anos 2000, investimentos e tecnologias modernas transformaram a região, que conquistou a Indicação de Procedência (IP) em 2020.
Liderada pela Embrapa Uva e Vinho, a IP exigia uvas locais, limites de produtividade e avaliações sensoriais, certificando 5 milhões de litros desde 2020. A colheita mecanizada e práticas sustentáveis reduziam custos, enquanto variedades como Tannat e Chardonnay brilhavam em concursos.
O enoturismo florescia com a Rota Vinhas e Vinhos, oferecendo degustações, churrascos e eventos como "Vinhos sob as Estrelas". A exportação crescia, mas desafios como a deriva de herbicidas e a infraestrutura limitada persistiam. Ainda assim, a Campanha Gaúcha seguia, unindo tradição e inovação, como um brinde ao futuro da vitivinicultura brasileira.
Capítulo 94: Ecossistema de Inovação: O Florescimento das Startups no RS
No crepúsculo de Porto Alegre, as luzes dos prédios brilhavam como estrelas refletidas no Guaíba, mas era nas salas de coworking, laboratórios de universidades e incubadoras espalhadas pelo Rio Grande do Sul que uma revolução silenciosa ganhava força. O estado, conhecido por sua tradição agrícola e industrial, estava se reinventando como um polo de inovação, onde um ecossistema de startups florescia com vigor. Em apenas cinco anos, 78% das startups gaúchas haviam sido fundadas, transformando ideias em soluções que reverberavam pelo Brasil e além.
A paisagem do empreendedorismo no Rio Grande do Sul era vibrante e diversa. Cidades como Porto Alegre, Caxias do Sul e Santa Maria pulsavam com iniciativas que uniam tecnologia, criatividade e visão de futuro. Parques tecnológicos, como o Tecnopuc em Porto Alegre e TecnoUCS em Caxias, funcionavam como catalisadores, conectando empreendedores, pesquisadores e investidores. Esses espaços eram mais do que escritórios.
São caldeirões de ideias, onde jovens programadores, engenheiros e designers colaboravam para criar aplicativos, plataformas de inteligência artificial e soluções para a agricultura, saúde e indústria. O crescimento explosivo das startups com 78% delas surgindo desde 2020 era impulsionado por um ecossistema bem estruturado. Incubadoras e aceleradoras, como a Ventiur e a Grow.
Ofereciam mentorias, acesso a capital e redes de contatos, ajudando empresas nascentes a superar os desafios iniciais. Universidades, como a PUCRS, a UFRGS e a UFSM, desempenhavam um papel crucial, fornecendo pesquisa de ponta e talentos qualificados. Eventos como o South Summit Brazil, sediado em Porto Alegre, colocavam o estado no radar global, atraindo investidores internacionais e promovendo parcerias que transformavam sonhos em negócios escaláveis.
As startups gaúchas não se limitavam a um setor. Na agricultura, empresas desenvolviam sensores IoT para monitoramento de lavouras, aumentando a eficiência em regiões como a Campanha Gaúcha. Na saúde, plataformas de telemedicina conectavam médicos a pacientes em áreas remotas. Na indústria, soluções de automação e logística otimizavam cadeias de produção.
Até o varejo sentia o impacto, com aplicativos que personalizavam a experiência do consumidor usando inteligência artificial. Cada inovação era um passo adiante, prova de que o Rio Grande do Sul não apenas plantava soja e produzia vinhos, mas também cultivava ideias. No entanto, o caminho não era isento de obstáculos. A captação de investimentos ainda era um desafio, especialmente para startups em estágio inicial.
Sendo que, com muitos empreendedores dependendo de recursos próprios ou de editais governamentais. A burocracia para abrir e gerir empresas, embora simplificada nos últimos anos, continuava a frear o ritmo de alguns. E, em um estado de contrastes, a desigualdade de acesso à tecnologia entre áreas urbanas e rurais limitava a expansão de soluções inovadoras para o interior.
Ainda assim, o ecossistema prosperava. Programas como o Inova RS, apoiado pelo governo estadual, articulavam parcerias entre setor público, privado e acadêmico, criando redes de apoio. O Pacto Alegre, uma iniciativa colaborativa, transformava Porto Alegre em um hub de inovação, com metas ambiciosas para tornar a cidade uma referência global até 2030.
A chegada de fundos de venture capital e a crescente presença de investidores-anjo injetavam capital e confiança, enquanto eventos de networking, como hackathons e meetups, mantinham a comunidade vibrante. Ao cair da noite, as luzes dos escritórios de startups continuavam acesas, como faróis de um futuro em construção. O Rio Grande do Sul, com suas 78% de startups nascidas na última meia década, provava que a inovação não conhecia limites.
De um aplicativo que otimiza a irrigação no campo a uma plataforma que revoluciona o atendimento médico, o estado se afirmava como um terreno fértil para ideias que não apenas germinavam, mas floresciam, prontas para transformar o mundo. No Rio Grande do Sul, um ecossistema de startups floresce, com 78% delas fundadas nos últimos cinco anos. Parques tecnológicos como Tecnopuc e TecnoUCS conectam empreendedores.
Por ora enquanto incubadoras como Ventiur e eventos como o South Summit Brazil atraem investidores globais, Startups gaúchas inovam em agricultura (sensores IoT), saúde (telemedicina), indústria (automação) e varejo (IA). Universidades como PUCRS e UFRGS fornecem pesquisa e talentos, e iniciativas como Inova RS e Pacto Alegre fortalecem o ecossistema, desafios incluem captação de investimentos, e desigualdade tecnológica entre áreas urbanas e rurais.
Ainda assim, com redes de apoio e crescente interesse de investidores, o RS se consolida como um polo de inovação, transformando ideias em soluções globais. tema de startups floresce, com 78% delas fundadas nos últimos cinco anos. Parques tecnológicos como Tecnopuc e TecnoUCS conectam empreendedores, enquanto incubadoras como Ventiur e eventos como o South Summit Brazil atraem investidores globais.
Startups gaúchas inovam em agricultura (sensores IoT), saúde (telemedicina), indústria (automação) e varejo (IA). Universidades como PUCRS e UFRGS fornecem pesquisa e talentos, e iniciativas como Inova RS e Pacto Alegre fortalecem o ecossistema.
Desafios incluem captação de investimentos, burocracia e desigualdade tecnológica entre áreas urbanas e rurais. Ainda assim, com redes de apoio e crescente interesse de investidores, o RS se consolida como um polo de inovação, transformando ideias em soluções globais.
Capítulo 95: Canhões Antigranizo – A Defesa Sonora dos Vinhedos Gaúchos
No coração da Serra Gaúcha, onde os vinhedos se alinham em fileiras verdes sob o céu azul, uma nova melodia ecoava pelos vales. Não era o canto dos pássaros nem o sussurro do vento entre as parreiras, mas o som grave e rítmico de um canhão antigranizo, disparando ondas sonoras para proteger as uvas da fúria do clima. Em regiões como Pinto Bandeira e Bento Gonçalves, essa tecnologia inovadora estava transformando a vitivinicultura, resguardando safras inteiras contra o granizo que, em minutos, poderia devastar meses de trabalho.
Os canhões antigranizo, introduzidos no Brasil por uma empresa espanhola em 2022, eram uma resposta moderna a um velho problema. Na Serra Gaúcha, onde tempestades de granizo são uma ameaça constante, vinícolas como a Família Geisse abraçaram o equipamento como um guardião de seus 80 hectares de vinhedos. O sistema, composto por um canhão e um monitoramento por satélite, detectava nuvens carregadas com potencial de granizo.
Quando acionado, o dispositivo liberava ondas sonoras hipersônicas de 15 mil joules, disparadas a cada sete segundos, criando uma camada de proteção na estratosfera em apenas 15 minutos. A mistura de gás acetileno e oxigênio, inflamada em uma câmara de combustão controlada, gerava essas ondas sem emitir poluentes, transformando pedras de gelo em chuva antes que atingissem as videiras.
A eficácia era impressionante. Desde a instalação do primeiro canhão em Pinto Bandeira, em novembro de 2022, vinícolas relataram safras intactas, livres dos prejuízos que o granizo costumava causar. Com um investimento de cerca de 500 mil reais, o equipamento protegia não apenas os vinhedos, mas também propriedades vizinhas, como telhados de casas, em um raio de 500 metros.
O custo de manutenção, cerca de 4 mil reais mensais, era um preço pequeno diante da segurança de uvas insubstituíveis, especialmente em regiões com Denominação de Origem, onde a qualidade e a origem da matéria-prima são inegociáveis. No entanto, a inovação não vinha sem desafios. O som dos disparos, que alcançava 80 decibéis, ecoava como trovões, despertando preocupações entre vizinhos.
Para mitigar o impacto, vinícolas investiam em isolamento acústico, e relatos indicavam que a fauna local, como corujas e pássaros, permanecia tranquila, sugerindo que o barulho não perturbava significativamente o ecossistema. Outro obstáculo era a falta de evidências científicas sólidas sobre a eficácia dos canhões. Estudos, como uma revisão de 2006 publicada na revista Meteorologische Zeitschrift, questionavam se as ondas sonoras interrompiam a formação de granizo.
E apontando que trovões naturais, muito mais potentes, não pareciam ter esse efeito. Apesar disso, os resultados práticos nas vinícolas gaúchas falavam mais alto, com produtores celebrando a ausência de perdas. O uso dos canhões antigranizo não se limitava à Serra Gaúcha. Em Caxias do Sul e outros 14 municípios da região, discussões avançavam para implementar sistemas regionais.
Porém com um investimento estimado em 14 milhões de reais e custos anuais de manutenção entre 8 e 9 milhões. Esses projetos, inspirados em experiências de Santa Catarina, Argentina e França, prometiam proteger não apenas vinhedos, mas também outras culturas, como maçãs e pêssegos, além de áreas urbanas. A tecnologia, que substituía métodos obsoletos como foguetes de nitrato de prata, proibidos por questões ambientais.
Todavia representava um passo adiante na busca por soluções sustenáveis, enquanto o sol se erguia sobre os parreirais, os canhões antigranizo permaneciam vigilantes, prontos para disparar ao menor sinal de tempestade. Na Serra Gaúcha, onde cada cacho de uva carregava a promessa de um vinho premiado, essa inovação era mais do que uma ferramenta: era a garantia de que o trabalho árduo dos viticultores não seria perdido para as intempéries.
A cada onda sonora, o futuro da vitivinicultura brasileira se fortalecia, protegido por uma tecnologia que unia ciência, tradição e resiliência. Na Serra Gaúcha, canhões antigranizo protegem vinhedos com ondas sonoras hipersônicas de 15 mil joules, disparadas a cada sete segundos. Introduzida em 2022 por uma empresa espanhola, a tecnologia usa monitoramento por satélite para detectar nuvens de granizo, transformando gelo em chuva em 15 minutos.
Com investimento de 500 mil reais, vinícolas como a Família Geisse, em Pinto Bandeira, protegem 80 hectares sem perdas registradas. O sistema, que usa acetileno e oxigênio sem emitir poluentes, custa 4 mil reais mensais para manter. Apesar do barulho de 80 decibéis, mitigado por isolamento acústico.
E a fauna local permanece intacta, estudos questionam a eficácia, mas resultados práticos impressionam. Projetos regionais, orçados em 14 milhões de reais, planejam expandir a proteção para fruticultura e áreas urbanas, consolidando a inovação na vitivinicultura gaúcha.
Capítulo 96: Sustentabilidade e Práticas Ambientais O Compromisso Verde do Gaúcho
As colinas do Rio Grande do Sul amanheciam sob uma brisa suave, carregando o aroma de terra úmida e lavouras recém-plantadas. Nos campos que se estendiam por Não-Me-Toque, na Campanha Gaúcha e na Serra, a agricultura não era mais apenas uma questão de colher safras abundantes. Uma nova consciência pulsava entre os sulcos, onde a sustentabilidade se tornava a semente de um futuro mais equilibrado.
No coração do estado, inovações agrícolas caminhavam de mãos dadas com práticas ambientais, buscando proteger o solo, conservar a água e garantir que a terra continuasse a dar frutos por gerações. O Rio Grande do Sul, com seus solos férteis e clima variado, enfrentava desafios antigos, como a erosão, que ameaçava a produtividade de suas terras. Para combatê-la, práticas como o plantio em nível ganhavam destaque.
Essa técnica, que seguia as curvas naturais do terreno, reduzia o escoamento da água da chuva, mantendo o solo no lugar e preservando nutrientes essenciais. Em áreas de relevo acidentado, como a Serra Gaúcha, os terraços complementavam o esforço, criando degraus que seguravam a terra e minimizavam a formação de sulcos. Essas práticas, apoiadas por instituições como a Embrapa e a Emater-RS, eram mais do que soluções técnicas.
E eram um compromisso com a longevidade do campo, além do controle da erosão, outras inovações sustentáveis floresciam. O manejo integrado de pragas substituía o uso intensivo de defensivos químicos por métodos biológicos, como predadores naturais e armadilhas, reduzindo o impacto ambiental. Na Campanha Gaúcha, vinícolas adotavam a agricultura regenerativa, enriquecendo o solo organicamente e coberturas vegetais que melhoravam a retenção de água.
A irrigação por gotejamento, cada vez mais comum, entregava água diretamente às raízes das plantas, economizando até 50% em comparação com métodos tradicionais. Sensores de umidade, conectados a sistemas de inteligência artificial, ajustavam a irrigação em tempo real, garantindo eficiência mesmo em períodos de seca. A sustentabilidade também se refletia na gestão de resíduos.
Fazendas começavam a transformar restos de colheita em biofertilizantes, enquanto vinícolas reciclavam subprodutos, como bagaço de uva, para produzir energia ou composto orgânico. Iniciativas de energia renovável, como painéis solares em propriedades rurais, reduziam a pegada de carbono, especialmente em polos tecnológicos como Não-Me-Toque. Práticas protegiam o meio ambiente, também cortavam custos, tornando a sustentabilidade uma aliada do lucro.
Apesar dos avanços, a adoção dessas práticas enfrentava resistências. Em algumas áreas do estado, especialmente entre pequenos produtores, o plantio em nível e os terraços ainda eram pouco utilizados, seja pelo custo inicial de implementação, seja pela falta de conhecimento técnico. A dependência de métodos tradicionais, como o uso intensivo de fertilizantes químicos, persistia em regiões menos conectadas ao ecossistema de inovação.
A conectividade limitada, um desafio já conhecido, dificultava a disseminação de tecnologias sustentáveis, como sensores e sistemas de monitoramento remoto, deixando muitos agricultores presos a práticas menos eficientes. Ainda assim, o cenário era de transformação. Programas de extensão rural, como os da Emater-RS, levavam treinamentos a comunidades distantes, ensinando técnicas de conservação do solo e manejo sustentável.
Eventos como a Expo-direto e Cotrijal, em Não-Me-Toque, exibiam tecnologias verdes, de tratores elétricos a drones que mapeavam áreas degradadas. Parcerias entre universidades, startups e cooperativas impulsionavam a pesquisa, desenvolvendo soluções adaptadas ao clima e ao solo gaúcho. A conscientização crescia, e com ela a certeza de que proteger a terra era tão vital quanto cultivá-la.
Quando o sol se punha sobre os campos, tingindo o horizonte de laranja, o Rio Grande do Sul revelava sua nova face. Cada terraço construído, cada gota de água economizada, cada hectare protegido da erosão era um passo em direção a um futuro onde a agricultura não apenas alimentava, mas também preservava. A sustentabilidade, mais do que uma tendência, era a essência de um campo que aprendia a crescer em harmonia com a natureza.
No Rio Grande do Sul, a sustentabilidade transforma a agricultura. O plantio em nível e os terraços combatem a erosão, preservando solos em áreas como a Serra Gaúcha. O manejo integrado de pragas reduz defensivos químicos, enquanto a agricultura regenerativa e a irrigação por gotejamento economizam água e enriquecem o solo. Resíduos viram biofertilizantes, e painéis solares cortam emissões.
Apesar dos avanços, a adoção é lenta em algumas regiões, limitada por custos e falta de conhecimento. A conectividade precária dificulta tecnologias como sensores. Ainda assim, programas da Emater-RS e eventos como a Expo-direto e Cotrijal promovem práticas verdes. O campo gaúcho une inovação e natureza, cultivando um futuro sustentável.
Capítulo 97: Conexão com as Tradições Gaúchas – Inovação com Raízes no Pampa
As manhãs no Rio Grande do Sul começavam com o aroma do chimarrão, a cuia passando de mão em mão enquanto o sol despontava sobre os campos. Nos galpões, o crepitar do churrasco reunia famílias, e nas vastas planícies, a figura do gaúcho, com sua bombacha e seu cavalo, permanecia como símbolo de uma ligação profunda com a terra. No coração do estado, as inovações da Agricultura 4.0 não apagavam essas tradições; ao contrário, dialogavam com elas, entrelaçando o orgulho campeiro com tecnologias que honravam o campo e a natureza.
A alma gaúcha, enraizada na lida do campo e no respeito pelo Pampa, inspirava um futuro onde modernidade e cultura caminhavam juntas. A tradição gaúcha sempre colocou o campo no centro da vida. O trabalho árduo dos tropeiros, a habilidade de manejar o gado e o cuidado com a terra moldaram uma identidade de resiliência e conexão com o meio ambiente. Hoje, essas raízes se refletiam em práticas que uniam inovação e sustentabilidade.
Na Campanha Gaúcha, vinícolas que produziam vinhos premiados com o selo de Indicação de Procedência preservavam o terri´torio pampiano, usando técnicas como agricultura regenerativa para manter o solo vivo, ecoando o respeito ancestral pela natureza. O enoturismo, florescente em rotas como a de Bento Gonçalves, celebrava essa herança, oferecendo aos visitantes não apenas taças de Tannat, mas também churrascos ao fogo de chão.
Também como danças tradicionalistas e histórias do gaúcho que moldou a região, em Não-Me-Toque, a tecnologia de robôs agrícolas e canhões antigranizo protegia lavouras e vinhedos, mas o espírito da lida campeira permanecia. Máquinas autônomas, guiadas por GPS, plantavam com a mesma precisão que o gaúcho usava ao laçar o gado, e sensores de solo cuidavam da terra com o mesmo zelo de quem a arava décadas atrás.
Práticas sustentáveis, como o plantio em nível e o manejo integrado de pragas, espelhavam a sabedoria dos antigos, que sabiam que a terra só dá frutos se for bem cuidada. Cada inovação parecia um eco moderno do orgulho gaúcho pela sua relação com o campo. O chimarrão, mais do que uma bebida, era um ritual de comunhão, e sua presença nas fazendas modernas reforçava a ponte entre passado e futuro.
Em eventos como a Expodireto Cotrijal, agricultores compartilhavam a cuia enquanto discutiam drones e irrigação por gotejamento, provando que a tecnologia não precisava apagar a cultura. O churrasco, com sua fumaça subindo aos céus, continuava a reunir produtores e visitantes em feiras agrícolas, onde startups apresentavam soluções para o campo ao lado de apresentações de danças gaúchas e mostras de artesanato local.
A figura do gaúcho, com seu chapéu e sua história de liberdade, inspirava um modelo de inovação que respeitava o meio ambiente. Startups gaúchas, muitas nascidas nos últimos cinco anos, desenvolviam tecnologias que reduziam o uso de defensivos químicos e protegiam a biodiversidade do Pampa, como sensores que monitoravam a saúde do solo e drones que mapeavam áreas degradadas.
Essas soluções, exibidas em eventos como o South Summit Brazil, carregavam o mesmo espírito de independência e criatividade que marcava a cultura gaúcha, adaptando-a a um mundo em transformação. Os desafios, porém, persistiam. A conectividade limitada em áreas rurais, afetando 73% das propriedades, dificultava a implementação de tecnologias avançadas, como robôs e sistemas de IoT.
A resistência de alguns produtores a abandonar métodos tradicionais, por falta de recursos ou capacitação, lembrava que a modernização precisava caminhar ao lado da educação. Ainda assim, o Rio Grande do Sul avançava, com programas como o Inova RS e parcerias entre universidades e cooperativas, que levavam conhecimento ao interior, respeitando as práticas locais.
Quando a noite caía, e as estrelas surgiam sobre o Pampa, o Rio Grande do Sul revelava sua essência. O som do mate sendo sorvido, o crepitar do fogo e o galope distante de um cavalo se misturavam ao zumbido de drones e ao clique de sensores. A tradição gaúcha, com seu amor pela terra, não era um obstáculo à inovação, mas sua inspiração. Cada vinhedo protegido, cada lavoura sustentável.
Por cada taça erguida em um brinde era uma prova de que o futuro do campo gaúcho nascia da força de suas raízes, no Rio Grande do Sul, inovações agrícolas dialogam com a tradição gaúcha. O orgulho pela terra, expresso no chimarrão, no churrasco e na lida campeira, inspira práticas sustentáveis. Vinícolas da Campanha Gaúcha, com o selo de Indicação de Procedência, usam agricultura regenerativa, enquanto o enoturismo celebra a cultura com danças e fogo de chão.
Robôs e canhões antigranizo em Não-Me-Toque ecoam a precisão do gaúcho, e práticas como plantio em nível protegem o solo com o mesmo zelo ancestral. Startups desenvolvem soluções verdes, exibidas no South Summit Brazil, mas a conectividade limitada e a resistência a mudanças desafiam o progresso. Ainda assim, programas como o Inova RS unem tradição e tecnologia, cultivando um futuro sustentável enraizado no Pampa.
Capítulo 98: Pecuária Gaúcha – Tradição e Força nos Campos do Pampa
Sob o céu amplo do Pampa, onde o horizonte se perdia em ondas de capim, o mugido do gado ecoava como um hino ancestral. Nos campos do Rio Grande do Sul, a pecuária pulsava como um pilar da economia e da alma gaúcha, entrelaçando a tradição do gaúcho com a modernidade de uma atividade que movia milhões. Desde o século XVII, quando as missões jesuíticas trouxeram os primeiros rebanhos atuais, com 12,5 milhões de cabeças de gado a criação bovina moldava a identidade do estado, unindo o passado tropeiro a avanços que garantiam sua relevância no presente.
A história da pecuária gaúcha começava com os jesuítas, que introduziram o gado nas Sete Missões, transformando o Pampa em um vasto pasto. No século XIX, o charque, carne salgada e seca, tornou-se o ouro da época colonial, abastecendo o Brasil e o exterior a partir de cidades como Pelotas. Os gaúchos, com seus laços e cavalos, dominavam a lida campeira, conduzindo boiadas pelas coxilhas e forjando uma cultura de liberdade e trabalho árduo.
Essa herança vivia nos rodeios, nas feiras agropecuárias e no orgulho de cada estancieiro que ainda pisava a terra com o mesmo respeito de seus antepassados. Hoje, a pecuária gaúcha se reinventava, mantendo suas raízes enquanto abraçava a inovação. Raças como Hereford, Angus e Braford, selecionadas por sua adaptação ao clima subtropical do estado, dominavam os rebanhos.
Essas raças, conhecidas pela carne macia e marmoreada, atendiam à crescente demanda por qualidade, tanto no mercado interno quanto nas exportações, que alcançavam países como China e Oriente Médio. Em regiões como a Campanha e o Planalto, os campos naturais do Pampa, ricos em gramíneas, ofereciam pasto ideal, enquanto técnicas modernas, como a inseminação artificial e o manejo rotacionado, aumentavam a produtividade e a sustentabilidade.
A tecnologia transformava a lida. Sensores e brincos eletrônicos monitoravam a saúde e o peso do gado em tempo real, permitindo decisões precisas sobre alimentação e reprodução. Drones sobrevoavam os pastos, mapeando áreas de superpastejo e ajudando a preservar o solo. Na Expointer, a maior feira agropecuária da América Latina, realizada em Esteio, produtores exibiam não apenas os melhores exemplares de Angus e Hereford.
E também inovações como softwares de gestão pecuária e sistemas de rastreabilidade, que garantiam a qualidade da carne desde o campo até a mesa. A pecuária também dialogava com a sustentabilidade. Práticas como o pastejo regenerativo, que alternava áreas de descanso para o solo, recuperavam pastagens degradadas e sequestravam carbono, fazendas integravam lavoura e pecuária, usando rotação de culturas para enriquecer o solo.
Portanto reduzir a dependência de fertilizantes químicos. A certificação de carne carbono neutro, pioneira no Brasil, ganhava força no Rio Grande do Sul, atraindo consumidores conscientes e mercados internacionais exigentes. Os desafios, porém, persistiam. A oscilação dos preços da carne, a concorrência com outros estados e a conectividade limitada em áreas rurais dificultavam a adoção de tecnologias avançadas.
Além disso, a pressão por desmatamento zero exigia que a pecuária gaúcha provasse seu compromisso ambiental, equilibrando produtividade com preservação. Programas como o Fundo de Defesa Sanitária e parcerias com a Embrapa Pecuária Sul ajudavam, oferecendo treinamento e pesquisa para enfrentar doenças como a brucelose e melhorar a genética dos rebanhos.
Quando o sol se punha sobre as coxilhas, tingindo o Pampa de tons alaranjados, a pecuária gaúcha se erguia como um símbolo de continuidade. O gaúcho, com seu laço e seu cavalo, ainda cavalgava nos campos, mas agora ao lado de drones e sensores. Cada mugido, cada chifre polido exibido na Expointer, cada churrasco servido com carne suculenta era uma celebração da tradição que se renovava.
No Rio Grande do Sul, a pecuária não era apenas um pilar econômico, mas uma história viva, escrita na terra e projetada para o futuro. A pecuária gaúcha, com seus 12,5 milhões de cabeças de gado, é um pilar econômico e cultural do Rio Grande do Sul. Iniciada no século XVII com as missões jesuíticas, consolidou-se com o charque no século XIX. Hoje, raças como Hereford, Angus e Braford adaptadas ao clima subtropical, atendendo mercados interno e externo.
Tecnologias como sensores, drones e inseminação artificial aumentam a produtividade, enquanto o pastejo regenerativo e a certificação carbono neutro promovem sustentabilidade. A Expointer exibe inovações e exemplares premiados. Desafios incluem preços instáveis, conectividade limitada e pressão ambiental, mas programas como o da Embrapa Pecuária Sul fortalecem o setor. A pecuária gaúcha une tradição e inovação, mantendo viva a alma do Pampa.
Capítulo 99: Bailes de Caramanchão – A Alma Dançante do Pampa Gaúcho
Sob o céu estrelado do Pampa, onde o vento sussurrava entre as coxilhas, a luz de lampiões tremulava em um caramanchão coberto de folhagens. O som da gaita se misturava ao pulsar do violão, enquanto botas batiam no chão de terra, levantando poeira em um ritmo vibrante. Era noite de fandango, um baile de caramanchão, coração pulsante da cultura gaúcha que unia o Rio Grande do Sul, o Uruguai e a Argentina em uma celebração da vida campeira.
Nestes encontros, a tradição do gaúcho ganhava vida, entrelaçando história, música e dança em um ritual de confraternização que ecoava séculos de legado. Os bailes de caramanchão tinham raízes profundas, nascidas da lida no campo e da influência dos colonizadores europeus. Desde o século XVII, espanhóis e portugueses trouxeram seus ritmos e passos, misturando-os às contribuições indígenas e africanas.
Estruturas rústicas, erguidas com galhos e cobertas por folhas, davam nome aos eventos, oferecendo abrigo para as comunidades rurais que se reuniam após longos dias de trabalho. Esses momentos eram mais do que diversão; eram a expressão da identidade do Pampa, onde o gaúcho celebrava sua conexão com a terra, o amor e a saudade. As danças, vibrantes e cheias de alma, contavam histórias em cada movimento.
O fandango, com seu sapateado vigoroso inspirado no flamenco espanhol, exigia agilidade e paixão. O vanerão, herdeiro da habanera cubana, animava os pares com giros rápidos e ritmo contagiante. O xote, mais lento e romântico, permitia abraços apertados, enquanto a chula, dança masculina de desafio, exibia habilidade com saltos e sapateios que faziam o público vibrar.
O pezinho, com sua simplicidade e giros suaves, convidava todos a participar, independentemente da experiência. Cada passo era uma ponte entre o passado colonial e o presente, unindo gerações no mesmo compasso. A música, alma dos bailes, era tocada com instrumentos que ressoavam o cotidiano rural. A gaita, ou acordeão, liderava com suas notas alegres, acompanhada pelo violão, pela viola e, às vezes, pelo pandeiro.
Ritmos como a milonga, com sua melancolia poética, e o chamamé, de origem argentina, cantavam o trabalho no campo, as dores do coração e a beleza do Pampa. As letras, muitas vezes improvisadas, capturavam a essência da vida gaúcha, transformando cada canção em um espelho da alma campeira. Hoje, os bailes de caramanchão encontravam novo lar nos Centros de Tradições Gaúchas (CTGs), espalhados pelo Rio Grande do Sul e além.
Esses espaços, verdadeiros guardiões da cultura, organizavam fandangos, competições de dança e aulas para manter as tradições vivas. Homens vestiam bombachas, botas, lenços e chapéus, enquanto as mulheres, ou prendas, brilhavam em vestidos rodados, com saias que giravam como flores ao vento. Os trajes não eram apenas roupas, mas símbolos de uma identidade que resistia ao tempo, reforçada em eventos como a Semana Farroupilha e feiras rurais.
Os fandangos eram mais do que dança e música; eram celebrações da hospitalidade gaúcha. Em cada CTG, a cuia de chimarrão circulava entre os presentes, e o cheiro de churrasco pairava no ar, unindo famílias e amigos. Jovens aprendiam os passos da chula ao lado de avós que contavam histórias dos velhos caramanchões, enquanto visitantes, atraídos pelo enoturismo da Serra Gaúcha, descobriam a riqueza cultural do estado.
A tradição, longe de ser um museu, pulsava com vida, adaptando-se sem perder sua essência, desafios existiam. A urbanização e o avanço da tecnologia afastavam alguns jovens das raízes rurais, e a manutenção dos CTGs exigia recursos e dedicação. Ainda assim, o movimento tradicionalista, um dos mais fortes do Brasil, mantinha a chama acesa. Escolas de dança, festivais como o Encontro de Artes e Tradição Gaúcha (ENART).
Ao apoio de entidades como o Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) garantiam que os fandangos continuassem a reunir multidões, preservando a identidade do Pampa. Quando a lua subia no céu, iluminando o caramanchão, o som da gaita ainda ecoava, e os pares giravam em um vanerão sem fim.
No Rio Grande do Sul, os bailes de caramanchão eram a prova de que a cultura gaúcha não apenas sobrevivia, mas dançava. Cada sapateado, cada acorde, cada sorriso trocado era uma celebração da história, da terra e do povo que fazia do Pampa um lugar de alma inquebrantável.
Capítulo 100: Gastronomia Gaúcha – Sabores do Pampa com Raízes e Inovação
Na vastidão do Pampa, onde o horizonte se encontrava com o céu, o aroma do churrasco subia em espirais de fumaça, misturando-se ao cheiro de erva-mate quente na cuia de chimarrão. A gastronomia gaúcha, um pilar da cultura do Rio Grande do Sul, era mais do que alimento: era uma celebração da história, da terra e do povo. Enraizada na vida campeira e nas influências dos povos indígenas, portugueses, espanhóis, africanos e, mais tarde, italianos e alemães, a culinária do estado carregava sabores robustos que contavam histórias de tropeiros, estancieiros e imigrantes.
Hoje, essa tradição se renovava, abraçando inovações que conectavam o passado ao futuro, do fogo de chão às cozinhas modernas. O churrasco, coração da gastronomia gaúcha, era um ritual sagrado. Nas estâncias do interior, cortes de carne como costela, picanha e vazio assavam lentamente sobre brasas, temperados apenas com sal grosso, preservando o sabor puro do gado criado nos pastos do Pampa. A técnica, herdada dos gaúchos que cozinhavam ao ar livre durante longas jornadas, permanecia viva em churrascarias urbanas e em eventos como a Expointer.
Onde o fogo de chão reunia famílias e amigos, acompanhamentos como arroz carreteiro, preparado com sobras de carne seca, e o feijão tropeiro, com sua mistura de feijão, farofa e linguiça, evocavam a simplicidade da vida no campo. O chimarrão, mais do que uma bebida, era um símbolo de hospitalidade. Passado de mão em mão, o mate amargo unia gerações, presente tanto nas rodas de conversa nas fazendas quanto nos escritórios de startups em Porto Alegre.
Sua erva, cultivada em regiões como o Alto Uruguai, começava a ganhar versões orgânicas, com produtores adotando práticas sustentáveis para atender um mercado cada vez mais consciente. Já a cuca, pão doce com farofa crocante trazido pelos alemães, e o sagu, sobremesa de pérolas de mandioca com vinho tinto, típica da Serra Gaúcha, refletiam a influência dos imigrantes que transformaram o estado em um mosaico cultural.
A inovação chegava à mesa gaúcha com o mesmo respeito pela tradição. Na Serra Gaúcha, o enoturismo elevava a gastronomia, harmonizando vinhos finos de Tannat e Merlot com pratos que misturavam receitas italianas, como polenta e galeto, a ingredientes locais, como queijos artesanais. Restaurantes em Bento Gonçalves usavam tecnologias de rastreabilidade para garantir a origem de carnes e vegetais.
Enquanto startups desenvolviam aplicativos que conectavam produtores orgânicos diretamente aos consumidores. A agricultura de precisão, com sensores e drones, apoiava o cultivo de ingredientes de alta qualidade, como tomates e ervas, usados em pratos que encantavam turistas. A sustentabilidade também moldava a culinária. Fazendas integravam lavoura e pecuária, produzindo alimentos com menor impacto ambiental.
Por ora chefs em Porto Alegre criavam cardápios com resíduos reaproveitados, como cascas de vegetais transformadas em caldos. A certificação de carne carbono neutro, aplicada a cortes servidos em churrascarias, atraía consumidores preocupados com o meio ambiente. Eventos como o Festival de Gastronomia de Gramado destacavam essas inovações, combinando pratos tradicionais com técnicas modernas, como sous-vide para carnes e espumas para sobremesas.
Os desafios, porém, acompanhavam o progresso. A conectividade limitada em áreas rurais dificultava a logística de pequenos produtores, enquanto o alto custo de tecnologias sustentáveis limitava sua adoção. Além disso, a globalização ameaçava ofuscar pratos regionais menos conhecidos, como a paçoca de pinhão, feita com a semente típica do Sul, ainda assim, iniciativas como o Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG).
Em feiras como a FENASOJA promoviam a culinária gaúcha, ensinando receitas tradicionais a novas gerações e incentivando o uso de ingredientes locais. Quando o sol se punha, e o Pampa se aquietava, o crepitar do fogo e o tilintar de talheres ecoavam como uma sinfonia. Cada pedaço de costela, cada gole de chimarrão, cada colherada de sagu era uma homenagem à terra gaúcha.
A gastronomia do Rio Grande do Sul, com suas raízes profundas e seu olhar para o futuro, provava que os sabores do Pampa podiam unir o passado ao presente, alimentando não apenas o corpo, mas a alma de um povo. A gastronomia gaúcha une tradição e inovação, com o hurrasco e o chimarrão como símbolos do Pampa. Influenciada por indígenas, europeus e africanos, inclui pratos como arroz carreteiro, cuca e sagu.
O enoturismo na Serra Gaúcha harmoniza vinhos com receitas italianas, enquanto tecnologias como rastreabilidade e agricultura de precisão garantem qualidade. Sustentabilidade ganha força com carne carbono neutro e reaproveitamento de resíduos. Desafios incluem conectividade rural e globalização, mas eventos como a FENASOJA e o MTG preservam a cultura. A culinária gaúcha celebra a terra, unindo passado e futuro em cada prato.
Capítulo 101: Artesanato Gaúcho – Tradição Tecida nas Mãos do Pampa
Na penumbra de uma tarde no Pampa, o som ritmado de um tear ecoava em uma pequena casa de taipa, misturando-se ao canto dos pássaros. Dedos habilidosos trançavam lã crua, transformando-a em ponchos coloridos que contavam histórias de tropeiros, estancieiros e da própria terra. O artesanato gaúcho, um pilar da cultura do Rio Grande do Sul, era mais do que ofício: era a expressão viva da identidade do Pampa, entrelaçando a herança indígena, portuguesa, espanhola e imigrante em cada ponto, trança e corte.
Hoje, esse legado se renovava, conectando tradições centenárias a inovações que levavam o trabalho manual gaúcho a novos horizontes. O artesanato do Rio Grande do Sul nascia da vida campeira. Desde o século XVII, os gaúchos moldavam o couro do gado para criar selas, lombilhos, guaiacas, acessórios essenciais à lida no campo. As mulheres, nas estâncias, fiavam lã de ovelha para tecer ponchos, mantas e xergas, peças que protegiam do frio das coxilhas.
Povos indígenas, como os Charrua, contribuíam com técnicas de cestaria e cerâmica, enquanto os imigrantes italianos e alemães, a partir do século XIX, traziam habilidades em madeira entalhada e bordados delicados. Cada peça, fosse um facão com cabo de osso ou um tapete de tear, carregava a memória de um povo que vivia em harmonia com a terra. Os Centros de Tradições Gaúchas (CTGs).
Feiras como a FENARTE em Porto Alegre mantinham essas práticas vivas, exibindo o talento dos artesãos. O coureiro, arte de trabalhar o couro cru, produzia botas, cintos e bainhas de faca, muitas vezes decoradas com entalhes que retratavam cenas do campo. A tecelação, especialmente em cidades como Santana do Livramento, criava ponchos com padrões geométricos inspirados nos desenhos indígenas.
A talha em madeira, comum na Serra Gaúcha, dava forma a móveis rústicos e esculturas de santos, enquanto o pinhão, semente típica, era transformado em bijuterias e objetos decorativos, unindo sustentabilidade e criatividade. A inovação chegava ao artesanato com respeito às raízes. Startups gaúchas, muitas surgidas nos últimos cinco anos, desenvolviam plataformas digitais para conectar artesãos a compradores globais.
Portanto ampliando o alcance de peças como os mateiros, cuias de chimarrão decoradas com prata. Técnicas sustentáveis ganhavam espaço: lãs tingidas com corantes naturais, como cascas de cebola e beterraba, reduziam o impacto ambiental, enquanto resíduos de couro eram reaproveitados em mosaicos. Em eventos como o South Summit Brazil, artesãos apresentavam coleções que misturavam o rústico gaúcho com design moderno.
E atraindo olhares de investidores e turistas, o enoturismo na Serra Gaúcha também impulsionava o artesanato. Vinícolas vendiam cestas trançadas, tábuas de madeira entalhada e toalhas bordadas, complementando a experiência de degustações e churrascos. Feiras itinerantes, como as da Semana Farroupilha, levavam essas criações a visitantes, reforçando a identidade cultural.
Além disso, oficinas em CTGs e escolas ensinavam jovens a trançar, tecer e entalhar, garantindo que o ofício não se perdesse, os desafios, porém, eram reais. A concorrência com produtos industrializados, muitas vezes mais baratos, ameaçava os artesãos, enquanto a falta de conectividade em áreas rurais dificultava o acesso a mercados online, a transmissão de saberes também preocupava, com menos jovens interessados em aprender técnicas tradicionais.
Ainda assim, iniciativas como o Programa Gaúcho do Artesanato, apoiado pelo governo estadual, ofereciam capacitação e feiras, e o Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) incentivava a valorização do trabalho manual. Quando a noite caía sobre o Pampa, e as estrelas iluminavam as coxilhas, o artesanato gaúcho brilhava como um testemunho de resiliência.
Em cada poncho tecido, cada faca entalhada, cada cuia esculpida era uma celebração da terra e de seu povo. No Rio Grande do Sul, as mãos dos artesãos continuavam a tecer a história, unindo o passado ao futuro com fios de tradição e toques de inovação uma característica nativa do pampa.
Capítulo 102: Turismo Rural e Ecoturismo – A Redescoberta do Pampa Gaúcho
Nas manhãs frescas do Rio Grande do Sul, o orvalho reluzia sobre os campos do Pampa, enquanto o canto dos quero-queros ecoava pelas coxilhas. Longe das cidades, onde a terra ainda ditava o ritmo da vida, o turismo rural e o ecoturismo floresciam, convidando visitantes a mergulhar na essência gaúcha. Fazendas centenárias, vinhedos ondulantes e trilhas em meio à natureza intocada revelavam um estado que unia tradição e inovação, oferecendo experiências que conectavam o viajante à história, à cultura e à beleza selvagem do Pampa.
Aqui, o turismo não era apenas uma viagem, mas uma imersão na alma do Rio Grande do Sul. O turismo rural, enraizado na vida campeira, transformava estâncias em destinos de aprendizado e lazer. Em cidades como Bagé e São Gabriel, fazendas abriam suas porteiras para mostrar a lida com o gado, a tosquia de ovelhas e a doma de cavalos, heranças do gaúcho que cavalgava o Pampa no século XVIII. Visitantes participavam de atividades como laçar, cozinhar churrasco no fogo de chão e tomar chimarrão ao redor de uma fogueira, enquanto ouviam causos de tropeiros.
Essas experiências, muitas vezes organizadas por cooperativas e apoiadas pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), preservavam a cultura gaúcha, ao mesmo tempo que geravam renda para comunidades rurais. O ecoturismo, por sua vez, destacava a biodiversidade do estado. Na Serra Gaúcha, trilhas no Parque Nacional de Aparados da Serra e no Cânion Itaimbezinho revelavam paredões de basalto, cachoeiras e florestas de araucárias, lar de pinhões que inspiravam pratos locais.
No Pampa, a Reserva Ecológica do Taim, em Rio Grande, encantava com seus banhados, onde capivaras, jacarés-de-papo-amarelo e aves migratórias dividiam espaço. Essas áreas protegidas, promovidas por iniciativas como o Programa Gaúcho de Turismo Rural, incentivavam a conservação ambiental, com guias capacitados que ensinavam sobre a fauna e a flora enquanto respeitavam os ecossistemas. A inovação impulsionava essas experiências. Na Campanha Gaúcha, o enoturismo ganhava força com vinícolas que usavam tecnologias de rastreabilidade para garantir a qualidade de vinhos.
Com harmonizações com pratos típicos em eventos como o "Vinhos sob as Estrelas". Startups desenvolviam aplicativos que mapeavam rotas turísticas, conectando fazendas, vinícolas e parques naturais, enquanto drones capturavam imagens aéreas para promover destinos como a Rota das Oliveiras em Caçapava do Sul, onde visitantes colhiam azeitonas e aprendiam sobre azeites artesanais. A agricultura de precisão, com sensores e sistemas de irrigação, também apoiava fazendas turísticas, garantindo paisagens verdejantes mesmo em períodos de seca.
A sustentabilidade era o fio condutor. Fazendas turísticas adotavam práticas como energia solar e reaproveitamento de água, enquanto o pastejo regenerativo em propriedades rurais preservava pastagens para o gado e mantinha a beleza natural para os visitantes. Projetos comunitários, como os da Emater-RS, capacitavam agricultores para oferecer hospedagem e gastronomia com ingredientes orgânicos, fortalecendo a economia local. Eventos como a Festa do Pinhão em Caxias do Sul celebravam a cultura, a natureza, unindo pratos tradicionais, como a paçoca de pinhão.
Os desafios, porém, persistiam. A conectividade limitada, afetando 73% das propriedades rurais, dificultava a divulgação de destinos e a reserva online de passeios. A infraestrutura, como estradas e sinalização, nem sempre acompanhava o potencial turístico, especialmente no interior. Além disso, a falta de treinamento para guias em algumas regiões podia comprometer a experiência do visitante. Ainda assim, iniciativas como oInova RSe parcerias com universidades promoviam o turismo sustentável, enquanto feiras como a Expodireto - Cotrijal exibiam o potencial do campo gaúcho.
Quando o sol se punha, tingindo o Pampa de tons dourados, o turismo rural e o ecoturismo revelavam um Rio Grande do Sul vivo e pulsante. Cada trilha percorrida, cada taça de vinho erguida, cada história contada ao redor do fogo era uma celebração da terra e de sua gente. No Pampa, na Serra ou nas coxilhas, o turismo gaúcho convidava o mundo a descobrir um estado onde a tradição dançava com a inovação, e a natureza contava sua própria história.
Capítulo 103: Literatura Gaúcha – Narrativas que Ecoam o Pampa
Na penumbra de uma estância, sob a luz trêmula de um lampião, as histórias do Pampa ganhavam vida. O vento que soprava pelas coxilhas parecia carregar os versos de poetas e as prosas de contadores de causos, tecendo a literatura gaúcha como um poncho que aquecia a alma do Rio Grande do Sul. Enraizada na tradição oral dos tropeiros e na cultura campeira, essa literatura refletia a identidade do gaúcho, misturando a dureza da lida no campo, o amor pela terra e a melancolia do horizonte sem fim.
Hoje, ela se renovava, dialogando com inovações que levavam as vozes do Pampa a novos públicos, enquanto preservavam sua essência. A literatura gaúcha nascia nas rodas de chimarrão, onde se contavam histórias de bravura, amores impossíveis e duelos sob as estrelas. No século XIX, escritores como João Simões Lopes Neto capturaram esse espírito em obras como Contos Gauchescos e Lendas do Sul, retratando o gaúcho com sua honra e sua solidão.
A influência indígena, portuguesa e espanhola moldava narrativas que celebravam a vida no campo, enquanto a chegada de imigrantes italianos e alemães, no século XX, trouxe novas camadas, vistas em autores como Érico Veríssimo, cuja saga O Tempo e o Vento narrava a formação do Rio Grande do Sul com um olhar épico. Poetas como Mario Quintana, com sua simplicidade profunda.
EJayme Caetano Braun, mestre do pajéu, cantavam o Pampa em versos que ressoavam como a gaita dos fandangos, Hoje, a literatura gaúcha se expandia, abraçando novas formas e temas. Escritores contemporâneos, como Luís Augusto Fischer e Letícia Wierzchowski, autora de A Casa das Sete Mulheres, exploravam a história gaúcha com nuances modernas, abordando questões de gênero e identidade.
A poesia seguia vibrante, com nomes como Fabrício Carpinejar, que misturava o lirismo do Pampa com reflexões urbanas. Eventos como a Feira do Livro de Porto Alegre, uma das mais antigas do Brasil, e o Festival Literário de São Francisco de Paula (FestiPoa) conectavam autores e leitores, enquanto saraus em Centros de Tradições Gaúchas (CTGs) mantinham viva a tradição oral, com declamações de poesias gauchescas.
A inovação amplificava essas vozes. Startups gaúchas criavam plataformas digitais que publicavam e-books e audiolivros, levando contos de Simões Lopes Neto e versos de Quintana a leitores globais. Aplicativos de storytelling, desenvolvidos em hubs como o Tecnopuc, permitiam que jovens escritores compartilhassem narrativas inspiradas no Pampa, muitas vezes mesclando realidade aumentada para recriar cenários campeiros.
Escolas rurais, apoiadas por programas como o Inova RS, usavam tecnologia para ensinar literatura gaúcha, com tablets exibindo animações de lendas como a do Negrinho do Pastoreio. A sustentabilidade também marcava presença. Editoras locais adotavam papel reciclado e impressão sob demanda, reduzindo o impacto ambiental. Projetos comunitários, como bibliotecas itinerantes em cidades do interior, levavam livros a áreas remotas, promovendo a leitura entre crianças.
O enoturismo na Serra Gaúcha integrava a literatura, com vinícolas organizando saraus entre os vinhedos, onde se lia poesia ao som de violões, harmonizando vinhos com versos. Os desafios, porém, persistiam. A conectividade limitada, afetando 73% das propriedades rurais, dificultava o acesso a plataformas digitais no interior. A predominância de best-sellers globais nas livrarias urbanas ofuscava autores regionais.
O ensino da literatura gaúcha nas escolas nem sempre valorizava sua riqueza. Ainda assim, o Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) e eventos como a Semana Farroupilha incentivavam a produção literária, com concursos de poesia e prosa que atraíam novos talentos. Quando a noite cobria o Pampa, e as estrelas brilhavam sobre as coxilhas, a literatura gaúcha continuava a contar suas histórias.
Cada conto, cada verso, cada página virada era um tributo à terra e ao povo do Rio Grande do Sul. No diálogo entre o lampião e o tablet, entre o causo e o e-book, a literatura do Pampa provava sua força, narrando um estado onde a tradição inspirava o futuro, e as palavras dançavam como o vento nas planícies. A literatura gaúcha, nascida nas rodas de chimarrão, reflete a alma do Pampa.
De João Simões Lopes Neto, com Contos Gauchescos, a Érico Veríssimo, com O Tempo e o Vento, e poetas como Mario Quintana, ela narra a vida campeira e a história do Rio Grande do Sul. Autores contemporâneos, como Letícia Wierzchowski e Fabrício Carpinejar, trazem novos temas. Inovações incluem e-books e audiolivros em plataformas digitais, além de aplicativos de storytelling com realidade aumentada.
A Feira do Livro de Porto Alegre e saraus em CTGs promovem a tradição, enquanto o enoturismo integra poesia e vinhos. Desafios envolvem conectividade rural e concorrência global, mas o MTG e eventos como a Semana Farroupilha mantêm a literatura vibrante, unindo passado e futuro.
Capítulo 104: Música Gaúcha – Melodias que Cantam o Pampa
No crepúsculo do Pampa, onde o sol pintava o horizonte com tons de fogo, o som de uma gaita cortava o silêncio, acompanhado pelo pulsar de um violão. Nos galpões das estâncias, nas praças das cidades e nos palcos dos Centros de Tradições Gaúchas (CTGs), a música gaúcha ressoava como a própria voz do Rio Grande do Sul. Enraizada na vida campeira, com influências indígenas, portuguesas, espanholas e afro-brasileiras, ela carregava a alma do gaúcho, cantando a lida no campo, o amor, a saudade e a liberdade do Pampa.
Hoje, essa tradição se reinventava, abraçando inovações que levavam seus acordes a novos públicos, sem perder o compasso de suas raízes. A música gaúcha nasceu nas longas jornadas dos tropeiros, que entoavam milongas ao redor das fogueiras, e nos fandangos, onde a gaita e o violão animavam os bailes de caramanchão. Ritmos como a milonga, com sua melodia introspectiva, e o chamamé, de origem argentina, refletiam o cotidiano rural, enquanto o vanerão, com seu pulso dançante, incendiava as pistas.
No século XX, nomes como Teixeirinha, com sucessos como Coração de Luto, e Gildo de Freitas, o rei do improviso, elevaram a música gaúcha a um símbolo nacional, cantando as dores e alegrias do povo. Poetas-cantadores, como Jayme Caetano Braun, usavam o pajéu para declamar versos que ecoavam a história do Pampa. Hoje, a música gaúcha vibrava com nova energia. Artistas contemporâneos, como Joca Martins e Luiz Marenco, mantinham viva a essência campeira, enquanto grupos como Os Serranos e Os Monarcas lotavam CTGs com vanerões e xotes.
Novas vozes, como Shana Müller, mesclavam ritmos tradicionais com elementos do pop e do folk, atraindo gerações mais jovens. Festivais como o Califórnia da Canção Nativa, em Uruguaiana, e o Musicanto, em Santa Rosa, eram palcos para talentos emergentes, onde se ouvia desde milongas clássicas até experimentações com jazz e música eletrônica. A inovação amplificava essas melodias. Startups gaúchas, muitas surgidas nos últimos cinco anos, criavam plataformas de streaming dedicadas à música regional, conectando artistas como César Oliveira & Rogério Melo a ouvintes no Brasil.
Estúdios em Porto Alegre usavam tecnologia de gravação digital para preservar a qualidade acústica da gaita, enquanto aplicativos desenvolvidos em hubs como o Tecnopuc permitiam que fãs acompanhassem letras e histórias por trás das canções em tempo real. O enoturismo na Serra Gaúcha integrava a música, com apresentações ao vivo em vinícolas, onde acordes de chamamé harmonizavam com taças de Merlot. A sustentabilidade também marcava presença. Bandas adotavam práticas ecológicas, como turnês com transporte de baixo carbono.
Tventos como a Semana Farroupilha promoviam palcos alimentados por energia solar. Escolas de música em comunidades rurais, apoiadas por programas como o Inova RS, ensinavam jovens a tocar gaita e violão, usando instrumentos feitos com madeira certificada. Projetos do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) levavam oficinas a cidades pequenas, garantindo que a música gaúcha continuasse a pulsar nas novas gerações.
Os desafios, porém, eram evidentes. A conectividade limitada, afetando 73% das propriedades rurais, dificultava a divulgação de artistas do interior em plataformas digitais. A predominância de gêneros globais, como pop e sertanejo universitário, competia com a música regional nas rádios e streamings. Além disso, a falta de incentivo financeiro para festivais menores ameaçava sua continuidade.
Ainda assim, o MTG e eventos como o Encontro de Artes e Tradição Gaúcha (ENART) fortaleciam a cena, com competições de canto e dança que celebravam a cultura. Quando a lua subia, iluminando os campos do Pampa, a música gaúcha continuava a soar, como um eco da terra. Cada acorde da gaita, cada verso de milonga, cada palmas no vanerão era uma celebração do Rio Grande do Sul.
No diálogo entre o galpão e o estúdio, entre a fogueira e o streaming, a música do Pampa provava sua força, cantando um estado onde a tradição dançava com o futuro, e o coração do gaúcho batia no ritmo da canção. A música gaúcha, nascida nas fogueiras dos tropeiros, reflete a alma do Pampa com ritmos como milonga, chamamé e vanerão.
Ícones como Teixeirinha e Jayme Caetano Braun imortalizaram o gênero, enquanto artistas como Shana Müller mesclam tradição e modernidade. Festivais como Califórnia da Canção Nativa promovem talentos. Inovações incluem plataformas de streaming e aplicativos de letras, enquanto o enoturismo integra shows em vinícolas.
Sustentabilidade guia turnês ecológicas e instrumentos certificados. Desafios envolvem conectividade rural e concorrência global, mas o MTG e o ENART fortalecem a cena. A música gaúcha une passado e futuro, cantando o Rio Grande do Sul.
Capítulo 105: A Feira do Livro Gaúcha
No coração de Porto Alegre, onde o Guaíba espelha os céus e a história sussurra em cada esquina, ergue-se, desde o longínquo ano de 1955, a Feira do Livro, um bastião da cultura gaúcha e brasileira. Na Praça da Alfândega, sob a sombra das árvores centenárias e o bulício alegre dos transeuntes, este evento, que em 2025 alcança sua septuagésima edição, consolida-se como um dos mais veneráveis encontros literários do país. De 1º a 20 de novembro, com o tema
"O tempo passeia por aqui", a feira convida leitores, escritores e curiosos a celebrar o poder transformador das letras, tendo como patrono o ilustre Sérgio Faraco, cujas narrativas capturam a alma do Rio Grande do Sul com rara sensibilidade. A Feira do Livro de Porto Alegre não é apenas um mercado de obras impressas, mas um verdadeiro festival do espírito humano. Bancas coloridas, repletas de volumes que vão dos clássicos aos lançamentos, alinham-se em harmonia, oferecendo ao público um mosaico de ideias e sonhos.
Editoras de renome e livreiros independentes partilham o espaço, enquanto o aroma de papel novo se mistura ao burburinho das conversas. Sessões de autógrafos reúnem autores e leitores em momentos de comunhão, onde dedicatórias selam laços invisíveis. Oficinas literárias, palestras e apresentações culturais, do teatro à música, animam os dias, tornando a praça um palco vivo de criatividade.
O tema escolhido para esta edição, "O tempo passeia por aqui", evoca a permanência da literatura como testemunha das eras. É um convite à reflexão sobre como os livros, em sua atemporalidade, conectam gerações, preservam memórias e projetam futuros. Sérgio Faraco, com sua prosa que entrelaça o regional e o universal, personifica essa ponte entre o efêmero e o eterno.
Sua escolha como patrono reforça o compromisso da feira com a valorização da literatura gaúcha, que, enraizada na identidade do pampa, dialoga com o mundo. Apesar de sua longevidade, a Feira do Livro não esteve imune aos revezes. Enchentes, que por vezes castigaram Porto Alegre, desafiaram sua realização, mas a resiliência dos organizadores e o apoio do governo estadual garantiram sua continuidade.
Com entrada franca, a feira democratiza o acesso à cultura, atraindo um público diverso, de crianças que folheiam contos ilustrados a idosos que buscam memórias em velhos romances. É um espaço de inclusão, onde a leitura se revela não apenas um prazer, mas um direito.
Assim, a Feira do Livro de Porto Alegre, em sua septuagésima edição, reafirma seu papel como farol da literatura nacional. Na Praça da Alfândega, onde o tempo parece, de fato, passear, as páginas abertas dos livros contam histórias de um povo que, através da palavra escrita, encontra sua voz e sua eternidade.
Capítulo 106: O Legado da Feira
Na esteira da septuagésima edição da Feira do Livro de Porto Alegre, realizada na histórica Praça da Alfândega, o evento deixa marcas indeléveis na memória cultural do Rio Grande do Sul. Desde sua gênese em 1955, a feira tornou-se mais do que um encontro anual; é um símbolo de resistência e renovação, um espaço onde a literatura respira e se reinventa. Em 2025, sob o lema "O tempo passeia por aqui" e a inspiração do patrono Sérgio Faraco, a feira não apenas celebrou a palavra escrita, mas também projetou um legado que transcende gerações.
A Praça da Alfândega, com sua aura de tradição, transformou-se, durante os vinte dias de novembro, em um caldeirão de ideias. Visitantes de todas as idades, vindos dos rincões gaúchos e de além-fronteiras, circularam entre as bancas, onde livros novos e usados contavam histórias de épocas distintas. As sessões de autógrafos, conduzidas por autores consagrados e novatos, foram momentos de troca genuína, em que leitores encontravam nos escritores não apenas ídolos, mas interlocutores. As oficinas, voltadas para a escrita criativa e a ilustração, semearam aspirações em jovens que, talvez, serão os narradores do futuro.
O tema da edição, evocando o tempo como um andarilho, ressoou nas atividades culturais. Apresentações musicais inspiradas em obras literárias e peças teatrais adaptadas de contos gaúchos encheram a praça de vida, enquanto palestras exploraram a relação entre a literatura e a memória coletiva. A presença marcante de editoras regionais, que trouxeram à luz obras de autores locais, reforçou o compromisso da feira com a identidade cultural do estado, sem deixar de acolher vozes nacionais e internacionais.
A escolha de Sérgio Faraco como patrono foi um tributo à sua capacidade de capturar, em suas narrativas, a essência do homem do pampa. Suas histórias, impregnadas de lirismo e verdade, serviram como farol para as discussões da feira, que abordaram desde a preservação das tradições até os desafios da modernidade. Sua obra, exposta em bancas e debatida em rodas de conversa, lembrou a todos que a literatura regional, quando bem tecida, alcança o universal.
Não obstante os desafios, como as enchentes que por vezes ameaçaram a realização do evento, a Feira do Livro de Porto Alegre demonstrou, mais uma vez, sua resiliência. O apoio do governo estadual e a dedicação de uma comunidade apaixonada por livros garantiram que a praça permanecesse um refúgio para a cultura, com entrada franca que assegurou a inclusão de todos. Crianças, estudantes, professores e curiosos encontraram ali um espaço de descoberta, onde o ato de folhear um livro se tornou um gesto de comunhão.
O impacto da feira, porém, vai além dos dias de sua realização. Ela planta sementes que germinam em salas de aula, bibliotecas e lares, onde os livros adquiridos continuam a inspirar. Autores estreantes, que ali encontraram seu primeiro público, levam consigo a confiança para seguir escrevendo. Leitores, tocados por uma história ou um verso, carregam novas perspectivas para suas vidas. Assim, a Feira do Livro de Porto Alegre, em seu septuagésimo ano, não apenas passeia pelo tempo, mas o molda, deixando um legado que ecoará nas páginas lidas pelas gerações vindouras.
Capítulo 107: A Literatura Como Ponte
Após a ressonância da septuagésima edição da Feira do Livro de Porto Alegre, a cidade ainda pulsa com o eco das palavras que animaram a Praça da Alfândega. Em 2025, o evento não apenas celebrou sua longeva trajetória, mas também reafirmou a literatura como uma ponte que une tempos, povos e sonhos. Sob o tema "O tempo passeia por aqui" e com Sérgio Faraco como patrono, a feira transcendeu sua função de mercado literário, tornando-se um espaço de diálogo, onde vozes diversas encontraram harmonia na partilha de histórias.
A literatura, em sua essência, é um ato de conexão. Na feira, essa verdade manifestou-se em cada interação. Jovens leitores, com olhos brilhantes, acercavam-se de autores para trocar ideias sobre personagens e tramas, enquanto professores buscavam obras que inspirassem seus alunos. As bancas, repletas de títulos que abarcavam desde a poesia gauchesca até romances contemporâneos, eram pontos de encontro onde o passado e o presente se entrelaçavam.
A presença de escritores independentes, muitos dos quais publicaram suas obras por esforço próprio, trouxe à tona a vitalidade de uma literatura que floresce à margem dos grandes circuitos, mas não menos potente. As atividades culturais da feira reforçaram essa ideia de ponte. Contações de histórias, destinadas às crianças, plantaram nelas a semente da imaginação, enquanto debates com intelectuais abordaram questões prementes.
Tais como a preservação da memória cultural em tempos de rápidas transformações. Apresentações de danças tradicionais gaúchas, ao lado de leituras de poemas modernos, criaram um mosaico em que a tradição e a inovação caminhavam juntas. A música, inspirada em textos literários, elevou a experiência, fazendo da praça um lugar onde os sentidos se uniam na celebração da palavra.
Sérgio Faraco, com sua obra profundamente enraizada na alma do Rio Grande do Sul, foi o fio condutor dessa edição. Seus contos, que retratam a vida simples do homem do interior com uma prosa lírica e precisa, serviram como lembrete de que a literatura regional tem o poder de tocar corações em qualquer canto do mundo. Durante a feira, sua figura esteve presente não apenas em suas obras expostas.
Em suma também nas conversas que evocavam sua habilidade de transformar o cotidiano em arte, a Feira do Livro de Porto Alegre, com sua entrada franca e apoio do governo estadual, continuou a ser um exemplo de democratização cultural. Mesmo enfrentando adversidades, como as enchentes que marcaram a história da cidade, o evento manteve-se firme, acolhendo um público plural.
Famílias inteiras passeavam entre as bancas, enquanto estudantes anotavam títulos recomendados e idosos compartilhavam lembranças de edições passadas. Esse caráter inclusivo fez da feira um reflexo da própria literatura: um espaço onde todos têm lugar. O legado desta edição, porém, não se limita ao que ocorreu entre 1º e 20 de novembro.
A Feira do Livro planta ideias que germinam ao longo do ano, em bibliotecas comunitárias, clubes de leitura e salas de aula. Ela inspira novos escritores a pegar a pena e novos leitores a abrir um livro. Como uma ponte que atravessa o rio do tempo, a feira conecta o que foi ao que será, provando que, enquanto houver histórias à contar, haverá caminhos a unir.
Capítulo 108: O Futuro das Páginas
A Feira do Livro de Porto Alegre, em sua septuagésima edição, celebrada de 1º a 20 de novembro de 2025, não apenas honra sua longa trajetória, mas também projeta olhares para o porvir da literatura. Na Praça da Alfândega, onde o tema "O tempo passeia por aqui" ressoa entre as bancas e as vozes dos visitantes, o evento, sob o patronato de Sérgio Faraco, reafirma seu compromisso com a perpetuação da leitura em um mundo em constante transformação.
Nesta edição, a feira não se contenta em ser um marco do presente, mas se posiciona como um farol que ilumina os caminhos futuros das letras, adaptando-se aos novos tempos sem renunciar à sua essência. A literatura, em 2025, enfrenta o desafio de dialogar com uma sociedade moldada pela tecnologia e pela velocidade. A Feira do Livro de Porto Alegre responde a esse chamado com iniciativas que harmonizam tradição e inovação.
Além das tradicionais bancas repletas de livros físicos, cuja textura e aroma continuam a encantar, espaços dedicados à leitura digital ganham destaque. Editoras apresentam plataformas de e-books e audiolivros, atraindo um público jovem que consome histórias em telas e fones de ouvido. Oficinas de escrita digital, voltadas para a criação de narrativas interativas, convidam os participantes a explorar novas formas de contar histórias.
Porém enquanto debates sobre inteligência artificial na literatura provocam reflexões sobre o papel do autor no futuro é uma interrogação que ainda não tem resposta conclusiva. Sérgio Faraco, com sua obra ancorada na experiência humana, serve como inspiração para equilibrar o velho e o novo. Suas histórias, lidas em voz alta por atores em apresentações na praça, lembram que, independentemente do meio, o cerne da literatura reside na capacidade de emocionar e conectar.
A feira presta homenagem a essa ideia ao promover encontros entre autores consagrados e novatos, cujas vozes emergem em publicações independentes ou em plataformas digitais. Esses diálogos, muitas vezes mediados por transmissões ao vivo que alcançam leitores além das fronteiras do Rio Grande do Sul, reforçam a universalidade das narrativas, a sustentabilidade, um imperativo do século, também marca presença.
A feira adota práticas ecológicas, como a redução de resíduos nas bancas e o incentivo a editoras que utilizam papel reciclado. Atividades educativas voltadas para crianças e jovens abordam a importância da preservação ambiental, muitas vezes inspiradas em livros que tratam do tema. Essa preocupação com o futuro do planeta reflete-se no público, que, ao folhear obras na Praça da Alfândega, é convidado a pensar no legado que deixará para as próximas gerações.
Apesar das inovações, a Feira do Livro mantém sua alma democrática. A entrada franca, garantida pelo apoio do governo estadual, assegura que a cultura permaneça ao alcance de todos. Famílias, estudantes e curiosos circulam entre as bancas, participam de contações de histórias e assistem a espetáculos culturais que transformam a praça em um mosaico de sons e cores, a resiliência do evento, que superou enchentes e outros desafios ao longo de sete décadas.
E é hoje um testemunho de sua relevância e de sua capacidade de se reinventar. Assim, a Feira do Livro de Porto Alegre, em sua septuagésima edição, não apenas celebra o passado e o presente, mas semeia o futuro. Na Praça da Alfândega, onde o tempo passeia com leveza, as páginas dos livros, sejam de papel ou pixels, continuam à escrever a história de um povo que encontra na literatura sua força, sua voz e sua esperança.
Epílogo: O Eterno Passeio do Tempo A Alma Gaúcha Tradição, Orgulho e Identidade
A alma gaúcha é a essência pulsante do povo do Rio Grande do Sul, um reflexo vibrante de sua história, cultura e valores. É um sentimento que transcende gerações, enraizado nas vastas coxilhas, no som do vanerão, no calor do mate e na bravura de um povo que carrega no peito o orgulho de ser gaúcho. No cerne da alma gaúcha está a tradição desde os tempos dos índios guaranis, dos tropeiros e dos imigrantes europeus, como italianos, alemães e portugueses, o Rio Grande do Sul forjou uma identidade única.
As lides campeiras, o trabalho árduo no campo e a lenda dos revolucionários farroupilhas moldaram um espírito de resistência e liberdade. O gaúcho é, por natureza, alguém que valoriza suas raízes, seja no uso do lenço e da bombacha, seja na preservação de costumes como o churrasco, preparado com esmero e compartilhado em roda de amigos. A música e a poesia também são pilares dessa alma. O som da gaita e da viola embala os fandangos, enquanto poetas como Érico Veríssimo e Mario Quintana traduziram em palavras a sensibilidade e a força do povo gaúcho.
A dança, como o pealo e a chula, expressa a energia e a paixão de uma cultura que celebra a vida com vigor, outro traço marcante é o senso de comunidade. O gaúcho é hospitaleiro, acolhe com um mate quente e uma conversa franca. A roda de chimarrão é mais que um ritual: é um momento de conexão, onde se compartilham histórias, sonhos e valores. A lealdade, a coragem e o respeito pela palavra dada são princípios que ecoam na alma gaúcha, refletidos no lema "Liberdade, Igualdade, Humanidade" da Revolução Farroupilha.
Contudo, a alma gaúcha não é apenas passado. Ela vive na modernidade, adaptando-se sem perder sua essência. Hoje, o gaúcho leva sua cultura para além das fronteiras do estado, seja nos rodeios, nos festivais de música nativista ou na força do agronegócio, que mantém o Rio Grande como um dos celeiros do Brasil. unindo a tecnologia e o que há de mais anaçado em TI e AI. Ser gaúcho é carregar no coração um amor pela terra, pela liberdade e pela tradição, mas também é saber olhar para o futuro com a mesma bravura dos antepassados.
A alma gaúcha é, acima de tudo, um hino à identidade de um povo que, como o minuano, sopra forte e deixa sua marca onde passa, na Praça da Alfândega, onde o Guaíba murmura suas histórias e o vento acaricia as folhas dos jacarandás, a Feira do Livro de Porto Alegre, em sua septuagésima edição de 2025, encerra-se como um capítulo vivo da alma gaúcha. Sob o tema "O tempo passeia por aqui", com à inspiração do patrono Sérgio Faraco, o evento, realizado no mês de novembro, não apenas celebra a literatura, portanto constrói uma tapeçaria de memórias, sonhos e promessas.
Cada banca, cada sessão de autógrafos, cada risada infantil e cada debate acalorado foi um testemunho do poder das palavras em unir corações e transcender eras. A feira, ao longo de seus setenta anos, enfrentou tempestades, enchentes e os desafios de um mundo em mutação, mas permaneceu inabalável, como um farol que guia leitores de todas as idades. Com entrada franca, sustentada pelo apoio do governo estadual e pela paixão de seus organizadores, ela democratizou a cultura, transformando a praça num espaço comum fraterno.
Onde o rico e o pobre, o jovem ao ancião, encontraram nas páginas dos livros um reflexo de si mesmos. As inovações de no sécilo XXI, dos livros digitais às reflexões sobre sustentabilidade, mostraram que a literatura, em sua essência, é um organismo vivo, capaz de se adaptar sem perder sua raiz. Sérgio Faraco, com sua prosa que canta a pampa e a condição humana, deixou sua marca em cada coração, lembrando a todos que as histórias, sejam contadas em papel ou em telas digitais, são pontes entre o efêmero e o eterno.
As vozes que ecoaram ontem até hoje na Praça da Alfândega de autores consagrados a talentos emergentes, de crianças a leitores experientes carregam a certeza de que a literatura gaúcha, e brasileira, continuará a florescer, resistindo ao tempo e às intempéries. Assim, quando as luzes da feira se apagam e as bancas são desmontadas, o que permanece é o legado de um evento que, mais do que vender livros, semeia ideias desde os promórdios da história.
Na Praça da Alfândega, o tempo não apenas passeou, mas deixou suas pegadas, gravadas nas memórias de quem ali esteve e nas páginas que seguirão sendo lidas. A Feira do Livro de Porto Alegre, em mais uma edição, não é um fim, é um convite para que o futuro continue à escrever com tinta, alma e coração, a história de um povo que ama seus livros.

